segunda-feira, 27 de julho de 2009

Feijoada no ALBATROZ

Tivemos no sábado, 25/7/2009, mais uma feijoada para os Associados da AMRAER. Bastante concorrido, o evento reuniu nossa turma numa daquelas oportunidades para colocar os assuntos em dia. Continuem prestigiando.
Abraços.
Petrocchi

terça-feira, 9 de junho de 2009

ei-las...

REENCONTROS

Devido à grande diversidade das origens dos seus componentes, as Forças Armadas apresentam particularidades interessantes. Como nas escolas de formação chegam novos integrantes a cada semestre ou ano, procedentes dos mais diversos rincões do Brasil, nem todos com a mesma certeza de, ao final do curso, voltar à sua terra natal, muitas vezes encontramos jovens nordestinos servindo no friorento sul, bem como não é difícil ver um gaúcho, ainda guri, tendo que se acostumar ao sempre quente e úmido clima da Amazônia.

Durante o curso os alunos, em virtude da convivência diuturna, acabam estabelecendo novas amizades, ampliando seus círculos de relacionamento. Dois ou três anos, então, são suficientes para conhecer novas pessoas, seja pela relação de interdependência, por curiosidade de conhecer novos costumes, por simples empatia ou, até mesmo, pela verdadeira identificação de personalidades e/ou não é impossível, só para fugir de um isolamento individual durante sua estada na escola ou na academia.

Aqueles que, por mérito próprio, conseguem escolher a cidade onde vão servir (desde que exista vaga, é claro) retornam ao convívio das famílias e o seu verdadeiro início da carreira profissional é bem menos problemático. Além do retorno ao lar, passam a contar com a presença de novos amigos da caserna, também oriundos do seu local de formação. Até que uma transferência o atinja, pode dar seus primeiros passos por lugares que conhece. Além, é claro, de contar com o apoio do lar desde o começo.

Esta facilidade já não acontece com aqueles que, seja por inexistência da vaga na sua cidade ou porque sua média não lhe permitiu escolher, terão que enfrentar novas situações. Numa cidade estranha com hábitos (alimentares, climáticos, sociais, etc.) diferentes daqueles aos quais estavam acostumados, encontrarão algumas dificuldades até conseguirem adaptar-se à nova vida. Suas realidades passam a ser outras. Quase sempre se casam nesse novo lugar. O quê, inapelavelmente, fará dessa nova cidade a primeira opção quando da passagem para a reserva.

Mas, chegando ao tema central do que ora escrevo, essas e outras particularidades da vida militar sempre proporcionaram, a todos nós, agradáveis reencontros. As viagens a serviço fazem com que, mesmo esporadicamente, possamos rever amigos que deixamos um dia em algum lugar do passado. Quando isso acontece, ressurgem os “papos” de passagens desfrutadas por ambos, contamos sobre as nossas vidas e falamos das nossas famílias, as das quais viemos e as novas que formamos.

Sem dúvida, o que mais marca são os encontros anuais realizados nas escolas de formação. Amigos e colegas que não vemos há mais de 20 ou 30 anos estarão frente a frente conosco. As marcas do tempo estarão presentes no rosto, nos cabelos e, principalmente, na circunferência abdominal. Ficamos sabendo também, nessas ocasiões, tristes notícias que passaram ao largo do nosso cotidiano. Alguns que já se foram tornam-se objeto de boas lembranças. Outros, mesmo que doentes ou com seus problemas particulares, buscam apoio ou compreensão (e principalmente boas lembranças) por parte dos antigos companheiros.

As comparações são inevitáveis. Íntimas ou motivadoras de boas gargalhadas, sempre comentamos a respeito do que é que a vida fez com cada um. Conversas intermináveis sobre o desenrolar das carreiras, a situação na reserva ou reforma, divagações sobre as Unidades pelas quais passamos, as agruras e as satisfações vêm à tona. Mas, sabemo-nos vivos e, por enquanto, é o que nos basta. Temos a chance de planejar novos encontros. Podemos novamente estreitar o nosso relacionamento. A vida nos deu essa oportunidade e temos a chance de fazer dela um agradável motivo para continuarmos satisfeitos com a razão do nosso reencontro.

Alguém já disse que “se tens um amigo, conserva-o”. Não deixemos passar o bonde da História. Amigos fazem parte da sua vida e Você, certamente, é parte das vidas deles. Orgulhe-se disso e, sempre, mas sempre mesmo, desfrute da espetacular oportunidade de revê-los.

AINDA É TEMPO...

Durante o depoimento da viúva do ex-prefeito de Campinas, Toninho do PT, prestado numa das CPI’s desenroladas no Congresso Nacional, a mesma exaltava as qualidades do falecido e, em determinado momento, disse que apenas agora compreendia as razões que o levavam a proceder como procedia durante o seu mandato, enquanto no primeiro posto do executivo municipal daquela cidade. Constrangida, reconheceu que, àquela época, chamava-o de louco por não estar desempenhando bem suas funções. Agora, com o passar dos anos e na solidão da sua viuvez, ela arranjou tempo e razões para analisar (é psicóloga) o comportamento do marido durante aqueles últimos dias da vida dele. E, hoje, age exatamente como o marido agia.

Essa, infelizmente, é a mais comum das maneiras de comportamento matrimonial entre os nossos contemporâneos. Acredito que os casais de hoje (ou de sempre?) são exatamente assim: se o(a) meu(minha) cônjuge não procede rigorosamente como eu acho que deveria proceder, é por mim sumariamente condenado(a) a estar errado(a). Nem passa pela nossa cabeça o auto-exame e buscar e compreender as suas razões, procurar entender qual é o motivo que o(a) move. Queremos apenas que prevaleça o nosso ponto de vista. Que pode ser, ele mesmo, o centro de todo o problema. Monoliticamente, segundo a nossa vontade. Querendo, isso vale, também, até para uma relação de amizade.

Mas ainda é tempo de adequação. Perguntemos à outra metade do nosso casal o quê é que está acontecendo, o quê está ocasionando o problema (que pode nem ser ainda um problema). Lute pelo diálogo. Saia de cima desse pedestal de todo(a)-poderoso(a) Senhor(a) da Verdade. Ninguém é dono da Verdade. Existe, no máximo, a Verdade de cada um e, além delas, a verdadeira Verdade. Seja generoso(a) ao ponto de querer falar e de querer ouvir.

A autenticidade, nessa hora, é imprescindível. Dentro de comportamento calmo e socialmente correto, explique suas razões, coloque suas dúvidas e ouça as razões e escute as impressões da outra parte. Busque, para essa conversa, um local neutro, público. Isso vai ajudar na contenção dos ânimos. Sair de casa, da qual certamente cada um se julga mais dono do que o outro, vai colaborar para a neutralidade do local da conversa. Seja condescendente. Saiba colocar bem seus pontos-de-vista e, mais ainda, saiba ouvir o que o outro tem a dizer. Exima-se de julgamentos pré-concebidos enquanto estiver ouvindo.

Ninguém, mas NINGUÉM mesmo, pode saber o que está dentro da cabeça de outra pessoa. Nunca se pode dizer, com certeza, o quê o seu interlocutor está pensando. O pensamento é a coisa mais individual que existe. Talvez a única. O seu próprio, por exemplo, alguém pode governá-lo? Dê ao outro o mesmo direito que Você tem: de ser o dono daquilo que pensa.

Aproveite o tempo que Você ainda possui. Procure o mais breve possível o diálogo com a outra pessoa. Mesmo que a relação pareça estar fluindo às mil maravilhas, pergunte-lhe se está tudo bem. Discutam pequenas coisas que possam não estar correndo nos eixos, pois estas, somadas a outras coisas infinitamente pequenas, podem, no decorrer de alguns dias, semanas ou meses, transformar-se em algo de tamanho significativo e assustador. Pense nisso...

Porque é muito sofrido, depois de alguns anos, e pior, na solitária situação que uma viuvez proporciona, ter que reconhecer que o outro talvez estivesse com a razão. É uma culpa que não se expia. É uma dor que jamais se acalmará. Não se mede o que pode significar a carga desses sentimentos. Simplesmente há que se conviver com eles. Suportaremos?

Não perca tempo. FALE!!! OUÇA!!!

Melhore o seu futuro.

A SOLIDÃO DO PODER

Assisti, dia destes, ao filme PATH TO WAR (sem título em português). A trama desenvolve-se sobre os fatos ocorridos durante a guerra do Vietnam e relatou acontecimentos verídicos, referentes às decisões que tiveram que ser tomadas pelo Presidente Lyndon B. Johnson e seu staff, quanto ao quê, como e quando deveriam ser atacados alvos naquele país. Este meu artigo não pretende discutir o erro ou acerto das decisões tomadas, mas a gravidade com que os participantes delas tiveram com que se desincumbir de suas atribuições.

Transpondo a tensão reinante nos ambientes onde as conversas foram entabuladas, a ESTATURA pessoal/moral/intelectual/profissional dos envolvidos e a situação em si, para qualquer outro país do mundo, fica bastante complicado alcançar a dimensão da coisa. Mas não se pode deixar de comparar aquela situação com um possível acontecimento no nosso país, seja por ameaça interna ou externa (não gosto de pensar que estejamos a salvo de que aconteça – somos uma nação soberana e, quanto mais não seja, pelo menos territorialmente, muito grande e, por isso, alvo da cobiça – em maior ou menor grau - mundial). Até mesmo a decisão de engajar-se ou não em conflitos internacionais depende de resoluções a serem muito bem pesadas. A SERIEDADE dos ocupantes de cargos que os coloquem na posição de DECIDIR será o fator que vai determinar a certeza ou a incerteza das decisões.

E será nesta hora que a referida ESTATURA para o cargo será necessária. Decisões que envolvam o futuro do Brasil terão que ser tomadas em pouco tempo e sem a alternativa de erro. Vidas humanas e a própria razão de existir do nosso país estarão em jogo. Não se tratará de tentar acertar: vai ter que acertar! As revistas semanais, na edição seguinte, não irão consertar o furo ou tentar melhorar a situação. Não terão tempo para isto. Governar uma nação não é se prender a utopias. É lidar com a REALIDADE, com seres humanos que dependem de graves decisões, bem fundamentadas e bem dirigidas. Esperamos isto e somente isto, dos ocupantes de tais cargos. Não estou julgando este ou aquele, apenas estou dizendo o quê quero deles. Não poderá existir a figura da vaidade pessoal. Alguém, sabiamente, já disse que “aquele que quer a paz tem que se preparar para a guerra”. Neste preparo incluo o treinamento que, por quê não, pode começar agora. Inspirar credibilidade é uma boa prova para o povo. Desculpas posteriores não vão adiantar depois que vidas forem perdidas.

Nós, do povo, também temos que ser parte do processo. Não pensem que seja cedo, já que, a cada quatro anos, temos novas eleições. Votando com consciência estaremos colaborando para colocar, naqueles postos, as pessoas que julgamos capazes de decidir por nós. Acontece que, pensando na solidão de quem decide, a certeza da nossa confiança será em quê a autoridade vai se basear para decidir. O seu staff é montado também pensando nisto. Seus integrantes devem ser capazes de assessorar com isenção, distantes de pensamentos menores ou de satisfação/vaidade puramente pessoal. Não podemos, pelos motivos acima, abrir mão do nosso direito/dever de votar. Temos que estudar, sim, o alvo do nosso voto. Saber quem é que estamos colocando em cargos elevados. Acabar com esta história de voto de protesto, de “raivinha”. Vamos parar com a idéia de que “desde que não seja fulano qualquer um serve”. É o nosso futuro, gente. Estamos entregando a alguém o direito de fazer o que quiser com a nossa vida, com a vida dos nossos filhos, dos nossos netos, dos nossos seres queridos. Não podemos entregar esse direito a “qualquer um”.

Somos obrigados a fazer isso pelo nosso país. Não devemos seguir linhas trotyskistas, leninistas, comunistas e tantos outros “istas” mais. Não temos que idolatrar Fidel Castro ou Che Guevara. O quê é que estas pessoas fizeram por mim, por Você ou pelas nossas famílias? Se temos que idolatrar um “cara” barbudo, de rosto grave, busquemos Tiradentes, os Pedros, alguém que tenha feito alguma coisa pelo Brasil. A nossa população é imensa e temos gente da melhor cepa entre nós. Vamos prestigiá-los.

E, com certeza, teremos um Brasil melhor. Feito por BRASILEIROS).

P.S. Não sou belicista. Sou realista (o que é um “ista” bom).

UM MUNDO QUE ACABOU

Assistindo a um programa de TV, achei interessante o tema de um livro cujo autor estava sendo entrevistado. O tema central do livro versava sobre coisas que foram desaparecendo com o tempo. Vendedor de enciclopédias de porta em porta, livrinho de catecismo, musical na TV, máquina de inseticida (FLIT – era a marca) e muitas outras coisas que deixaram de existir.

Permito-me citar algumas que fizeram parte da minha infância/juventude e que hoje não vejo mais.

Anil – era um cubinho azul, usado para clarear roupas brancas. As mesmas deviam quarar ao sol para que o anil atuasse.

Pente inquebrável Flamengo. Ai do bolso masculino que não contivesse um daqueles pentes. Havia os de casco de tartaruga, também.

Mascates. Eram aqueles vendedores de tecidos, de porta em porta, que financiavam os seus produtos. Geralmente a primeira prestação já lhes cobria o que haviam pago pelos tecidos.

Bolinha de gude. Embora ainda se encontrem em um ou outro local, é muito difícil ver aquelas acirradas disputas em locais de chão batido.

Exército da Salvação. Muito comum em grandes cidades, era aquela gente que ostentava farda, com um ou outro instrumento musical, pedindo doações para preparo de comida para os mais necessitados. Geralmente à noite faziam a distribuição da comida.

Revistas em quadrinhos com grandes heróis. Desapareceram Rocky Lane, Hopalong Cassidy, Zorro e Tonto, O Cavaleiro Negro e muitos outros.

Seriado de aventuras no cinema. Antes de todas as sessões, exibiam-se seriados, o que fazia com que voltássemos na semana seguinte para acompanhar o desenrolar da série.

Fotonovela. Revistas como Capricho e Grande Hotel publicavam em todas as suas edições melosas histórias de amor.

Máquina de escrever. O computador praticamente matou essa importante peça na vida de todo jovem de alguns tempos atrás. Atingir a adolescência significava, certamente, a obrigatoriedade de matricular-se em um “curso de datilografia”, pré-requisito para se conseguir qualquer emprego.

Mata-borrão. Indispensável em qualquer escritório. Absorvia o excesso de tinta deixado no papel após o uso da caneta tinteiro, esta também um artigo hoje muito difícil.

Coador de café em pano. Era um saco montado em um aro de arame grosso, com um cabo para manejo. Com o uso, incorporava-se a cor do café ao pano (geralmente flanela branca).

Litro de leite em vidro. Eram, em tempos mais “honestos”, deixados na soleira das portas das casas. E era “leite de vaca, puro” mesmo.

Camisa “Volta ao Mundo”. Uma revolução na moda masculina. Feita de tecido sintético, era um martírio em climas quentes. Mas não amarrotava nunca. No mesmo tempo, havia a calça de tergal ou a de nycron. Não perdiam o vinco.

Alpargatas Roda. Feita de lona e com sola de corda, foi certamente a semente dos tênis de hoje. Ainda é encontrada no sul do país, como parte da indumentária de gaúchos pilchados.

Perfume Lancaster. Extremamente forte, de aroma indiscutível, era muito usado na década de 60.

Soutien com armação. Possuía, na sua parte inferior, uma armação de ferro.

Creme Glostora. Usado para fixação dos cabelos masculinos.

Voltarei, em breve, com outras “novidades”.

A DINASTIA COMBALIDA

Um dos principais indicativos de que a carreira militar foi se deteriorando ao longo dos tempos é a falta de interesse dos descendentes dos militares em seguir os passos dos pais. Já não se vê, como em tempos passados, os filhos encarando-os como heróis fardados, como figuras altaneiras, como um seguidor de ideais. É muito difícil encontrar atualmente uma dinastia familiar de militares.

Essa degradação foi acontecendo, com o passar dos anos, através de inúmeros fatores, cujo alcance nunca é, por razões que desconheço, devidamente esclarecido. Depois dos anos que se seguiram a 1.964, então, nunca mais a categoria recuperou seu poder de atração. O que não deixa de ser estranho, pois várias pesquisas, de diferentes fontes, demonstram que o militarismo continua sendo uma das instituições que maior credibilidade recebe da população brasileira.

Entre os fatores geradores dessa perda de atração está como o principal deles, como citei, o período dos governos militares. Vemos e ouvimos, hoje, jovens recém-chegados à vida adulta discorrendo, cheios de argumentos, que a “ditadura” foi um dos males que mais prejudicaram a caminhada do Brasil rumo ao desenvolvimento e à liberdade total. Sem sequer ter o poder de testemunho, pois nem vivos eram àquela época. Quando aconteceu a transformação do regime, eu tinha a idade que eles têm hoje. Crédulo na firmeza de caráter, na honestidade de propósitos, nas coisas certas e no amor que até hoje nutro (e sempre vou nutrir) pela minha Pátria, desconheço a grande maioria dos males que eles dizem terem sido causados ao Brasil pelos governos de então. Nos dias atuais, aos 63 anos, posso dividir a minha vida em três fases com praticamente a mesma duração: até os meus 20 anos, vivendo sob o antigo regime; dos 20 aos 42, como militar, sob a “ditadura”; e, dos 42 até hoje, neste regime que aí está.

Comparemos as situações. Até 1964, reinava uma total e disparatada confusão, mormente nos anos mais próximos àquele. Desmandos, inexistência de disciplina, indefinições quanto ao futuro, proximidade com ideologias que a nós não convinham e outras agruras que tais. No período seguinte, houve que “arrumar-se a casa”. O que não deve ter agradado a alguns. Quem devia, tinha que pagar. Entoam-se agora, aos quatro ventos, loas aos que desejavam a permanência da situação antes reinante. Figurinhas inexpressivas foram alçadas à condição de heróis da Pátria. Que heróis eram esses que, mesmo hoje, mantém seus mesquinhos interesses (agora sob a tutela do poder) à flor da pele? A verdadeira face dos mesmos pode, enfim, ser vista e constatada. A fase atual, que já dura o mesmo tempo (ou mais) que o da “ditadura”, com uma constituição nova, com a “plena liberdade”, traz à tona os propósitos dos “perseguidos” de antes de 64. Quais eram os seus verdadeiros motivos? A unidade de pensamentos patrióticos que os movia diluiu-se em quê? A qual destino esperam nos conduzir? A mídia não se julga (ou não é) capaz de fazer uma análise isenta e real?

Derramam-se sobre o nosso povo notícias tendenciosas, forjadas em dados que a base da pirâmide sabe mentirosos. E esse mesmo povo segue pagando as contas. E sofrendo as conseqüências de uma magnanimidade inexistente. Como já cantava Caetano Veloso, os “podres poderes” continuam existindo.

Mas, na pequenez da minha pouca expressividade, continuo aqui, com os meus pensamentos desejosos de um futuro melhor para o meu País, com vontade de legar aos meus filhos e netos um Brasil melhor, uma verdadeira NAÇÃO. Tentando mostrar a eles que não perdi o elan que, intrinsecamente, possuía envergando a minha farda, da qual fiz um símbolo, meu “leit-motif”, e do quê não me arrependo. Honrei-a sempre e exorto aos que ainda a vestem a continuar honrando-a. Sejamos fiéis aos nossos princípios e aos ideais que os nortearam. Sejamos os bastiões que a população deseja e espera. Há que se acreditar que o nosso Brasil tem jeito. Trabalhemos para isso. Porque para tal vivemos e mais da metade da nossa vida entregamos ao País. Lembremo-nos do conteúdo do solene juramento proferido quando da nossa incorporação às Forças Armadas.

E esmorecer, jamais...

VIDA DE GADO

O brasileiro, por sua própria natureza, é indolente. Não constam da personalidade das nossas gentes (não estou generalizando!) qualidades como a iniciativa, a capacidade de tomar decisões, a possibilidade de exercer liderança. Preferem acompanhar a alguns poucos que se dispõem a tomar a frente. Gostam de seguir na manada e, em função de serem apenas mais um do grupo, ficam imunes das responsabilidades, com o pretenso autêntico poder de criticar a quem os guiou. Embora tenham, para incorporar-se, concordado com os outros, aos quais se associaram com a finalidade de conseguir de possíveis vantagens a serem alcançadas. São só indivíduos, um simples número, sem qualquer realce no todo.

Cada um deles, anonimamente, diluído na multidão, entrega-se ao que realmente gosta de fazer. Dá palpites e arranja um álibi para, se o objetivo não for alcançado, dizer que “tinha avisado”, que “não foi ouvido” e fazer outras observações nesse mesmo sentido.

Em suma, nós gostamos de ser comandados, de que nos mostrem caminhos. Como diz a letra de Zé Ramalho, talvez tenhamos nascido para ser um “povo marcado, povo feliz”... Adoramos não assumir responsabilidades. Tanto se nos dá se vamos ou não ser bem sucedidos na luta por melhores condições futuras. Até nem mesmo nos preocupamos em saber o quê estamos verdadeiramente buscando. Isso é atribuição de quem está à frente da manada. É mais cômodo seguir a tropa do que assumir a responsabilidade de procurar os caminhos.

Fazer parte de um grupo ao qual nos juntamos, desde que a finalidade dessa reunião possa nos beneficiar é fácil. Daí a assumir as rédeas na condução do mesmo é outra história. Não sobra tempo, não nos sentimos capazes, não é bem a nossa área, preferimos ver como a coisa vai caminhar no início... Conseguimos toda espécie de desculpas e impedimentos. Afinal de contas, se não der certo, estaremos livres para criticar. É uma atitude omissa e covarde.

E o pior de tudo é que existe muita gente boa, capaz de acrescentar muito ao grupo e, por causa da indolência acima referida, pode passar toda a sua vida em branco, distante da sua obrigação maior no que concerne ao seu meio social. O distanciamento do centro das questões que o envolvem enquanto membro do grupo, relega essas pessoas a simplesmente passarem pela vida, a habitarem somente a periferia da sociedade da qual fazem parte. Perdem, então, tanto elas quando os circunstantes.

Meu conselho, se é que posso oferecê-lo, é: MEXA-SE! Atue, seja capaz de melhorar a sua vida e as vidas dos que lhe são caros. Ajude seu amigo, Procure soluções. Vá em busca do que acredita, do que pode tornar melhor a caminhada para Você e para os seus. Não fique esperando que as benesses caiam no seu colo. A sociedade, como um todo, espera que Você cumpra o seu papel dentro dela. Ela sabe do seu potencial (e Você sabe que ela sabe disso) e conta com o seu auxílio. Não se omita.

Deixe de ser apenas mais um na manada. Levante-se e diga o que pensa. Abstenha-se de apenas criticar. Suas sugestões podem ser o que falta para a consecução dos objetivos. Não se esconda atrás de uma sempre conveniente timidez. Você é capaz. As pessoas (aquelas que podem ser os verdadeiros seguidores da “Vida de Gado”) precisam de Você.

Talvez seja apenas disso que o nosso País precise. Forme um grupo que possa trazer benefícios para todos os seus integrantes. Nem que seja para um convívio apenas social. A proximidade com outras pessoas representa um canal de aprendizado imensamente valioso. O que podemos aprender (e apreender) convivendo com os nossos semelhantes há de representar uma enorme bagagem para todos, enquanto seres humanos. Saibamos separar os bons e os maus exemplos. Deixemos da crítica pela crítica e passemos a AGIR!

Todos ganharemos com a sua inestimável ajuda. Não seja egoísta a ponto de deixar que o seu potencial se esvaia. Mostre-se.

Ajude-nos a ajudá-lo.

Porque ser sócio da ASMIR...

Sou, por minha própria índole, um ser social. Desde jovem busquei estar junto às demais pessoas, integrar-me ao meio onde vivo. Por esta simples razão, através de um convite, associei-me à ASMIR em meados do ano passado (2.004). As pessoas que integram a Associação são praticamente da minha faixa etária, comungamos dos mesmos ideais militares, os filhos passaram por alegrias e agruras comuns de infância e temos, enfim, similitudes nas nossas vidas.

À época, conversei com a Diretoria a respeito das finalidades da ASMIR e chegamos à conclusão que um dos pontos a serem discutidos era a assistência médica que nos é oferecida pelos nossos fundos de saúde. Dessas conversas, agregadas a outras, como as entabuladas com a AMRAER – que congrega os Militares da Reserva da Aeronáutica, ou como as mantidas em reuniões com os comandantes militares locais (Marinha, Exército e Aeronáutica), surgiu a idéia de que fosse enviado ao Ministério da Defesa um ofício onde pedíamos a criação de um Hospital da Forças Armadas em Florianópolis e, enquanto não fosse concretizada essa possibilidade, que pudesse ser ampliada a quantidade de recursos existentes no Hospital de Guarnição do Exército-FL, dotando-o de mais profissionais médicos e modernos equipamentos.

Embora a cuidadosa elaboração do referido documento tenha requerido bastante trabalho e envolvido inúmeras discussões, enviamos àquela Autoridade o nosso Ofício 02/ASMIR/04, assim como remetemos uma cópia da correspondência ao Exmo. Sr. Presidente da República, de cujo Gabinete Pessoal recebemos resposta informando que já o haviam encaminhado ao Min. Viegas e cópias aos Comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.

Estamos fazendo a nossa parte. Não simplesmente informando aos altos escalões da República os nossos sofrimentos e angústias, mas oferecendo alternativas que, à nossa humilde ótica, podem ser usadas para a minimização dos problemas. Posso adiantar que o Diretor do SARAM (Aer.) também recebeu uma cópia do referido ofício e ofereceu-se para entregá-la em mãos ao Chefe da CPSSMEA, órgão do Ministério da Defesa encarregado do assunto, com as naturais e importantes sugestões e os adendos da Diretoria de Saúde da Aeronáutica. Sabemos que é um árduo e longo caminho, mas tivemos a ousadia de dar o primeiro passo. Em meu nome pessoal, encaminhei correspondências aos Exmos. Srs. Ten Brig Dieguez (SEFA) e Saito (EMAER) solicitando um possível acompanhamento dos processos advindos do nosso pedido. As respostas daquelas autoridades foram bastante encorajadoras.

Agradeço à Diretoria da ASMIR a receptividade e o patrocínio da idéia. Essa atitude demonstra, por si só, a seriedade com a qual a Associação é dirigida. Embora o universo de pessoas da Reserva, Reformados e Pensionistas (e seus familiares) que residem em Florianópolis seja infinitamente maior do que o número de sócios até hoje inscritos, o acesso aos benefícios virá para todos. Como contamos, em nosso meio, com cabeças altamente privilegiadas, a representatividade da ASMIR passará a ser muito mais significativa se pudermos contar com um número mais elevado de associados. A quantia a ser paga mensalmente é um valor irrisório, se considerarmos todas as benesses a serem conseguidas com a força que unidos teremos. Aquelas cabeças poderão ajudar-nos a conseguir outras coisas, como a instalação de um Colégio Militar em Florianópolis, a formar grupos de apoio psico-sociológicos, colocar em funcionamento um departamento de esportes, enfim, uma maior oferta de atividades para os nossos sócios, capazes de tornar a ASMIR, brevemente, num ponto de referência para um importante segmento da sociedade brasileira: o MILITAR DA RESERVA!...

ONDE VAMOS PARAR???

Pertenço a um ramo (etário e profissional) da sociedade onde inúmeros dos seus componentes já não têm paciência para acompanhar o noticiário cotidiano sobre o que anda acontecendo no Brasil desde a metade do ano de 2.005.

Com o recente escândalo envolvendo parlamentares brasileiros, partidos políticos e empresários dos mais diversos setores, pudemos tomar conhecimento de como acontecem as mais inimagináveis falcatruas com o dinheiro do povo. Falam de milhões como nós falamos dos nossos míseros reais. Para os componentes do meu nicho social, as cifras citadas nos depoimentos que chegam até nós são simplesmente astronômicas. Com a maior tranqüilidade, o maior desrespeito à população e o maior cinismo, mentem despudoradamente, transformam em algo legal muitas das coisas que a lei condena. Parece, acompanhando o desenrolar dos fatos, que anda sobrando dinheiro no Brasil. Não que se ocorresse a sobra a coisa fosse certa.

Por outro lado, acompanhamos o que anda acontecendo com o povo. Onde é que foi parar a esperança dos cidadãos que seriam o alvo do FOME ZERO? Onde diabos estão os 10 milhões de empregos prometidos? Todos os meus amigos andam sobressaltados com a ronda do desemprego sobre as cabeças dos seus filhos. Alguns jovens porque não têm trabalho, outros, que estão trabalhando, vivem a terrível possibilidade de perdê-lo. O quê foi feito da saúde, da educação, da segurança? Números mentirosos são apresentados todos os dias. As autoridades responsáveis por essas áreas deveriam, num ato à altura dos seus cargos, vir a público expor a real situação. Não é o que faria um chefe de família que estivesse passando por dificuldades financeiras, expondo a verdade aos seus?

Como militares, estamos atravessando uma situação delicada, com os baixos soldos, a inexistência de expectativa de melhora, a tentativa (de alguns setores da mídia) de colocar a todos os da classe em situação de deboche quando, na realidade, em TODAS as pesquisas realizadas, estamos sempre entre os primeiros lugares em credibilidade enquanto instituição.

Se fizermos um levantamento, reuniremos seguintes dados: em todas as ocasiões que antecederam as assinaturas de atos que pudessem minorar a nossa defasagem salarial, a imprensa sempre apareceu com um fato atingindo o militarismo. Foi assim com o problema da pretensa queima de documentos sigilosos na Base Aérea de Salvador, com a apresentação de falsas fotos de Vladmir Herzog, com a premiação de “vítimas” (com grossas indenizações, é claro) numa tentativa de dizer que estavam expiando as nossas “culpas”. Podem escrever: em julho do próximo ano – 2.006, quando, ao apagar das luzes (é sempre assim), estiver para ser assinada a recomposição de 10% (que deveria ter sido paga dentro dos 23% em março deste ano), vai aparecer outra história do fundo do baú. Falando em indenizações, procurem os jornalistas donos da verdade, perguntem como vivem hoje os bravos brasileiros que defenderam o Brasil na II Guerra. Eles não estiveram lá defendendo ideologias políticas (e será que seriam mesmo políticos os motivos dos guerrilheiros do pós-64???)?

Deixemos de hipocrisia. O quê é que melhorou para o povo com esse regime que se instalou depois da abertura ampla, geral e irrestrita? Seria apenas para tornar inimputáveis os ladrões que hoje utilizam os assentos nobres do Congresso Nacional? Não desejo a volta daquele período, pois os militares foram os mais prejudicados.

Mas é inegável que, se fosse naquele tempo, essa corja que aí está já teria sido defenestrada e punida.

Para gáudio do meu povo.

O SER MILITAR.

Os militares são seres especiais. Não vai, nessa afirmação, qualquer tentativa de querer ser melhor ou pior dos que os outros da sua espécie. Acontece que, para ser militar, o indivíduo tem que ser, no mínimo, diferente.

Começamos na carreira muito cedo. Descartando-se os estudos nos colégios militares e preparatórias, o ingresso acontece por volta dos 17 anos, quando mal se saiu da pré-adolescência.

Recém-saído do convívio familiar (qualquer que seja a sua origem, pois o ingresso se dá por meritocracia - onde tem valor apenas o mérito pessoal), este ser passa a integrar grupos onde, a partir desse momento, torna-se alvo das diversas atitudes concernentes à sua nova condição. Disciplina, respeito à hierarquia, pontualidade, cumprimento de ordens, “sprit-de-corps”, lhaneza, honradez, retidão de caráter, enfim, inumeráveis predicados lhe serão cobrados enquanto estiver ligado à caserna (e, por quê não, mesmo na reserva ou reformado).

Será obrigado, enquanto nela estiver, a portar-se de acordo com as regras que a Instituição que o abriga há de cobrar dele. Não existe o “não sei”, o “não posso”, o “não quero”. O que importa são as normas, os regulamentos, os deveres, as regras próprias da sua nova casa. A pessoa tem que se entregar de corpo e alma à sua nova vida.

Algumas mudanças, recentemente, tornaram um pouco menos rígida essa caminhada. Diferentemente de outros seres humanos, até para contrair núpcias era necessário solicitar permissão ao seu comandante. Outras regras, entretanto, continuam em vigor. Para deslocar-se de sua sede, precisa de autorização. A dedicação exclusiva à Instituição é exigida. Não se pode exercer funções fora do quartel, exceto em pouquíssimas oportunidades (área médica). Até o seu direito de opinião é relativo – é liberado (?) apenas quando passa para a inatividade.

Por essas e por outras inúmeras razões, o SER MILITAR é especial.

As decorrências daquelas obrigações fazem com que o indivíduo militar seja diferente da maioria dos outros componentes da sociedade onde vive. É identificado pela farda que ostenta. É, mesmo que tenha ingressado recentemente na vida militar, um representante da classe responsável pela “ditadura”. Seus atos, em virtude das obrigações e deveres próprios da caserna, parecem representar um direito concedido aos outros de chamá-lo de “quadrado”.

Esquecem-se, os circunstantes, de que ele/ela está ali com uma obrigação sublime. Em caso de necessidade, será o primeiro a ser convocado. Não caiamos na tola tentativa de acreditar que o país nunca vai precisar deles para um possível conflito que envolva a nossa Pátria. Porque, se tal acontecer, alguém terá que estar preparado para assumir os primeiros postos. E não adianta quererem me convencer de que, em tempos de paz, o militar tem que plantar batatas, pois amor à Pátria, disciplina, coragem, denodo, estratégias militares ou o afã de defesa do seu país, não se incute em nenhuma cabeça com dias ou semanas de treinamento. A continuidade e o treinamento são, sim, necessários. Já se disse que: “SE QUERES A PAZ, PREPARA-TE PARA A GUERRA”. Se a frase não fosse boa, não teria durado até os dias de hoje.

Assim é que, munido de um pensamento que considero correto e que carrego desde a minha juventude, sinto-me capaz de afirmar que somos seres especiais. Penso o mesmo dos meus familiares, pois devem ter sofrido, ao longo dos anos nos quais estive na ativa da Aeronáutica, com as minhas ausências e com as mudanças de sede ao longo da carreira.

Experimentem, aqueles que não são ou foram militares, levar a vida que levamos nos quartéis. Sintam o peso da bota ou da arma no ombro. Responsabilizem-se pelo quartel inteiro puxando um quarto-de-hora no Portão da Guarda, com frio, calor ou chuva. Testem a sua capacidade de absorção de todos os tipos de pressão: física, mental, emocional, financeira. Façam a experiência por um ano ou dois. Tentem passar pelo quê nós sempre passamos.

Depois, a gente conversa...

ÀS OUTRAS GERAÇÕES

Compareci recentemente a uma reunião social, quando tive a oportunidade de conhecer um professor universitário aposentado que, na ocasião, estava acompanhado de sua filha, cuja idade está por volta dos treze anos.

A jovem acompanhou parte da nossa conversa, demonstrando um singular interesse pelo que falávamos. Os assuntos, variados, iam das experiências que eu e o meu novo amigo tivemos a oportunidade de colher ao longo das respectivas jornadas, dos lugares que tivemos a oportunidade de conhecer, das especificidades de cada uma das carreiras, passando pela política e pelas dificuldades da vida atual.

Num dado momento, chamada a opinar sobre o assunto sobre o qual estávamos discorrendo, a menina demonstrou um razoável conhecimento para a sua pouca idade. De uma boa capacidade de absorção dos assuntos, teceu um ligeiro, mas pertinente, comentário sobre a política brasileira nos dias atuais.

A clareza com que esboçou a sua idéia permitiu-nos, ao pai dela e a mim, colocá-la na conversa. E a jovem, claro que com menor participação do que os dois adultos, não nos decepcionou em nenhum dos assuntos. O que me levou a tecer um comentário a respeito da geração da minha nova amiga.

Tenho, para mim, que essa geração terá meios e motivos para ser mais bem sucedida do que a minha. A velocidade na área da informação de que eles dispõem não era sequer sonhada por nós quando eu estava naquela fase da vida. Contam com a instantaneidade do rádio e da televisão, podem desfrutar de revistas e jornais ao alcance de uma família da classe “pretensamente” média (minha conversa com o pai da garota começou por este tema), operam a Internet com desenvoltura e têm, sem sombras de dúvidas, um poder de questionamento infinitamente maior do que os jovens de outras épocas.

Se tomarmos como exemplo o processo eleitoral brasileiro, sobretudo para o cargo mais importante do país – o de Presidente da República, certamente o mais atual alvo de qualquer reunião, esses jovens estão colecionando informações valiosas para quando chegar o momento de votar. Embora não tenham vivido a época dos governos militares, do Sarney e do Collor, são de inegável presença na mídia nacional as mais variadas opiniões sobre tais períodos. Ainda que na pré-adolescência, creio que puderam ter (os nossos jovens) o mais amplo conhecimento a respeito do que foi a eleição do atual governo. Estão reunindo, então, dados que irão influir na sua decisão na hora de votar. Verão que promessas de campanha (quase sempre sem possibilidade de cumprimento) e carisma não bastam para garantir um bom governo. Presenciam conversas com a família, onde as preocupações com a instabilidade (ou ela não está existindo?) envolve pais, mães e filhos.

Essas cotidianas avalanches de informação estão inundando a cabeça dos nossos jovens. Cabe a nós apenas ajudá-los a ordená-las. O seu poder de questionamento, antes aludido, é que vai possibilitar a cada um deles sua decisão sobre a escolha na hora do voto. Se não concordarem (observe-se que eles possuem um interminável número de informações coletadas), estarão em condições de contraporem idéias e analisarem candidato a candidato. Estarão certos e convictos na frente da urna eletrônica para digitarem a sua vontade única e exclusiva.

A colaboração que a minha geração presta a eles, então, é a de fornecer-lhes os meios de comunicação e orientá-los no ordenamento das informações colhidas. O quê não deixa de ser um motivo para rejubilar-me por ter podido oferecer essa alternativa.

E, assim, ter colaborado para a melhora do nosso Brasil.

UM EX-COMBATENTE

Doeu-me, muito, assistir a um bom filme (documentário) da série Curtas Catarinenses, que vai ao ar aos sábados pela RBS-TV. Como, por descuido, não acompanhei o início da obra, não tive a oportunidade de saber o nome da figura principal da trama.

O enredo girava em torno de um personagem que ainda faz parte do nosso cotidiano. É um senhor por volta dos 80 anos, residente no Ribeirão da Ilha, em Florianópolis-SC ainda orgulhoso dos seus feitos militares, já que participou da 2a. Guerra Mundial. A aparência que a idade hoje lhe empresta não impede que ostente, em seus traços cansados, a mesma pujança com a qual, um dia, viu-se na contingência de defender os ideais da Pátria.

Mas, na maior parte da película, o pracinha era triste. Em um pequeno e humilde quarto de sua casa, reúne as lembranças da sua vida. Fotos amareladas, dispostas pelas paredes e no espelho do guarda-roupa, compõem o seu passado. Olha, com mescla de saudade e de tristeza, o que restou do seu glorioso passado. Veste, todos os dias, a farda que o identifica como alguém que, um dia, cruzou um oceano para representar o Brasil. Conserva em muito bom estado e com devoção as peças daquela roupa. Todos os dias, depois de envergar o uniforme, segura com muito carinho o Pavilhão Nacional. No quintal da casa, num mastro improvisado, hasteia a nossa Bandeira, ao som do Hino Nacional Brasileiro. Essa atitude irrita alguns vizinhos. Ao perfilar-se diante da Bandeira no topo do mastro, presta a ela uma continência carregada de orgulho e respeito.

Nas ruas é reconhecido pelos transeuntes e causa as mais diversas reações: admirado por alguns, execrado por aqueles que o sabem responsável pela execução (numa pequena e antiga “vitrola”, onde está o disco de vinil) do nosso hino, é também ignorado por muitos dos passantes. Como se não fosse uma figura importante do nosso País. Infelizmente, faz parte de uma raça em extinção.

O quê será que está dentro daquela cabeça? O quê é que sente o nosso amigo quando toca, com respeito e carinho, a Bandeira Brasileira cuidadosamente dobrada? Será que ainda analisa a validade do que fez enquanto integrante da Força Expedicionária Brasileira? Para onde estão(amos) levando o Brasil que ele nos legou? Como será que vê os dias atuais? Será que se indaga a respeito do quanto recebeu de retribuição por sua memorável, apesar de curta, carreira militar?

Não quero tratar, aqui, dos motivos que o levaram, assim a como milhares de outros, à zona de guerra. Importa, sim, que quando convocado, ele representou nossa Nação em terras distantes e desconhecidas. Saiu daqui sem a certeza do regresso. Ofereceu a sua vida ao seu País.

Devemos a todos aqueles que participaram da campanha brasileira naquele conflito o mais profundo respeito. Tratá-los como verdadeiros patriotas é nossa obrigação. Faz-nos falta brasileiros desse jaez. Enquanto podemos contar com eles entre nós, façamos pelos mesmos o que fizeram pela Pátria. Entreguemos a essa gente, cuja imensa maioria vive modestamente das suas lembranças, o nosso agradecimento. Que os governantes olhem com mais justiça pelos nossos pracinhas. Não estamos fazendo nada mais do que a nossa obrigação. Afinal de contas eles ajudaram, no passado, a assegurar o nosso futuro. Eles merecem muito mais do que a simples aposição da Bandeira Brasileira sobre o seu esquife.

Aproveitemos a sua companhia e façamos com que sintam orgulho total, com as recompensas que verdadeiramente merecem. Suas vidas devem ser valorizadas. O exemplo que nos legam servirá de estímulo para se e quando tivermos que envergar, um dia, a farda igual àquela que ele todos os dias veste. Assim, o nosso povo terá a certeza de contar com verdadeiros BRASILEIROS que poderão lutar pelo nosso País.

A eles, minha admiração e a minha homenagem.

FALTA DE TEMPO

A mais esfarrapada das desculpas, quando queremos fugir da aceitação de um novo compromisso é a famigerada “falta de tempo”. Se bem observarmos, essa falta de tempo irá ocorrer porque aumentaremos em muito a importância de tarefas ou atividades vindouras, com a finalidade de escapar de uma nova “obrigação”. A cabeça do ser humano é, na verdade, uma verdadeira máquina para urdir as mais estranhas tramas de escapismo.

Se Você não quiser assumir um compromisso, o tempo gasto para ir ao supermercado (uma das suas possíveis justificativas) irá ser aumentado em muito. O salão de beleza que Você freqüenta é o mais demorado da cidade. Aquela passadinha na casa do seu parente (ou mesmo de um vizinho) é de vital importância e não pode ser adiado. A definição do horário do compromisso para o qual estão lhe convidando, então, é crucial para a sua recusa: não vai enfrentar o trânsito de jeito nenhum, o jogo do seu time é naquele horário, é hora do pique, enfim, não vai dar para sair naquela hora, de maneira nenhuma.

No entanto, quando a natureza desse novo evento nos atrai muito, sempre temos tempo de sobra, deixando para trás até coisas muito mais importantes. Remanejamos nossa agenda, transferimos para filhos, parentes ou vizinhos uma ou outra tarefa que pode nos privar dessa nova “obrigação”.

É, na realidade, muito desagradável essa atitude de recusar compromissos. A pessoa que o está convidando certamente obedeceu a um critério para escolher Você como alvo do convite. Alguém foi colocado para depois ou preterido numa lista da qual Você e esse outro alguém constavam. O desapontamento do seu amigo ou amiga que veio lhe fazer o convite é algo que poderá ir sendo colocado num reservatório de “recusas”. Mais cedo ou mais tarde irá acontecer uma oportunidade para a qual Você necessitaria ou gostaria de ser convidado, mas poderá estar, sem dúvidas, na relação daqueles que nunca aceitam convites para nada. Qual será a sua atitude, então? Vai humilhantemente pedir para comparecer? Ou vai colocar quem não lhe convidou numa “geladeira particular”?

A vida é feita de bons e maus compromissos. Ninguém sobrevive indo apenas a boas festas e ótimos encontros. Nem, é claro, comparecendo somente a reuniões chatas e monótonas. Para sabermos o que é realmente bom temos que, em uma ou outra ocasião, demonstrar boa vontade. Diz-se (não é mesmo?) que a vida (o casamento, a amizade, etc.) é feita de bons e maus momentos. Eu mesmo já andei me remoendo por dentro em determinados encontros (o que é que estou fazendo aqui?), com uma vontade louca de nunca mais entrar em outra “fria” como aquela. Garbosamente, entretanto, ficava rindo enquanto chorava por dentro. Mas é assim mesmo. Na próxima talvez tivesse que me perguntar: Pô”, como é que eu consegui ser convidado para essa maravilha de festa?”.

E, o pior de tudo é que, tanto eu quanto Você sabemos que a falta de tempo não existe!!! Nós somos os absolutos donos dos nossos compromissos. O quê talvez nos embaralhe um pouco é a nossa incapacidade de gerenciar a nossa agenda. O remanejamento de muitos compromissos (exceto em casos de doenças muito graves) é possível. Pegue, por exemplo, determinada época do ano. Alguns compromissos já estão agendados desde janeiro, mas basta surgir uma oportunidade melhor aos seus olhos para que Você dê um jeito. Mesmo tendo que, naquele dia, freqüentar os dois eventos.

Pode acontecer, também, que tendo recusado o convite, depois descubra que perdeu uma bela festa, uma ótima reunião. Comentários animados de que compareceu farão com que Você se remoa por dentro. E isso que o motivo alegado para não comparecer pode ter sido uma verdadeira desilusão.

BEM FEITO!!!

POR NÃO CONCORDAR

Existem coisas já rotineiras no nosso cotidiano com as quais nós, os brasileiros medianos, não podemos nem devemos concordar.

Grande parte da população brasileira situa-se no extrato social que dispõe de, no mínimo, acesso à imprensa escrita, falada e televisada. É de se supor, dessa maneira, que estejam em busca de um pouco de conhecimento que seja. Como em todas as partes do mundo, entretanto, as pessoas podem ser sugestionadas a adotar uma ou outra linha de procedimento, de acordo com a sua escolha do canal de informação. Não podemos ignorar que as grandes empresas do setor obedecem a uma linha editorial própria, nela se baseando para manter uma espécie de censura interna, quando se vêem na contingência de veicular notícias a respeito deste ou daquele assunto. Sua linha de ação atende, então, a interesses dos mais variados. Entre estes está, certamente e além de muitos outros, o interesse financeiro. Sempre ligado ao nível de audiência ou número de leitores.

Através dos nossos costumes e cultura o futebol alcançou um número de entusiastas que, por si só e em função disso, justificaria melhor tratamento por parte da imprensa. Não se trata, aqui, dos simples comentários veiculados através dos profissionais que são encarregados de fazer chegar ao público suas opiniões pessoais a respeito desta ou daquela partida, deste ou daquele jogador. Como sou adepto do direito de expressão, concordo que os mesmos têm a liberdade de comentar da maneira que analisarem, mesmo que não esteja de acordo com o meu ponto de vista.

Mas penso, sim, na sonegação de informações ao grande público, mascarada pela aquisição do direito de transmissão ao vivo dos eventos futebolísticos. Empresas compram esses direitos por cifras astronômicas e, à sua vontade, tornam-se donos da informação. Privam a população da notícia no momento em que está ocorrendo. Através de uma concessão, que é pública, calcada também no dever de bem informar, as poderosas redes avocam para si a exclusividade da notícia e, para não se afastarem da sua programação rotineira, de qualidade no mínimo discutível, negam a veiculação da mesma aos entusiastas do esporte. Nessa situação, o direito privado se sobrepõe ao direito público. O que torna esse procedimento, na pior das hipóteses, uma coisa não tão legal assim. Ou, pelo menos, com um certo grau de imoralidade.

Acredito que deve haver um dispositivo legal que impeça tal apoderamento de assunto de grande interesse popular. Se os clubes de futebol desejarem auferir grandes lucros com essas transmissões, que as vendam por preços mais ao alcance das outras emissoras. Essa sonegação de informações prejudica o povo em geral, tirando dele um das poucas distrações baratas que ainda lhe resta. Além de que poderiam afastá-los das ruas, tendo em vista a pouca segurança hoje reinante nas cidades.

Mas, e aí entra o sempre poderoso “mas”, o conformismo do brasileiro entra em cena. Mesmo nos sentindo prejudicados por um poder econômico, não nos mexemos para nada. Existem, sim, maneiras de buscarmos o nosso direito à informação. Poucos de nós sabem, por exemplo, que podemos propor matérias legislativas. Organizando-nos, podemos fazer chegar ao Congresso Nacional projetos que nos beneficiem, ao povo como um todo. Não temos porque ficarmos abaixando nossas cabeças, curvando-nos à vontade dos cartolas, dirigentes de clubes, Federações e Confederação e redes da Imprensa. Essas pessoas e entidades estão sendo colocadas acima dos direitos constitucionais da população.

Essa Constituição vigente, cujos preceitos não andam sendo atualmente muito respeitados, é o nosso poder maior. Por ser confusa como parece ser. Mas os nossos DIREITOS estão ali. Só nos falta por eles lutarmos.

Comecemos, então, pelo futebol. Essa maravilha que encanta o povo. E que leva, muito longe, a todos os rincões do planeta, a pujança da Brava Gente Brasileira.

ALEGRIA DE UNS, TRISTEZA DE OUTROS

Aconteceu, no último final de semana de novembro de 2.005, a penúltima rodada do Campeonato Brasileiro de futebol. As emissoras de televisão aproveitaram a segunda-feira imediata para mostrar o que de importante existiu entre os clubes que disputaram a competição. Das reportagens, destaco três.

Uma delas mostrava a equipe do Figueirense retornando a Florianópolis, depois de conseguir, em Brasília, evitar sua queda para a Série B do campeonato. A torcida lotava as dependências do aeroporto local, abraçando entusiasmadamente os atletas que desembarcavam. Parecia-me que estavam comemorando a conquista de um título.

Ora, não vi motivos para tamanha euforia. Estavam embriagados apenas com o fato de permanecerem na Série A. Contentaram-se com pouco. Será que a atitude da torcida não delega aos jogadores a possibilidade de pensar que basta isso? Já tivemos campeões da mesma competição radicadas em outros centros também considerados menores. Para que haja um crescimento do futebol local, as equipes de Santa Catarina precisam almejar objetivos maiores. Parafraseando quem denominou de “baixo clero” políticos formadores de um grupo que nunca tem expressão nas casas legislativas, não se chega a nenhum título nacional fazendo parte do “baixo clero” do futebol. Não há que se contentar com pouco. Para crescer, o futebol local precisa urgentemente buscar a mesma oportunidade que outras equipes ditas pequenas conseguiram. Acostumar-se a ser sempre um figurante não leva ninguém ao sucesso.

Outra reportagem, ainda mais marcante, mostrava os jogadores do Atlético Mineiro em desatadas lágrimas. O jogo terminou empatado e o clube estava definitivamente rebaixado. A vergonha que sentiam era flagrante. Nas arquibancadas lotadas, os torcedores entoavam o hino do clube, como que em solidariedade aos atletas.

Pergunto: por quê essa vergonha não aconteceu bem no começo do campeonato? As vaidades pessoais, em muitos momentos da competição, não foram colocadas acima da tradição do clube? Será que os jogadores não fizeram, no decorrer de todas as partidas anteriores, a opção do individual em detrimento do coletivo? Existiu, durante os meses da disputa, o verdadeiro espírito de equipe?

A que mais marcou, no entanto, foi a atitude do quarto árbitro na partida entre Santos e Botafogo. Durante o desenrolar da mesma, o juiz Romildo Correa tirou a camisa da CBF e abandonou o campo de jogo, jogando aquela peça de roupa no gramado. Por baixo, o mesmo vestia uma camiseta branca onde estavam escritas suas reclamações contra a CBF e a Federação Paulista de Futebol.

A isso chegamos. Uns contentes com tão pouco, outros envergonhados por não terem feito bem o trabalho para o qual são (na maioria das vezes) bem pagos e o outro desconsiderando a presença de milhares de pessoas que ali estavam para apreciar um trabalho (espetáculo?) no qual ele estava inserido.

Para estes destinos episódicos o nosso país está caminhando.

O povo se contenta com as migalhas com que é aquinhoado. As notícias que fazem chegar até nós nos dão conta de que está tudo às mil maravilhas. Nas nossas barbas nos contam de uma realidade que não existe. Resta-nos aplaudir?

Os atuais e eventuais ocupantes do poder apresentam desculpas para falhas que possam estar (e estão) acontecendo. Será que vamos ficar eternamente nas arquibancadas, como meros espectadores pretensamente privilegiados? Devemos cantar hinos para derrotados? E, ao final, pensar que tudo, mas tudo mesmo, foi feito para evitar o fracasso?

Eu, particularmente, não quero ser apenas um daqueles inertes componentes da multidão que, boquiabertos, assistem ao abandono do campo de jogo. Se Você foi instado a participar de uma partida, vá até o fim. Corresponda à confiança que em Você depositaram. E FAÇA BEM o seu serviço.

O PODER DO ABRAÇO

Estando em outro país e tendo acesso a informações sobre as principais características do seu povo, pude sabe-lo “individualista”. O conhecimento dessa particularidade deixou-me curioso a respeito dos motivos que estão levando as pessoas a isolarem-se umas das outras, além das conseqüências de tal atitude.

A ascendência do ter sobre o ser, a quase que obrigatoriedade de sobressair-se pela aparência, a importância de um grande saldo bancário, o automóvel último tipo e a roupa da moda fazem com que as pessoas vivam na sua redoma particular, presas apenas das suas vontades e das suas aspirações. Pode parecer incrível, mas até nas danças modernas as pessoas se isolam. É extremamente difícil vermos pares dançando abraçados. Tornou-se, como diriam alguns, meio “démodé”, quadrado.

A intimidade gerada por um abraço, mais do que ser sensual ou sexual, transmite conforto, segurança, afeto, carinho, respeito. Preenche as necessidades de quem é abraçado e permite, a quem teve a iniciativa do gesto, demonstrar ser capaz de transmitir sua generosidade. Desde que descarregado de outras intenções, o simples enlaçar com os braços é uma atitude poderosa. Transmite-se, através dele, inclusive o respeito para com a outra pessoa.

Tomemos, como exemplo, a forma de apresentar sentimentos a quem passa pelo difícil momento da perda de um ser querido. Quaisquer que sejam as palavras escolhidas para confortar essa pessoa poderão ser, no mínimo, inócuas, sem o verdadeiro sentido do que deveriam exprimir. Já o abraço forte demonstra o apoio, o conforto e a segurança oferecidos. Aquele que é abraçado pode confiar na força que lhe é transmitida, a confiança que lhe está sendo destinada.

Quando estamos nos sentindo sozinhos, meio que tristes ou com o horizonte fora de foco, um abraço é o melhor dos remédios. Faz-nos sentir queridos, alvos da atenção que necessitamos. As palavras, nessas horas, talvez não signifiquem muito. O poderoso afeto que nos é destinado tem a força de erguer-nos do fosso e parece muito grande, maior do que a mais alta montanha. O ombro que nos recebe é sempre capaz de nos animar de nos trazer de volta aos bons momentos da vida.

As crianças, por exemplo, na sua natural dificuldade para se expressarem através de palavras, demonstram todo o seu carinho com longos e apertados abraços. Chegam a ranger os dentes com a finalidade de nos mostrar a força do seu sentimento. É uma das mais reais provas de sentimento puro, de vontade de gritar sua demonstração de carinho.

Abraços de boas-vindas podem ser a prova de que a sua falta foi realmente sentida. Parecem querer dizer que o seu lugar, durante a sua ausência, foi ferrenhamente guardado. Quem permaneceu aguardando o seu regresso, qualquer que tenha sido o motivo da sua ida, precisava de Você ao lado, tendo compreendido bem o motivo que o tenha privado da sua presença. Está verdadeiramente feliz com a sua volta.

Ah!, e os abraços de amor... Não existe quem a eles resista. Conseguem dizer o que as palavras jamais conseguiriam. Nem os olhos abertos se lhes resistem. Vencidos, semicerram-se. A gana (a boa gana) se transforma em dedos crispados. Os rostos parecem querer invadir um ao outro. Acontece uma verdadeira fusão de corpos e almas. É uma das mais expressivas formas de demonstração de amor. Dois seres que se amam se completam nesses momentos. É o céu e a terra juntos. Existe, ali, a prova da divindade nos seres humanos, a sublime parte de ambos.

Assim é que, diante do que consegui dizer, gosto de continuar com os meus princípios de integração/interação. Preciso de outro(s) ser(es) humano(s) ao meu lado.

Para abraçar e/ou ser abraçado...

ELOCUBRANDO ACERCA DA MORTE

Ali por volta dos meus doze anos, numa bela tarde ensolarada, encontrava-me em uma plantação de abacaxis, juntamente com o filho do dono da mesma, saboreando um daqueles inigualáveis frutos. As conversas próprias daquela idade fluíam naturalmente.

Entregues à gostosa atividade, passamos a observar as evoluções de um pequeno avião (teco-teco) sobre uma fazenda próxima. Sabíamos que a aeronave pertencia ao Aeroclube de Lagoa Santa e conhecíamos quase todos os instrutores e alunos da escola de pilotagem do mesmo. A fazenda pertencia à família da namorada de um dos tripulantes e eles estavam executando acrobacias para o pessoal do lugar.

Em determinado momento vimos o avião efetuar uma descida bem rápida e, inutilmente, esperamos a manobra de recuperação de altura. Como isso não aconteceu, concluímos que deveria ter acontecido um acidente e saímos, em desabalada corrida, para o local onde tínhamos visto a aeronave pela última vez.

Fomos os primeiros a chegar ao local e deparamos com uma dantesca cena que até hoje povoa os meus pensamentos. Conhecíamos o Guido e o Luiz, ambos pilotos com regular experiência, que tinham morrido na queda. Não acho que seja necessário entrar em detalhes sobre o estado dos corpos. Apenas digo que a visão fez com que eu não dormisse por três dias seguidos. Esse precoce e chocante contato com a morte deixou em mim indeléveis marcas. Décadas se passaram antes que eu me dispusesse a ver novamente uma pessoa morta. A partir daquela data não entrei, nunca mais, em um recinto onde estivesse sendo velado um corpo.

Mas, ao mesmo tempo, aquele acontecimento fez com que eu, apesar da pouca idade, começasse a refletir acerca da morte. Internamente comecei a estabelecer alguns conceitos que perduram até hoje. Podem não ser os corretos para a maioria, mas funciona muito bem comigo.

Além de considerar morte uma coisa muito natural, chego a pensar que, quando acontecer comigo (acredito ser em uma data ainda longínqua), apenas a família e as pessoas que me conhecem darão importância ao fato. Para a grande maioria do bairro, da cidade, do estado, do país e do planeta, nem a notícia chegará. Concluo daí que pouco (ou a poucos) irá interessar o meu desaparecimento. A vida continuará igual para todo mundo. Não farei, então, a menor falta.

Pensando no meu caso, apenas me causa um certo desapontamento a idéia de que ficarão na terra muitas coisas das quais gosto. Tenho certeza de que, enquanto estiver no pensamento daqueles que gostam de mim, deixarei algumas lembranças boas. Serve-me, essa constatação, de consolo para justificar minha passagem entre eles. Mas as coisas das quais gosto ainda hão de ser admiradas por outras pessoas. Essa idéia passou pela minha cabeça enquanto eu assistia a uma apresentação, ao vivo, da cantora Mercedes Soza. O poder de comunicação que aquela artista possui é, para mim, a mais pura expressão de arte, a verdadeira arte. Talvez eu a admire, também, por exprimir muitas das coisas/causas que combinam com o que penso. Mas, como não sou absolutamente dono das coisas das quais gosto, também suas músicas não irão se importar com a minha ausência.

Uma das desculpas que emprego para justificar a minha decisão de não ver pessoas mortas é que eu prefiro me lembrar das pessoas em vida, em ocasiões que deixaram boas recordações. Não descarto a idéia de que já tenham morrido, apenas me é mais agradável lembrar-me delas em boas passagens que juntos desfrutamos.

Muitos amigos estranham, por isso, a minha compulsão por freqüentar velórios, sem dar-me ao trabalho(?) de ver o morto. É que eu acredito que posso ser mais útil oferecendo apoio presencial, estando pronto para qualquer necessidade que a família venha ter. Muito carregados de fortes emoções, os familiares podem precisar de uma pessoa para execução de tarefas nas quais o seu estado emocional possa prejudicar suas ações.

Caminho, assim, despreocupado com a morte. Ela é inevitável e nada, mas nada mesmo, impedirá que aconteça algum dia. Com as outras pessoas ou comigo.

Mas espero, no meu caso, repito, que seja num dia ainda muito distante.

ALGUMAS MANEIRAS DE SE VER O MILITAR

Os militares, de uma maneira geral, formam uma casta à parte dentro da sociedade. Desde cedo, seja através dos colégios militares, das escolas preparatórias, das escolas de formação ou das academias, estão sujeitos a regras próprias, principalmente no que tange à disciplina. Sabem, desde tenras idades, o que é ficar detido ou preso. O castigo, na vida militar tem, sim, natureza somente educativa.

Essas particularidades dão margem a que pessoas de diferentes tipos de relacionamento com os mesmos os vejam de maneiras distintas. Senão, analisemos como vêem o militar:

MÃE – Vejam, não é lindinho todo fardado?

PAI – Finalmente agora esse cara vai tomar jeito de homem.

NAMORADA – Esse é o meu herói. Agora só falta estar montando um cavalo branco.

IRMÃO MAIS VELHO – Agora, pelo menos, não vai mais encher o saco dos velhos.

IRMÃO MAIS NOVO – Legal, vou ficar com o quarto só pra mim e com as coisas dele.

AMIGO – Pô, o fulano vai fazer muita falta nas baladas.

AMIGO URSO – Agora que ele foi pro quartel vai sobrar mulher nas paradas por aqui.

INIMIGO – Esse babaquinha chato já foi tarde, graças a Deus.

CONHECIDO – Como é que esse cara conseguiu ser militar? Deve ser peixe de alguém.

MENINAS DA TURMA – Ele vai, esquece a fulana e, na volta, fica comigo.

PROFESSORA – Essa jóia foi meu aluno. É um rapaz de bem. Muito estudioso.

BOM COLEGA DE QUARTEL – Oba, mais um pra somar.

MAU COLEGA DE QUARTEL – Pô, mais um concorrente pra promoção.

COLEGA DE QUARTEL – Legal, mais um pra escala de serviço.

COLEGA QUE TEM CARRO – Mais um pra rachar a gasolina.

COLEGA QUE TEM QUARTO ALUGADO – Mais um pra rachar o aluguel.

TAIFEIRO DO RANCHO – Ele deve estar pensando que vai ter aquela comidinha caseira...

TAIFEIRO DA BARBEARIA – Logo, logo, vou desbastar aquela cabeleira.

COMANDANTE DA GUARDA – Será que ele é daqueles que voltam tarde da rua?

CHEFE IMEDIATO – Será que vai dar muito trabalho ensinar as tarefas para ele?

COMANDANTE – Vou apostar nesse garoto. Vai ser um bom militar.

MENINAS DA NOVA CIDADE – Oba, sangue novo. Ele não é fofinho?

PAIS DAS MENINAS DA NOVA CIDADE – Pronto, lá se vai a minha filha.

MÃES DAS MENINAS DA NOVA CIDADE – Além de bom partido, até que é bonitinho.

AMIGAS DAS MÃES DAS MENINAS DA NOVA CIDADE – Será que é de boa família?

MENINOS DA NOVA CIDADE – Chegou mais um concorrente pra tomar minhas gatas.

CAPELÃO – Mais uma ovelha pro meu rebanho.

DONO DE UM BOTECO – Será que ele bebe?

DONO DE LUPANAR – Esse tem cara de quem vai gastar muita grana aqui.

“FUNCIONÁRIA” DO LUPANAR – Será que esse aí vai querer me tirar dessa vida?

ELE VISTO POR ELE MESMO – Agora estou com tudo. Longe das vistas do meu velho, sem os cuidados da minha mãe, não tendo que aturar meu irmão mandão e o outro que queria sempre sair comigo, livre do grude da minha namorada, não tendo que arrastar amigos para onde quer que fosse, com novos companheiros para farras, com um chefe que rapidamente vai me entender, com um comandante gente boa, uma unidade legal, mulheres novas para todos os lados (já que os babacas daqui não pegam ninguém), pais das meninas querendo casar as filhas, muitas “casas” com ótimas mulheres.

Viva a liberdade.

Esse papo merece seguimento. Mais tarde volto pra falar da impressão causada aos outros quando ele estiver indo para a Reserva.

AOS QUE VIRÃO DEPOIS DE MIM

Por uma dessas coisas de destino, nasci na primeira metade do século passado. Esse acaso fez com que eu pudesse viver coisas que hoje fazem parte apenas da história. Minha ou de uma maneira geral. Fui, dessa maneira, testemunha de coisas que hoje apenas se ouve dizer. Para ilustrar, por exemplo, tenho foto minha tirada em frente às torres do World Trade Center – hoje ninguém mais consegue isso. Tenho uma foto com o Papa João Paulo II. Freqüentei bailes com a Orquestra de Severino Araújo com o mesmo à frente e assisti a shows de Ray Coniff. Tive a oportunidade de conhecer pessoalmente um dos expoentes da música nacional, Lupicínio Rodrigues. Na Escola de Especialistas (sou da 141a. Turma) não dispúnhamos ainda de nutricionistas e outras boas “novidades” que hoje lá encontramos.

Pode parecer meio nostálgico, mas a minha vida foi feita de inúmeros bons momentos como os listados acima. Se tive maus momentos, soube atravessá-los e hoje encontro-me aqui, disposto a passar para os mais jovens o que a minha experiência de vida me legou. Não digo a ninguém como proceder (nem aos meus filhos e netos). Apenas lhes conto como foi a minha vida e cabe a eles decidirem sobre a sua.

Mas é assim mesmo. Quando encontramos uma pedra arredondada no leito de um rio, nós não notamos que ela ganhou aquela forma porque percorreu o mesmo caminho que outras pedras, que estavam ali há mais tempo. Quando passamos por uma boa estrada asfaltada, não pensamos que, em tempos longínquos ela foi percorrida a pé por alguém, que talvez tenha machucado os pés enquanto andava, procurando o melhor caminho. Quando singramos os ares hoje, em curtíssimo espaço de tempo, não podemos nos esquecer de quem inventou a máquina de voar. Quando esfriamos o leite da mamadeira dos nossos filhos, deixamos de pensar que esse simples gesto veio da nossa mãe, do nosso pai, para conosco mesmos. Quando choramos hoje durante a despedida de um filho que vai tentar a vida, por acaso nos esquecemos de que já fizemos o mesmo com os nossos pais? No caso dos militares, quando encontramos um jovem recém-chegado à caserna, não temos a obrigação de nos lembrar dos nossos primeiros chefes?

Quantas vezes nós mesmos fomos tentados a discordar de algo que nos estava sendo passado por pessoas que fizeram o mesmo caminho antes da gente? Respeitamos o fato de que eles passaram pelo mesmo problema em outras épocas, com menos recursos e alternativas? Será que somos capazes de vislumbrar que, algum dia, lá na frente, estaremos no lugar de quem hoje é o alvo das nossas críticas (muitas das vezes estouvadamente infundadas)? Estamos apenas, no momento, sendo um pouco egoístas e centralizadores da necessidade de atenção? Será que sou capaz de pensar, por um momento que seja, que posso estar errado?

Olha, meus amigos, o meu falecido pai estaria hoje com 94 anos se vivo fosse. Com todas as agruras pelas quais passou na vida, eu sei que a experiência que poderia me transmitir se vivo fosse, valeria muito mais do que qualquer meio de comunicação tentasse passar para mim. As oportunidades que a vida me deu, conforme disse no primeiro parágrafo, não foram dadas a ele. Talvez pela época na qual viveu. Mesmo sem essas oportunidades, ele sempre soube muito mais do que eu. Esquecemo-nos, às vezes, de reconhecer que estamos nessa vida porque alguém, mais velho do que a gente, colocou-nos aqui. Devemos, em memória deles, respeitar quem foi da sua época. Principalmente em não conhecendo profundamente o interlocutor. É o mínimo que devemos aos nossos pais.

De mais a mais, não podemos ter a ousadia de pensar que sabemos tudo. Até mesmo quem vive próximo a cada um de nós pode estar sendo prejudicado por essa atitude de complexo de superioridade. Antes de lançarmos farpas, vejamos como é que anda a nossa vida. Observemos se os nossos circunstantes estão satisfeitos conosco. Será que estamos perfeitamente encaixados no nosso meio? E, em fazendo essa auto-análise, devemos nos perguntar: ESTAMOS SENDO JUSTOS???

É, meus amigos, é muito difícil olhar para os nossos próprios pés enquanto os olhos estão na parte mais alta do nosso corpo, como se fossem feitos para fitar apenas o horizonte (ou o NADA?). Antes de contestar, reflita. Pense, por exemplo, o que é que o seu velho pai faria. Boa sorte!

CEGOS EM TIROTEIO

Uma das instituições, em quase todos os países, que mais respeita tradições, é o militarismo. Seus heróis são sempre cultuados, as sólidas construções das instalações dos quartéis seguem um determinado padrão, poucas mudanças se verificam na composição das fardas, seus gestos de saudação pouca ou nenhuma alteração sofreram e, se quiséssemos enumerar todas as tradições cultuadas, teríamos que dispor de muito tempo.

Por esse apego ao passado, não que ele seja desprezível ou ultrapassado, é muito difícil para o homem ou mulher, enquanto militar, adequar-se rapidamente a possíveis mudanças. Embora seja de sua índole respeitar tais transformações, não raro enfrenta uma boa dose de conflito interno até a sua completa compreensão e aceitação do fato. Pensa-se, quase sempre, que essa nova situação sempre traz, embutida no ato que a legalizou, alguma outra intenção. Por seu apego às tradições, intimamente desconfia da nova situação proposta.

Mas tenho que reconhecer que, sem a menor sombra de dúvidas, algumas mudanças trazem benefícios que representam consideráveis avanços. Se tomarmos como exemplo a liberdade de expressão (notadamente para os inativos), não temos como negar que as portas foram abertas a uma nova fase, que nos autoriza a atuar enquanto membros da sociedade como um todo. Nossas opiniões, antes cerceadas, em respeito aos regulamentos que as faziam prisioneiras apenas do nosso intelecto (ou a pequeníssimos e restritos círculos de amizade), têm hoje autorização para que se tornem conhecidas de muita gente. É também inegável que isso pode representar um problema para os comandantes, mas gosto de citar que: “posso não concordar com o que dizes, mas morrerei defendendo o teu direito de dizê-lo”. Sabemos que muitas inconseqüências virão à tona mas, enfim, até de tolos a sociedade está composta. Pode ser, por exemplo, que eu esteja aqui expressando a minha sandice, mas pelo menos estou expondo o meu ponto de vista. Que pode, por outro lado, ser de alguma valia para alguém.

E assim é que, nos dias de hoje, muitos militares expressam sua opinião em meios de comunicação. Embora como que perdidos com as possibilidades da nova conquista, o próprio meio que tem acesso às suas idéias se encarrega de adotá-las ou rechaçá-las. Como “cegos em tiroteio” eles vão, também, aprendendo a se colocar no meio dos grupos que freqüentam. A sociedade não é burra. Pode até ser que os incautos novos “pensadores” se vejam relegados ao descaso quanto ao que expressam, mas poderão dessa sociedade fazer parte como alguns dos outros tolos que, como exceção à regra, a componham. Ou eles os adotam (e com isso têm a oportunidade de crescer) ou são aceitos apenas para fazerem número.

Por essa razão há que se pensar, sempre, em medir muito bem o que vai ser dito. Não custa analisar o contexto onde vai ser lançada a sua idéia ou opinião. Não se pode presumir somente o que é que vai ser absorvido do conteúdo das suas palavras, mas o ambiente, o assunto que está sendo discutido, a finalidade da conversa, o público-alvo, tudo tem que ser levado em conta. Assuma a responsabilidade do que dirá. Esteja certo do que vai dizer, embase a sua linha de raciocínio. Seja capaz de sustentar, com argumentos, o assunto sobre o qual discorrerá. Com essas atitudes, Você será ouvido e, por quê não, admirado pela sua mostra de conhecimento.

Fale!!! Demonstre a sua visão sobre a finalidade do que está acontecendo. Seja parte do grupo e mostre que pode pertencer a ele. A sua colaboração é indispensável enquanto membro de uma classe. Atue!!! Disponha-se a auxiliar àqueles que precisam do seu pensamento. Lógico é que o parágrafo anterior pode (e deve) ser observado.

O que Você jamais pode deixar que façam consigo é que o tachem de omisso. Não vá se isolar num canto de sala e deixar que sua pequenez aumente.

Todos nós precisamos de Você.

ENGANADORAS

Peço àquelas que, apressadamente, tiram conclusões do que lêem, que cheguem ao final antes de esbravejar.

Continuando a valer-me de notícias ou comentários recebidos através da televisão, vou tentar discorrer sobre um assunto que, conforme pedi acima, tem que ser lido na sua totalidade, a fim de que nenhuma das duas pontas deste nosso encontro saia prejudicada.

Em um dos blocos do programa Tudo a Ver, da TV Record, uma apresentador, discorrendo sobre a fabricação de soutiens, apresentou um modelo daquela peça de roupa feminina dizendo-a símbolo da liberação das mulheres, já que o uso daquela parte do seu vestuário a ele eram obrigadas pelos homens. Eu, particularmente, discordo. Acho que o soutien (aquilo que sustenta) tem lá suas razões de ser, sejam de natureza estética ou funcional. Daí a obrigar a uma mulher a usá-lo ou não, é outra conversa.

Aliás, essa justificativa de que as mulheres fazem tudo com a simples finalidade de atingir-motivar-impressionar-conquistar os homens precisa ser revista. Desde muito jovens elas já se preocupam com a alteração da sua aparência. A sua altura é modificada por impressionantes saltos de sapato. Acredito ser um tormento passar o tempo todo se equilibrando para ostentar uma altura que não têm – tomei consciência disso ao perguntar a uma amiga de trabalho qual o motivo daquele quilométrico bico-fino do sapato que estava usando. Tenho uma imensa dó daqueles dedos. Mas dizem que, assim, ficam mais elegantes para os homens quando, na verdade, querem ficar o mais possível parecidas (ou não tão distantes) com as outras mulheres.

Esmaltes e maquiagem são outras “armas” usadas. Colorem, SEMPRE, seus rostos e unhas. Não importa o tempo que levem nessa “operação” para modificar sua aparência original. Sem, para tanto, consultar seu namorado/noivo/marido/amante. Modificam-se para mostrar às amigas-inimigas que também são bonitas e atualizadas. As novidades do mercado provocam, quase sempre, uma corrida ao comércio para serem as primeiras a usá-las. E não importa o quanto vão gastar. Para, no final da noite, quando realmente vai ficar sozinha com o seu acompanhante, remover tudo. E comentar sobre como as outras estavam mal maquiadas.

Enganam, também, à frente do seu guarda-roupas. Enquanto o acompanhante com seus três ou quatro ternos à disposição desvencilha-se da tarefa em poucos minutos, ela gasta horas pensando no que vai usar, para chegar à triste conclusão de que não sabe o que vai vestir, que não tem uma roupa adequada para o evento. É sempre a mesma rotina. Pensa no que usará fulana, como estará vestida cicrana e por aí afora. O pobre pretenso alvo daquela atenção, o paciente e inconformado acompanhante, tem que ir se servindo de algumas doses do seu uisquinho para agüentar a indefectível decisão da sua amada.

Creio que seria muito difícil para elas pertencerem a uma tribo indígena, já que trocam a cor do cabelo inúmeras vezes durante a vida. Ora louras, ora morenas, resta ao pobre diabo que as acompanha iludir-se com a reles sensação de que, a cada vez, está com uma mulher diferente.

O título do artigo pode sugerir que as estou diminuindo, que tenho algum desprezo por assim agirem. Ledo engano. Tenho apenas a vontade de que sejam autênticas, de que sejam como realmente são e nós as queremos de qualquer maneira. Sabemos, no final da conversa, que nós as conhecemos. Sem as vaidades que as transformem em outras mulheres.

Até porque, se elas realmente quisessem se tornar bonitas para nós, deveriam perguntar como é que queríamos que elas estivessem. E, na maioria das vezes, estamos de olhos fechados para dizer o quanto as amamos.

Muito...

DO OUTRO LADO DO RIO (numa alusão ao filme sobre Che Guevara)

Democraticamente, fui assistir hoje, 02/06/2007, ao filme HÉRCULES 56 (sic), durante mostra do Festival Audiovisual Mercosul de Florianópolis, ora em desenvolvimento no Centro Integrado de Cultura – CIC. Após a exibição, aconteceu um debate que, após, comento.

Tema do filme: a soltura de prisioneiros da “ditadura”, que foram trocados pela libertação do Embaixador dos EUA Charles Burke Elbrick, em 1969. O diretor do filme, Sílvio Da-Rin, explicou, antes da exibição, que se tratava de um documentário estritamente sobre o fato em si. Disse que, embora registrasse um fato do passado, a sua intenção era mostrá-lo como um dos ensinamentos para o presente (ensinar para que?).

Os nove prisioneiros sobreviventes (entre eles José Dirceu) foram entrevistados no filme, além dos “cabeças” que bolaram o seqüestro (entre estes o Ministro Franklin Martins, atual chefe da SECOM da Presidência da República). Disse o Ministro que o seqüestro aconteceu fortuitamente, por causa de um comentário durante um “papo” dentro de um carro entre eles e outros “militantes”, quando alguém comentou que, por aquela determinada rua passava, sempre, o Embaixador. Até aquele momento não se pensava em obter, com o seqüestro, a troca pelos prisioneiros. Em blocos, alternavam-se os depoimentos dos responsáveis pela ação, dos “militantes” presos – na época do seqüestro e nos dias atuais.

No escuro do cinema eu sorri silenciosamente por muitas vezes, seja pelo desconhecimento do Diretor ou dos entrevistados no filme a respeito do que realmente aconteceu “do outro lado”. Nos meus 36 anos de FAB e mais 10 na Reserva, nunca ouvi a referência a uma determinada aeronave como Hércules 56. O correto, pelo que sei, seria FAB 2456. Um dos prisioneiros disse que foi buscado em Belo Horizonte, onde estava preso, por um jatinho Gloster Meteor, muito confortável, que o levou para o Rio, onde embarcou no Hércules – a escolta dele foi nas asas do Gloster?. Deve ter sido, no mínimo, num HS-122 que o tenham resgatado. Postos e graduações foram objeto de inúmeras confusões durante os relatos.

Reconheceram, TODOS, o equívoco da operação. Diversas contradições foram captadas durante os relatos. Além disso afirmaram, peremptoriamente, que matariam o Embaixador caso o plano não surtisse efeito – frase dita pelo Ministro e por dois ou três “militantes” e, um deles, ao ser indagado por um oficial se ele mataria mesmo o Embaixador disse que “cumpria ordens” (mas isso não é desculpa de militares?). Chamaram, o seqüestro, de “captura” do Embaixador. As assaltos de bancos, referiram-se como sendo “expropriação do dinheiro” dos bancos que o haviam tomado dos trabalhadores. Disseram, várias vezes, que não existia uma unidade de pensamento. Risível, o documentário como um todo.

Após a exibição, passamos para uma outra sala, onde ocorreu o debate. O local estava lotado de “militantes”, professores universitários e estudantes. Nessa hora o Diretor do filme declarou ser antigo participante do MR-8, assim como o professor que iria acompanhá-lo no debate. Depois de algumas explanações de ambos e de duas ou três perguntas da platéia, pedi a palavra, identifiquei-me (nome completo e condição de militar da reserva) e disse que o que ocorria comigo era uma injustiça, pois a história do lado deles é contada cotidianamente, enquanto que a do meu lado nunca é trazida ao público. Fui interrompido por um ou dois integrantes do PCdoB que disseram que os documentos da época estavam lacrados em cofres. Disse-lhes que a chave do cofre não estava comigo e que fossem convencer ao guardião atual da mesma para que o abrisse. Não fui maltratado, embora fosse uma reles e simples andorinha naquele meio. Seus argumentos duravam duas ou três meias-frases. O Diretor sugeriu-me que escrevesse o meu lado da história e procurasse alguém para produzir o filme.

Uma coisa, entretanto, chamou a minha atenção: as coisas não estão, à ótica deles, como deveriam estar. O descontentamento com o atual estado de coisas é unânime. Um jornalista presente perguntou aos dois debatedores (o Diretor e o Professor) como é que encaravam a seqüência da vida de José Dirceu (um dos prisioneiros libertados) e os dois, em uníssono e apenas, disseram que o mesmo continua, nos dias atuais, um excelente militante político.

Outro detalhe digno de nota é a atual situação econômica dos nove prisioneiros sobreviventes. TODOS estão muito bem de vida. Dos seis mortos, apenas um não teve como causa-mortis (pelo que estava descrito) a “morte sob tortura”.

Mas, se alguém viesse me questionar se eu trocaria a minha vida pós-64 pela de algum deles, em memória dos meus pais e da minha família, receberia, como receberá, um sonoro e definitivo NÃO como resposta.

Petrocchi

NEGATIVO! ISSO EU NÃO FAÇO, TENENTE...

O Discovery Channel está apresentando uma série de episódios contando os bastidores das guerras nas quais os EEUU se envolveram ultimamente. Num deles, um jovem soldado americano, durante a guerra do Iraque e sendo descendente de família de origem árabe, falando corretamente a língua local, era o encarregado de realizar serviços de tradução durante o interrogatório de prisioneiros ou mesmo de pessoas comuns durante as seções de inquirição. Na oportunidade na qual um pai está buscando socorro emergencial para o filho pequeno, ferido “acidentalmente” num ataque militar, recebe a ordem de informar ao senhor que a criança não seria atendida pelos médicos americanos. O soldado diz ao seu superior, um tenente, que não irá traduzir tal ordem e se justifica dizendo que esse não era o procedimento humanitariamente correto. Ameaças de punição não o demoveram da recusa e ele disse ao oficial que, se quisesse, o coronel comandante que fosse fazer a tradução. Alertou ao tenente que os motivos que os levaram (os americanos) ao Iraque não poderiam ser alegados para que tal recusa acontecesse.

Em outra parte do mesmo documentário, um soldado (este um legítimo yankee) que havia recentemente regressado aos EEUU deu seu depoimento a respeito da guerra da qual havia participado. Não deixa de ser uma contundente verdade o que revelou. Ele disse que a fábrica do Hércules no qual ele tinha regressado ao país tinha ganhado muito dinheiro com a venda dos aviões ao governo. Que as fábricas do material bélico empregado pelos americanos estavam com suas ações gerando lucros astronômicos aos investidores que nelas “apostaram”. Que todos os equipamentos ( fardamento, armamento pessoal, veículos, aviões, rações militares, radio-comunicação individual) por ele utilizados devem ter proporcionado a muitos industriais americanos verdadeiras fortunas imediatas. Disse que as redes de televisão e de jornais faturaram alto durante o conflito. O próprio repórter que o estava entrevistando estava obtendo, com aquela reportagem – fruto da participação de um americano em uma guerra, o seu sustento. Não teve o menor problema em admitir que ele próprio obtivera ganhos (salário diferenciado) com a sua participação enquanto estava no Iraque. Encontra-se, inclusive com seu nome inscrito para qualquer outra convocação que vier a acontecer. “Money, my friend, money”.

Há alguns anos atrás escutei uma interessante explicação para o assunto do qual trata o parágrafo anterior. Os americanos, indiscutivelmente a maior potência bélica do planeta, tem o maior parque industrial com produção focada na “indústria da guerra”. Esse produtivo segmento da economia do país é tão importante economicamente que não tem como ser desprezado pelos governantes. Geração de empregos, desenvolvimento armamentista, evolução tecnológica ( a própria Internet é fruto das guerras - além de muitos produtos que tiveram sua história indelevelmente ligadas a elas), um infindável rosário de atividades e de interesses financeiros tem seu foco na atividade belicista. Aquele povo, enfim, não pode viver sem estar envolvido em um conflito internacional, com a penalidade de, se não estiver envolvido em uma guerra, sofrer sérios danos na sua própria estabilidade ou existência, enquanto potência capitalista.

Os primeiros motivos pelos quais se envolvem num combate não precisam (ou não querem que possam) ser justificados ao longo do conflito. Mesmo que a opinião pública mundial seja inteiramente contra a manutenção da guerra, eles precisam estar consumindo o produto. Eles têm muita necessidade de manter-se em guerra. Intrinsecamente todos sabem disso. Não se leva em conta, no caso, as vidas que serão sacrificadas para a continuidade da coisa. Sejam elas americanas ou não. Um “bem” maior é a justificativa íntima. Eles “precisam” continuar sendo a maior nação belicista do mundo.

Não justifico, com o que digo, a posição americana por estar assim procedendo. Apenas tenho a oportunidade de saber por quê estão fazendo isto.

Quando se esgotarem as (inúteis) explicações para a permanência deles no Oriente Médio, em muito pouco tempo estarão envolvidos em outro conflito. Qual será a “bola da vez”? Alguém se arrisca a dar um palpite??? Seriamente?

VIDA EM GRUPO

Tendo escolhido a cidade de Florianópolis para viver os meus dias como inativo da Aeronáutica e não tendo pessoas da minha família ou da família da minha mulher neste local, buscamos a convivência com pessoas da nossa mesma camada social para, com elas, conviver. A cidade, por características climáticas e sociais, presta-se perfeitamente para a residência de pessoas na nossa faixa etária, notadamente os aposentados. Com uma relativa segurança, podendo ser considerada uma capital com uma população ainda pequena, a capital catarinense oferece um tipo de tranqüilidade já não existente em metrópoles brasileiras. Essa particularidade atraiu para Florianópolis muita gente de outras partes do país.

Na nossa categoria não é diferente. Temos colegas de muitos outros lugares vivendo aqui. Além de termos um início de carreira comum, trilhamos a mesma carreira e nossas mulheres também são de fora do estado. Isso fez com que os nossos amigos também fossem atingidos pela necessidade de reunir-se em grupos. Além, é claro, de proceder como todos os seres humanos, que precisam de uma “tribo” para continuarem vivendo suas vidas.

E mesmo entre os grupos existem pequenas, mas importantes diferenças, o que nos proporciona diversidades nas suas programações. Seja pelo interesse masculino ou feminino, muitos de nós estão encaixados nas suas preferências individuais. Eventos sociais e atividades esportivas ou de cunho beneficente não nos deixam espaço para qualquer tipo de isolamento. Apoio emocional em ocasiões tristes também é facilitado pela rapidez de comunicação entre o nosso pessoal, dado às características de cidade pequena da nossa Floripa.

Tomando como exemplo o meu caso particular, freqüentamos grupos que constituem uma espécie de espiral crescente. Além da nossa família (7 pessoas), que coloco como sendo o nosso núcleo grupal, já existem na cidade parentes que aqui vieram residir. Partindo de um restrito grupo de amigos mais antigos, formamos um “time” de jogadores de cartas, praticado entre casais que, por três vezes na semana, se reúnem para a prática do jogo de canastra (16 pessoas). Nesses encontros, quase sempre existe uma ou outra iguaria gastronômica para ser degustada. Num grupo um pouco maior, fazemos parte de uma turma que, mensalmente, se reúne para jantares organizados por casais (80 pessoas) que dele participam. Na associação do pessoal da reserva das três forças (160 pessoas), encontramo-nos seguidamente com a finalidade de estudar e buscar soluções para o nosso pessoal e, como ninguém é de ferro, vez por outra nos juntamos para um almoço ou jantar, por vezes com a companhia das esposas. O grupo que reúne apenas o pessoal da reserva (cerca de 400 pessoas) da Aeronáutica, bem maior, proporciona atividades quase que totalmente voltada para a vida social. Este grupo conta, também, com uma “Ala Feminina”, que programa encontros sociais das senhoras para eventos vespertinos. A grande maioria delas está envolvida com atividades beneficentes (em instituições filantrópicas diversas) e seu trabalho é bastante reconhecido.

Como existem interesses comuns (na área da saúde, nas informações relativas à FAB, nas oportunidades do comércio, etc..) estamos sempre bem informados a respeito do que é que anda acontecendo na Aeronáutica e no “mundo lá de fora”.

Dessa maneira, portanto, tornamos agradável a nossa vida por aqui. Além de estarmos juntos das pessoas que nos são caras, estamos livres do isolamento e mostramos o nosso lado amigo, nossa capacidade de ocupar o nosso lugar na sociedade da qual somos, logicamente, parte atuante e importante.

CRISE NO CONTROLE AÉREO

Tenho notado que existe um significativo desvio de foco nessa questão dos controladores. Não quero minimizar a gravidade do problema, pois é certo que muito do que tem acontecido gera uma tremenda confusão nos aeroportos e uma significativa parcela da população tem amargado prejuízos (financeiros e de disponibilidade de tempo).

Essa parcela atingida, entretanto, pertence a uma camada social com relativo poder aquisitivo. Se a parte afetada compreendesse pessoas da base da pirâmide, por exemplo, o vulto da coisa seria diferente. Sabemos que a crise em hospitais públicos é de um tamanho considerável. Nesse caso e por outro lado, a mídia não “percebe” o tamanho do problema. Vemos pessoas morrendo todos os dias em filas de hospitais, o descaso com que as pessoas necessitadas são tratadas por funcionários públicos nessas ocasiões. No ensino, no carreamento de dinheiro do povo para gerar intermináveis lucros aos bancos, na fome do povo (não fechemos os olhos – ela ainda acontece e muito), temos os mais diversos tipos de necessidades do “zé povinho”, aquele que nunca viajou de avião, que precisa de providências muito mais urgentes. Essas pessoas nunca serão vistas berrando com atendentes dos balcões das companhias aéreas, iluminados que estão sendo pelos holofotes da televisão, a lhes proporcionar os quinze segundos de fama.

Se nos detivermos para fazer uma análise séria do que está acontecendo com a parte PESSOAL da crise, encontraremos muitas respostas. O Governo, quando não está estabelecendo dia e hora para terminar com a crise (qual sindicato em tempos anteriores ao do comando praticado pelo PT obedeceria a uma “ordem” deste tipo?), brinca de fazer piadas com a população. O que já foi gerado de indignação por esse tipo de atitude daria para escrever um livro.

Outra coisa que me chama a atenção refere-se à ausência de um oficial atuando no dia do acidente com o avião da Gol. Em nenhum momento consegui enxergar a presença do oficial responsável pela equipe que estava de serviço naquele dia e horário. Gente, não estou querendo causar polêmica entre os círculos, mas estranho o completo silêncio sobre esse detalhe. Já vi, ao contrário, em épocas anteriores, quando de entrevistas por redes de comunicação que faziam apologia à excelência do Serviço de Proteção ao Vôo brasileiro, até oficiais superiores sentados em frente à tela do radar, com microfone na mão, operando o sistema. Não estou eximindo os graduados do problema. Se houve erro, terão que pagar. Falta-me, no caso, o elo que obrigatoriamente tem que existir no sistema. Repito que essa minha observação não visa a polêmica, mas nos meus 36 anos de ativa nunca notei a ausência dele. Acho que temos que reconhecer que a responsabilidade deve ser honestamente distribuída. Colocar apenas a “parte mais fraca” no fogo não é procedimento correto.

Esquecer-se dos problemas técnicos ou materiais também não acho salutar. Embora não na totalidade das notícias veiculadas, alguns órgãos da imprensa tiveram e divulgaram informações sobre o tal do “buraco negro” naquela área. Embora tenha, no início da carreira, uma atuação paralela com os colegas especialistas em controle de tráfego aéreo (servi 15 anos no antigo 2º ECA, hoje GCC, em Canoas), apenas posso falar sobre problemas de instabilidade de frequências de transmissão/recepção (formei-me RT-TE, hoje BAS COM). Com toda a modernidade dos meios hoje disponíveis, ainda acontecem problemas operacionais em virtude das características dos equipamentos utilizados.

A população, como um todo, aceita o que é veiculado pela mídia, mas nós temos algum pouco de vivência no meio e somos obrigados a observar todos os aspectos que envolvem a atual situação. Como a “coisa” toda tem o seu estopim no acidente acima citado, onde muitos brasileiros perderam a vida, as autoridades aeronáuticas deveria chegar a uma transparência que delas se espera. Não podemos ficar aqui discutindo se deve ou não deve acontecer um aumento para os controladores ou se toda a classe militar tem que ser agraciada com o mesmo. Trata-se, isto sim, de devolver à sociedade brasileira o crédito de confiança que ela delega às instituições militares. Não podemos cair na tentação de, com um ou outro comentário, podermos destruir um importante segmento do nosso povo – o militarismo.

Sabemos, entretanto, que existe gente interessada nisso. Não podemos colaborar com eles.

CIDADE MARAVILHOSA

Acompanhando o noticiário pela imprensa, estou bastante apreensivo com as cotidianas notícias que informam sobre a violência no Rio de Janeiro. É um verdadeiro descalabro o que está acontecendo com as pessoas na Cidade Maravilhosa.

Topograficamente abençoada pelo Criador, aquela metrópole vive num verdadeiro caos. Sem que sejam respeitados quaisquer limites, crianças e idosos também não escapam da completa barbárie que ali se instalou. Conseguimos divisar, nos olhares das (pouquíssimas) pessoas que se dispõem a ser entrevistadas um quê de desalento, de desespero, de revolta e de impotência. Muitas delas dão ao conhecimento do público que quase todas as famílias do seu relacionamento já foram alvo das ações criminosas. Mesmo durante as entrevistas as pessoas estão com os olhares atentos ao que se desenrola à sua volta. É um medo constante. Sem fim.

Trato, nesse meu artigo, não do que está provocando ou propiciando esta situação, mas apenas do que deve estar passando pelas cabeças dos cariocas ou dos seus visitantes. Não deve ser fácil viver nesse clima de incertezas, nesse alerta constante. Se o seu filho (ou mesmo Você) sai de sua casa, por qualquer motivo, em qualquer horário, para qualquer destino na cidade, a certeza da volta imune não existirá. O que aconteceu com aquela empregada doméstica, dias passados, é um perfeito exemplo do que digo. Não interessa o que ela é. Por uma estouvada impressão de um grupo de jovens, ela foi confundida com uma prostituta. Mesmo que fosse, não é admissível a concretização da covarde agressão. E não posso aceitar que um pai ainda tente minimizar a atitude do filho – um dos participantes. Não existe desculpa para o ato do qual foram a parte “forte”. Enquanto persistir o atual procedimento judicial para com gente desta espécie, as coisas continuarão acontecendo. Vide o acontecido com o índio pataxó Galdino – mesmo que tenha acontecido em Brasília serviu de paradigma: se for índio ou prostituta, pode??? Onde estarão aqueles rapazes?

Ao lado da minha indignação, caminha o meu respeito pela força interior dos cariocas. Amam a sua cidade e não há nada que faça o povo daquela terra dela se afastar. Passados os momentos de susto, retoma a sua vida e faz tudo para tocá-la em frente. Parece que querem nos fazer entender que, mesmo com tudo o que de mal (nesse caso aqui pode até mesmo caber “mau”) vem acontecendo, vale a pena viver na sua cidade. Continuarão fazendo as mesmas coisas que sempre fizeram e aprenderam a conviver com o espírito em constante estado de atenção. Continuam indo à praia, frequentando os bares, curtindo o seu time no Maracanã. Sua cervejinha gelada, acompanhada de uma boa sardinha frita não fica de lado. Seus papos continuaram sendo batidos, sua pelada no campinho ao lado de casa continuará sendo jogada, a paquera não poderá deixar de ser feita. Até mesmo pela grande quantidade de nordestinos ali vivendo, o povo do Rio já pode parafrasear um antigo dito a respeito dos seus colegas do agrestes afirmando que “o carioca, acima de tudo, também é um forte”...

Espero que sigam desta maneira. De uma forma ou de outra essa situação chegará a um bom termo, mesmo que seja num futuro não tão próximo. Um dia a solução há de chegar e os nossos irmãos irão poder aproveitar o resultado da aposta que fizeram. Acredito que eles merecem a boa resposta que um dia virá, pois gostar de viver em muitos lugares brasileiros onde os problemas das grandes metrópoles ficam distantes é fácil. A demonstração de amor a um lugar onde a tranqüilidade é artigo de luxo merece recompensa. Reafirmo o meu respeito a todos eles.

E desejo, sinceramente, que a coisa toda se encaminhe para um bom final.

Pois é, meus amigos. Dessas coisas incompreensíveis é que nós vivemos. Mesmo sob um completo clima de sobressalto as pessoas ainda conseguem VIVER! Tirando força de onde não sei, elas seguem seus caminhos. Tenho a mais absoluta certeza de que acreditam que o bem, um dia, triunfará. Com todos os percalços eles estão colaborando para isso. Não arredam pé da crença no seu lugar. É, a maioria daquela gente, o verdadeiro pilar que ainda mantém o Rio de pé.

Meus parabéns aos meus irmãos cariocas.

EXEMPLO A SER SEGUIDO

No último final de semana (30/06/2007), em Florianópolis, realizou-se um singular baile de debutantes (careta? por quê?). Por iniciativa exclusivamente particular, foram reunidas 15 jovens do Maciço do Morro da Cruz – que abriga um conjunto de favelas, de famílias com escassos recursos financeiros, para comemorar a “entrada na Sociedade” daquelas meninas. Entre as condições “sine qua non” para participar estavam: estar estudando, não usar drogas, não estar grávida e não ser mãe. Nas reportagens de emissoras de televisão local pudemos observar a incredulidade e o encantamento no rosto de cada uma delas. Os familiares das garotas, radiantes, não conseguiam esconder a emoção que dominava a cada um dos presentes. Jovens da Escola de Aprendizes de Marinheiros local dançaram outra valsa com elas.

Como dito, a iniciativa partiu de um “promoteur” e de uma assistente social da cidade. Eles batalharam por patrocínio das mais variadas formas: conseguiram o clube para o baile, vestidos e sapatos para as garotas, reuniram profissionais de salões de beleza, convenceram personalidades locais a apadrinharem as meninas (e dançarem a valsa, além da entrega de um presente por eles ofertados) enfim, não mediram esforços para a realização do evento. Coroado de êxito que foi.

Para mim, como mero habitante desta cidade, foi demonstrada a existência de um inegável e real sentimento de cidadania, de dedicação às populações mais carentes, de fraternidade, de amor ao próximo e, sem dúvidas, de CAPACIDADE. Foi digno de nota o empenho que os dois principais organizadores do evento empregaram para a consecução do mesmo. Sabemos do possível custo que teria sido para alguém bancar uma festa desta natureza com recursos individuais ou mesmo de um pequeno grupo. Pulverizando-se as colaborações, ficou exeqüível. Bastou praticar a criatividade e o poder de convencimento de que o comércio local tinha que devolver, de uma forma agradável e beneficente, os lucros astronômicos que arrecadam, provindos dessa mesma população.

O que mais chamou a minha atenção, entretanto, foi a subjetividade do fato. Tenho como conceito formado de que, em algum lugar da história recente do ser humano, foi rompido o elo entre a família e o respeito. Posso até pensar que a ruptura tem como marco temporal o movimento de Woodstock, quando inúmeros valores foram jogados ralo abaixo. Como aquela reunião tinha como finalidade primeira a “liberação dos costumes”, acredito que o controle (não disse dominação) começou a ser perdido ali. Essas coisas, hoje ditas “piegas” ou “bregas”, como um baile de debutantes, passaram a ser quadradas, fora de moda. O significado subjetivo do evento é que deve ser observado. Tratava-se, essa festa, de como se fosse a primeira vez que a menina usaria um sapato de salto alto, da sua primeira oportunidade de frequentar um evento noturno. Prosaico, mas de imenso valor moral. Posso, por tais afirmações, ser chamado de conservador, mas tenho um amigo psicólogo e radialista que diz que esses valores estão sendo cada vez mais afastados da sociedade. Mas é inegável que esse primeiro evento pode se transformar em um resgate de algo perdido: a inocência. Se Woodstock foi um passo errado (alguns acham que foi certo) temos que encontrar uma maneira de reverter a situação dos dias de hoje. Devemos encontrar o caminho de volta e um primeiro passo nessa direção tem que ser dado.

Falo tudo isso com o conhecimento do momento atual (principalmente com os últimos acontecimentos envolvendo jovens de classe média-alta em ataques violentos a outros seres humanos). Será que não está faltando a eles essa coisa da família, de cada um dos seus membros saberem nela os devidos lugares, a obrigatoriedade do respeito interno e para com os outros participantes da sociedade? Os valores éticos, por mais primários que possam parecer, são do alcance desses meninos-ricos? Suas famílias, onde andaram antes dos fatos? Não adianta, depois da barbárie aparecerem com as assertivas de que são bons meninos. Porque não são. Faltou-lhes, certamente, um ou outro detalhe que não viveram na sua infância ou adolescência. Faltou-lhes a figura do pai e da mãe. Sobrou-lhes dinheiro, carro, drogas e as péssimas companhias – por eles escolhidas, é claro.

Para aqueles que não concordarem, até por não terem vivido em outras épocas, seria bom raciocinarem a respeito do tema. Correm o risco, no entanto de poderem ser considerados concordantes com a atual baderna reinante. Até que, Deus os livre, tenham um dos seus filhos envolvido numa ocorrência que será o primeiro passo para o fundo do poço.

Se ainda é tempo, dê à sua filha, ou mesmo neta, um baile de debutante. Dê ao seu filho uma oportunidade de ser um membro amoroso da sua família.

Relembrando Jockymann, pensem nisso enquanto lhes digo: Até a próxima.

PARA VIVER EM GRUPO...

Revi, dias atrás, um musical realizado há alguns anos, com a presença de inúmeros cantores de projeção internacional e que tinha a finalidade de angariar fundos para socorrer as populações famélicas da África. Durante a execução da música central (We are the world) pude observar o empenho de todos os participantes e o seu perfeito entendimento do que é um trabalho de grupo, com uma finalidade específica, quando chegava o seu momento de atuar. Desconsiderando o passado que os precedia até o momento, e que não vem ao caso, centralizo a questão na doação que estavam fazendo. Assim como aquelas pessoas dispuseram-se a participar do “show”, muitas outras devem ter se negado a fazê-lo. Ou pelo menos não se mostraram disponíveis.

Onde será que está localizada a linha que divide essas atitudes? Por quê algumas pessoas doam-se (e não importa quanto, mas como) em favor de quem depende de ajuda? Desejam, por acaso, expiar culpas, reparar erros? É, por outro lado, inata neles essa capacidade de doar, de agir? E mesmo que haja essa duplicidade de motivos, merecem o mesmo respeito? Acredito que qualquer que seja a sua motivação, entretanto, merecem a admiração de todos os que souberem da sua disponibilidade para doar. Ao contrário, os que não adotam essa linha de ação, esquivando-se de ajudar ou fingindo indiferença quanto ao que se propõe o grupo, que tipo de consideração devem receber? Devem receber o mesmo tipo de tratamento que dispensaram?

O mesmo acontece em outras circunstâncias do nosso cotidiano. Sabemos de muitos colegas ou mesmo de conhecidos que agem de maneiras completamente distintas dentro de um mesmo grupo humano. Enquanto uns se dispõem a agregar, a trabalhar em função do grupo, outras são apenas figurantes e existe ainda um pequeno (felizmente) número de participantes que somente se preocupa em agir de forma absurda, com a finalidade de tentar semear a dissolução do grupo. Por quê participar do grupo, então? A sua felicidade ou realização consiste em sentir-se diferente? Não consigo enxergar a satisfação que alguma pessoa pode extrair de uma participação como essa. Não seria muito mais simples afastar-se do grupo e “procurar a sua turma”? Não sou profundo conhecedor de teorias freudianas, mas naquele universo do estudo da mente humana deve existir alguma explicação plausível para esse tipo de comportamento. As pessoas que agem dessa maneira devem estar tentando preencher uma lacuna, compensar alguma deficiência individual. Senão, de que outra maneira pode ser explicado o seu modo de fazer parte do grupo? Será que existe alguma vantagem pessoal? A quem, por exemplo, vai confidenciar sua “vitória”? Ao seu travesseiro?

Sou adepto do princípio que o indivíduo deve agir em função do todo. Mesmo as melhores mentes tiveram a humildade de reconhecer-se apenas parte e abriram mão de um ou outro conceito que pudesse interferir negativamente na existência do grupo. Não me coloco entre essas melhores mentes mas, em função do respeito a esse princípio já tive que, por diversas vezes, abandonar muitas idéias que julgava importantes para o meio ao qual estava ligado no momento. Tendo sido convencido de que existiam outras alternativas para a consecução dos objetivos, humildemente “enfiei a minha viola no saco” e adotei o novo caminho. Em muitas dessas ocasiões, inclusive, fiquei muito satisfeito por ter assim procedido, já que a melhora se fez. Precisamos manter a capacidade da autocrítica, sabermo-nos imperfeitos e aceitar que outras pessoas podem ou devem ter razão.

Por outro lado, descobri a minha maneira de não perder meu tempo com pessoas daquela natureza. Como não faço parte do (real) grupo delas ignoro-as, sem insistir na ignorância de tentar mudá-las. Ao sabê-las em alguma parte, não me dou ao trabalho de saber o que pensam, o que falam. Não é que PENSE QUE, mas SEI QUE não existem no meu universo. Que pode ser ou pequeno ou grande demais para contê-las, depende de que lado se analisa a coisa.

Do meu lado de ver, o meu universo tem o tamanho ideal. Cheio de pessoas de bem. As quais respeito e por elas sou respeitado.

MEU DESAFIO PARTICULAR

Eu tinha, na época, tenros 17 anos. Meu pai era funcionário civil da antiga Fábrica Nacional de Aviões, hoje Parque de Material Aeronáutico de Lagoa Santa, Minas Gerais. Embora desempenhando uma função de não muito destaque, sempre foi bastante considerado pelos seus subordinados, pares e chefes. Gostava do que fazia e o fazia sempre muito bem. Espelho-me nele até hoje.

Como o ganho familiar provinha exclusivamente do salário do meu pai e residíamos na vila dos funcionários e militares da Fábrica, a minha infância e pré-adolescência foram vividas ali. Eu e meus oito irmãos sempre respiramos este ar envolto em coisas da Aeronáutica. Como eu era o mais velho dos filhos homens e minhas irmãs eram casadas com sargentos da Força Aérea, resolvi destinar o meu futuro para este lado. Com a ajuda e incentivo do Ítalo, um dos cunhados, matriculei-me num curso preparatório (com o patrocínio do tio Carlos) de Belo Horizonte, o Braz Navarro – que não sei se ainda existe.

Pois bem, no primeiro dia de aula, após as indefectíveis explicações sobre o funcionamento do curso e as explanações sobre a carreira que estávamos tentando atingir, passamos à nossa primeira aula: Português. A primeira frase curricular que ouvi foi: o povo brasileiro é muito burro, só conhece, em média, seiscentos vocábulos da língua portuguesa. Embora com a pouca idade, sem maiores conhecimentos conseguidos nos bancos escolares (havia cursado até o 2o ano do ginásio – hoje 6a série), senti-me agredido pela fala do professor e resolvi, naquele momento, que eu não iria fazer parte do universo de ignorantes citados pelo mestre. Tomei como ponto de honra individual esforçar-me para sair do lugar comum.

Aprovado que fui no primeiro concurso, passei pela EEAr e fui servir em Canoas-RS. Desde então passei a esmerar-me por bem escrever. Sempre tomei muito cuidado com a forma e com o conteúdo do que escrevesse. Preocupei-me, sem exceção, em fazer-me entender pelas palavras que colocava no papel. Respeitei, sempre, o leitor que se dispusesse a perder algum tempo com os meus textos, evitando até mesmo a possibilidade da dupla interpretação.

Acredito que todos nós podemos fazer dessa maneira. Logo após a minha chegada à Base Aérea de Florianópolis, no início da década de noventa, procurei ajudar aos colegas primeiros-sargentos que estavam prestes a prestar a prova do CAS, orientando-os com “aulas” de redação. Obtivemos sucesso em todas as turmas. A primeira orientação a eles foi: se Você sabe falar, sabe escrever. Emprestei-lhes macetes como, por exemplo, se não souber escrever sessenta, escreva sobre duas vezes trinta. Esquivem-se de escrever coisas sobre as quais não tiver um perfeito domínio. Não ousem empregar expressões idiomáticas sobejamente empregadas (a família é a “célula-mater” da sociedade). Seja Você mesmo. Onde Você pausar quando estiver falando, use uma vírgula quando escrever. Expresse o seu pensamento ou o seu sentimento. Como são unos e intrinsecamente individuais, dificilmente serão contestados. Revisem, uma vez que seja, o seu texto. Façam-se entender.

Pode parecer piegas, mas a frase que ouvi, enquanto garoto, serviu-me de norte pelo menos em um aspecto particular para o resto da vida. Tomei como um desafio e, em parte, a ultrapassagem sobre ele me trouxe algum benefício. Algumas pessoas próximas vivem dizendo que eu sei exprimir o que penso e, imediatamente lhes respondo que eles também, com aquela observação, estão dizendo o que pensam. Somente não querem, talvez, reconhecer essa sua capacidade.

O hábito da leitura, ao qual sempre me entreguei, foi outro fator que sempre me ajudou. Sabendo ler, tenho que aprender a escrever. Como relatei na minha página do ORKUT, um dos meus prazeres é escrever. Cada vez que o faço coloco um pedaço de mim, dou-me a conhecer. Por inteiro.

Convido Você, que está “perdendo o seu tempo” com este texto, a escrever-me. Você pode. Mostre-se. Talvez estejamos perdendo a oportunidade de conhecer um excelente “escrivinhador”. Solte essa fera literária que existe dentro de Você.

Anime-se.

LETARGIA

O povo brasileiro detém uma particular singularidade. Talvez em função da sua natural paciência, a nossa gente parece aceitar as coisas com uma facilidade sem par. Se levarmos em conta que possuímos um até regular nível de informação, acesso aos meios de comunicação e capacidade de entendimento dos fatos, é de se estranhar que sejamos tão letárgicos em vista dos cotidianos acontecimentos que aí estão. Parece que somos levados a acreditar que tudo está acontecendo dentro da normalidade e que é melhor “deixar como está para ver como é que fica”, o que é, no mínimo, uma omissão.

Tragédias como a do vôo TAM 3054 caem na vala do cotidiano com menos de uma semana. As trapalhadas da política viram, via de regra, objeto de galhofas e fica por isso mesmo. Mesmo em se levando em conta que os milhões surrupiados do povo poderiam minorar o sofrimento dos mais necessitados, preferimos fazer piadas do que cobrar soluções. Não nos preocupamos em atingir o cerne das questões, exigir das autoridades uma ação enérgica e solucionadora. Assistimos às explosões de sensacionalismo da mídia e deixamos por isto mesmo. Parece que a nossa maior expectativa é a de saber qual será o próximo escândalo. Exaltamos frases idiotas ditas por quem não tem o direito de fazê-lo. Gestos obscenos são mostrados pela televisão e viram galhofa. Por um gesto muito menos significativo expulsamos um piloto norte-americano que mostrou um dedo médio quando interpelado pela polícia. Não estou dando a ele o direito de desdenhar da nossa lei. Mas acredito que uma alta autoridade, nas dependências de um palácio – pago por nós, arvore-se do direito de agredir todos os brasileiros com a sua atitude. Nem a dor das famílias atingidas pelo infausto acontecimento foi capaz de sensibilizar aquela pessoa. Na Internet, acesso viabilizado a quem desfruta de uma razoável capacidade financeira e informativa, foi criada uma comunidade no Orkut chamada “Churrasco 3054”. Será que os seus autores não vislumbram a possibilidade de que um dia poderão ser eles as vítimas?

Mas, acredito que merecemos tudo isto. Nós estamos muito quietos, aceitando os fatos e não tomamos qualquer atitude com a finalidade de mudar isto que aí está. Formamos opinião – mesmo que seja no nosso reduzido universo familiar, e, com essa prerrogativa, temos a obrigação de chamar a nossa gente à razão. Não devemos nos unir ao caudal de indolentes ou de conformados. Mesmo que convivamos com um ou outro indivíduo de mente um pouco mais doentia, é nosso dever explicar aos menos sérios ou esclarecidos a verdadeira realidade do que está acontecendo.

A normalidade está muito longe do que hoje estamos vivendo. Esquecemo-nos, até mesmo, de que somos responsáveis pelo Brasil que, um dia, entregaremos aos nossos filhos. Se deixarmos que esta situação continue, vai chegar o momento em que não será mais possível controlá-la. Fale, grite, discuta, atue, corrija, exija. O imperativo que existe nos verbos da frase anterior tem que ser desempenhado por cada um de nós. Estas ações fazem parte do conjunto de atitudes inerentes ao verdadeiro PATRIOTA. Não podemos deixar que o rio de impropriedades siga o seu curso. Afinal de contas, fazemos parte do oceano que lá, mais adiante, vai ser o destino desta sujeira toda.

Não estou pregando qualquer tipo de violência para mudar o estado atual. Estou apenas sugerindo que devemos mostrar às autoridades que temos o dever e o direito de exigir o que nos deve ser dado: Decência, Honestidade, Transparência (verdadeira). Se assim procederem, não estarão fazendo nada que não seja da sua obrigação. O posto que estão atualmente ocupando é NOSSO. Nós somos os que os colocaram ali. Como detentores dessa Verdade, cobremos.

O BRIGADEIRO AMARELOU...

Nos jornais televisivos de ontem (16/8/07) à noite, o Senador Demóstenes Torres, DEM, disse que o Brigadeiro José Carlos Pereira, ex-Presidente da Infraero, tinha "amarelado" durante a oitiva da Diretora da ANAC, na CPI do Caos Aéreo.

Esse episódio soma-se a muitos outros acontecidos no Congresso Nacional (e não é só ali), com a finalidade de denegrir o que resta de dignidade aos "homens de farda". Não estou questionando a atitude do Brig. José Carlos (a quem não conheço e de quem não tenho procuração nem possuo argumentos para defender) em colocar em pratos limpos o episódio no qual esclareceu quais foram as verdadeiras palavras usadas, quando da proposta de transferir para Ribeirão Preto algumas atividades desenvolvidas pela Infraero em Congonhas e Cumbica.

Quero, sim, destacar a insistente inserção de frases e/ou atitudes acontecidas naquela Casa (e não é só ali) com a finalidade de denegrir o militarismo. Esse tipo de campanha passa inclusive, pela não observância da obrigatoriedade de prenominar um Brigadeiro (da ativa) como Excelência. Parece picuinha, mas o direito ao tratamento advém do alcance do ápice de uma caminhada na carreira, que culmina em um destacado posto nas nossas FFAA.

O MILITARISMO, em virtude de uma ou outra atitude isolada (reconheçamos que elas acontecem) menos condizente com suas premissas, está virando uma das espécies de "moeda de troca", utilizada como degrau para dissimulação das verdadeiras barbaridades que estão acontecendo no campo da política como um todo.

Digo isso porque o verdadeiro "amarelamento" acontece é nas hostes do Congresso. Um ou outro Senador ou Deputado com importante cargo naquela Casa é, simplesmente inatingível. Estão acima das leis por eles criadas. Postei, numa inserção anterior, que qualquer brasileiro, para assumir cargo - depois de enfrentar concurso, ou mesmo para prestá-lo, é obrigado a apresentar a "folha corrida", o "atestado de bons antecedentes", a prova documental de que não respondeu ou está respondendo a processo judicial. Aos todo-poderosos políticos é dispensada essa exigência? Com qual propósito? "Amarelam", sim, aqueles cordeirinhos que abaixam a cabeça, colocam o rabo entre as pernas, escondem-se atrás de um voto secreto e permitem que a bandalheira continue. São os "amareladinhos" de plantão. Não podem perder sua boquinha.

Um militar que seja arranhado por uma denúncia infinitamente menor do que as que estão sendo cotidianamente feitas contra muitas da "Excelências" do congresso, é passível de punição IMEDIATA. Muitas das vezes sem "amplo direito de defesa". Compareça a uma instrução de educação física, por exemplo, sem o uniforme completo. "Tá" lascado. No entanto, a ex-Senadora Heloísa Helena passou todos os seus mandatos trajando uma indefectível calça jeans e blusinha branca. Tente você, (reles) cidadão brasileiro, entrar no plenário da Câmara ou do Senado sem estar usando um traje social. Logo um segurança virá convidá-lo a se retirar do recinto, por não estar convenientemente trajado com o respeito que o ambiente exige.

A nossa Carta-Magna, a Constituição Brasileira, diz que todos somos iguais perante a lei. Será que existem alguns mais iguais do que os outros?

Voltando ao caso da insistente necessidade de denegrir a nossa classe, a alguém deve estar interessando o achatamento do nosso conceito. Pensem no nosso País sem forças armadas. Quem há de locupletar-se com a mercê dessa ausência? Quem? Quem?

É, meus amigos, enquanto ficamos nós aqui discutindo filigranas nessa nossa Tribuna, estão comendo o nosso mingau pelas beiradas. Aqueles que um dia passaram por importantes funções dentro da caserna e não conseguiram mudar as coisas que então julgavam erradas (ou foram, no mínimo, informados de que elas estavam acontecendo), por moto-próprio ou por ingerência da carreira, podem agora, com a liberdade de expressão que a situação de inativo lhe empresta, além do conceito que firmou enquanto na ativa, tentar mostrar àqueles que agora desempenham aqueles cargos, os caminhos a serem tomados. Têm, esses colegas, a obrigação de agir.

Devemos à instituição Força Aérea, a lealdade que a ela juramos. Não podemos deixar que a façam tombar por terra.

Esmorecer, jamais...

DEVEMOS ESTAR PREPARADOS

Num documentário da Discovery, exibido em 17/08/07, tomei conhecimento do tamanho real de uma tragédia acontecida na Europa em agosto de 2003. Naquela oportunidade houve uma onda de calor que afetou a região e provocou 53.000 (cinqüenta e três mil) mortes, notadamente na faixa mais idosa da população. Paris entrou para as estatísticas com 5.000 vidas perdidas. 15.000 na França toda. 18.000 na Itália. Embora fazendo parte geográfica da região mais desenvolvida do planeta, as autoridades dos países não tiveram como brecar o morticínio. Chicago, nos EUA, também atingida, perdeu 740 vidas.

Traçando um hipotético paralelo entre as situações, sem o desejo de compará-las, tomo como exemplo local, a ocorrência do Furação Catarina, ocorrido no sul do Brasil. No dia e na hora que aconteceu o fenômeno, eu estava em uma reunião social com amigos, em Florianópolis. Todos da mesma camada social e pretenso nível de conhecimento. Muitos dos presentes não levavam a sério as informações que foram veiculadas pela imprensa. Certo é que tais informações não traziam no seu bojo a possibilidade do tamanho do problema. A descrença na mídia também colaborou para que não se levasse em conta a possibilidade de tratar-se de algo bastante grave. Uma ou outra pessoa presente dizia que “vai ser apenas um ventinho” ou “isso não acontece no Brasil”. Embora a nossa cidade não tenha sido muito castigada, naquela madrugada aconteceram aqui ventos fortíssimos por um bom período de tempo. A coisa foi mais violenta no sul de Santa Catarina, com ocorrência de mortes e incalculáveis prejuízos materiais.

Com essa linha de raciocínio, podemos dizer que estamos sujeitos ao mesmo tipo de problema. Se nas regiões estrangeiras acima citadas existe um nível de desenvolvimento (e meios financeiros, pessoais e materiais) muitas vezes maior do que o nosso e eles não tiveram como enfrentar a situação, muito mais sério será para nós se e quando formos atingidos por algo daquele tamanho. Não podemos ficar acreditando que “isso não acontece no Brasil”. Não estamos imunes a NADA! As mudanças climáticas que estão se verificando indicam que tudo está se transformando. Em alguns lugares onde nunca havia caído neve a população recebeu a visita dessa intempérie. No norte do país foram constatadas baixas temperaturas nunca antes ocorridas. A coisa está mudando. Se no inverno está assim, imaginem o que nos espera quando chegar o verão.

Enquanto sociedade, devemos nos tornar mais organizados para que, se algo parecido ocorrer daqui para a frente, tenhamos pelo menos uma pequena noção das providências que devam ser tomadas (antes e depois). Nos círculos mais próximos a nós e na população que nos cerca. Se vamos conseguir isso cobrando da imprensa a seriedade que é necessária nessas ocasiões (não podemos ficar dando audiência aos “Jôs” da vida, ridicularizando qualquer tipo de situação) ou se questionando e exigindo das autoridades a respeito de prevenção. Mesmo com a camada social mais alta sendo atingida, no caso do acidente aéreo em julho passado, em São Paulo, aquela metrópole, a nossa maior, não teve estrutura com a rapidez necessária para atender ao desastre. Se o evento tivesse tido proporções menores, com aquele número de passageiros apenas com ferimentos, a coisa teria sido difícil de atender.

Não estou dizendo, com o que aqui exponho, que devemos estar preparados apenas para desastres e catástrofes, mas devemos, também estar preparados para isso. Num ligeiro exemplo, mais próximo, posso citar que Florianópolis não dispõe sequer de UM hospital que possa atender a queimados. E temos aqui um aeroporto internacional. A previsão é tudo gente.

Ao invés de tentarmos, depois, consertar os remendos e chorar as mortes, temos que estar preparados para se... e quando... acontecer.

LIDERANÇAS...

Acredito que não faz tanto tempo assim. Provindo de uma camada humilde da nossa população, ingressei na Escola de Especialistas em julho de 1962. POR MÉRITO PRÓPRIO. Essa assertiva combina com o meu pensamento que as Forças Armadas são das poucas instituições onde o ingresso dá-se por capacidades individuais, por meritocracia.

Do meu tempo ainda mantenho amigos das mais diversas origens. Que, após o ingresso nas FFAA, fizeram-se parte integrante de uma casta à parte.

No decorrer dos 35 anos de ativa, pude ter o conhecimento de que existiam, nas hostes militares, verdadeiros ícones da carreira. Ainda no corpo de alunos (lembra, Cavalcante?) conheci o Cap Leuzingher, o Aragarças. Existiam o Brig. Burnier, o Brig. Hipóllyto, o Brig. Estrella, pessoas que, em nome da farda, defendiam a instituição. Falava-se no Almirante Aragão, no General Mourão, no Capitão Sérgio, vulgo Sérgio Macaco, e mesmo o Cabo Anselmo e em muitos outros que (certo ou errado) atingiram o destaque nas caminhadas castrenses. Do lado "A" ou do lado "B", certo é que LIDERAVAM.

Lembro-me de insólitas ocasiões nas quais estive bem próximo de uma ou outra daquelas pessoas. Trabalhei, por algum tempo, ao lado do Brig. Hipóllyto, quando o meu esquadrão proporcionava apoio rádio à grande unidade por ele comandada.

Ao contrário disso, o que é que temos hoje? Citem UM exemplo de um líder militar, alguém que seja destaque nas fileiras. O mais próximos disso que chegamos é a coragem do Sgt. Trifilio (perdoem-se um possível erro de grafia do nome) que ousa defender uma classe, a dos controladores. E nós, do alto do nosso sofá, à frente da nossa TV 29", no confortável aconchego do nosso lar, até mesmo nos atrevemos a comentar que ele anda atrás de um futuro na política. Malhemos o Bolsonaro: dizemos aqui que ele somente está ali pelo dinheiro, mas é a ÚNICA voz que (mesmo que vez por outra) vai em nossa defesa no congresso.

Existem aqueles (e não é somente entre os militares) que pregam que os militares deveriam "tomar o governo". Vira e mexe, quando lhe convém, a mídia vem com essa história. Acredito que devam estar buscando futuras vítimas para suas manchetes – além de arranjarem um álibi para sua incompetência. Gente, se isto fosse a solução, apresentem UM, somente UM nome com capacidade para assumir. Deixemos de proselitismos, amigos.

Sejamos realistas e atentemos para a realidade: fomos doutrinados para a obediência, para o SERVIR! Não necessariamente para o servilismo, compreendam. Somos servidores do Estado e respeitamos a Instituição. A nossa finalidade é a Pátria. Seja ele João ou Pedro ou Luiz, estamos à mercê do Chefe.

Mas, nada me impede que, mesmo que seja nos meus mais restritos círculos de relacionamento, eu tente mostrar as coisas que julgo estarem erradas.

E, afianço-lhes, é para o que julgo de melhor para a minha Pátria.

Pensem nisso, enquanto lhes digo: até a próxima!!!

PERDER UM AMIGO

Experimentei, há pouco tempo, a dura realidade de perder um grande amigo. Num dia qualquer, fui avisado de que o mesmo estava baixado num hospital com um aneurisma que o havia acometido. Como se tratava de uma pessoa com compleição forte, acreditei que o mesmo poderia sair daquela situação desde que bem assistido. Ocorre que em função da gravidade do caso, mesmo atendido por um excelente cirurgião, o meu amigo não resistiu e, doze dias depois de baixado, veio a falecer.

A situação toda, desde o acompanhamento no hospital que fizemos com os familiares até o triste desenlace, é muito desgastante. As primeiras esperanças são mantidas durante algum tempo, mas depois começam a ser povoadas de possibilidades que não nos deixam tranqüilos. Enquanto vão passando as horas e os dias, a realidade se nos assalta e temos que buscar compreensões e aprender a conviver com os medos. Chega-se ao ponto, num determinado instante, em que começamos a pensar que o melhor para o paciente está nas mãos do Criador e que Dele virá a Verdade. Acredito (teoria da minha esposa) que, em casos assim, Deus dá esse penoso processo à família e aos mais próximos para que possam se preparar para o que irá acontecer.

Como amigos, estamos sempre ao lado para o conforto que os familiares necessitam. Servimos como apoio e como fornecedores da força que, no momento, afasta-se deles. Alguém já disse que a melhor parte do corpo humano é o ombro, pois ele é quem sustenta o amigo em horas difíceis. Devemos estar sempre dispostos a ajudar, a desempenhar o papel da cabeça mais racional naqueles tristes momentos. Não existe como mensurar a dor que os familiares estão sentindo. Nessas horas somos fitados(?) com olhos dirigidos a um horizonte perdido, somos apenas parte do ambiente. Mas a simples presença no local faz com que as pessoas saibam que pode contar conosco. Elas estão com os sentidos dirigidos para a sua dor e é da nossa alçada prestar-lhes assistência. A sua fragilidade emocional pode ser a porta de entrada para inescrupulosas pessoas que venham a aproveitar-se da situação. Infelizmente existem seres humanos que, nessas horas, aproveitam-se da confusão mental que domina os familiares.

A nossa dor, que logicamente existe, temos que deixar para administrar depois. Nós também estamos perdendo um ente querido. Sabemos o quanto aquela pessoa vai fazer falta nas nossas vidas. O futuro sem ela vai ser vazio. Qualquer que seja o número de amigos que se tenha, por razões inexplicáveis, aquela pessoa não será jamais substituída. A amizade é calcada em momentos únicos, individuais. Suas qualidades fizeram com que a ela destinássemos um sentimento especial. Todos nós temos um amigo que é o mais chegado, ou o confidente, ou o mais buscado, ou o que mais ouvimos. E, repito, o futuro será sem aquela pessoa. Seja qual for a razão que a tenha se transformado num amigo especial pra Você, aquela lacuna nunca vai ser preenchida. Mesmo que não queiramos, a nossa mente vai nos trair e faremos comparações, julgaremos.

O que podemos fazer, quando se perde um amigo, é reverenciar sua memória, mesmo que em silêncio. Com isso em mente, o respeito pela amizade que reinava, pela cordialidade e, até mesmo, pelas diferenças, estaremos sendo recompensados pelo tempo que juntos convivemos. A força superior que nos rege coloca pessoas nas nossas vidas que, pode ser que sem interferência das nossas razões, passam a ser necessárias para a nossa existência. Göethe deixou uma obra na qual criou um tipo de “super-homem” que se bastava a si mesmo, que não necessitava de amigos, companheiros ou de qualquer outra pessoa. Esse ser, simplesmente, deixou de existir, volatilizou-se. Não há como ser independente do mundo. Temos, todos nós, necessidade de um amigo, de um ser ao nosso lado.

Assim é que doeu-me muito perder o amigo do qual falei no início. A saudade que sinto dele é, em parte, amenizada pela convivência que mantenho com seus familiares. Como disse Wordswoorth, num dos seus romances: “NADA PODE NOS TRAZER DE VOLTA DO PASSADO A GLÓRIA, O ESPLENDOR E A BELEZA DE TUDO EM FLOR. E, EMBORA NADA NOS TRAGA DE VOLTA, NÓS NÃO CHORAREMOS, E CONSOLO ACHAREMOS NAQUILO QUE PASSOU”...

Guardo dele, o meu amigo que precocemente se foi, o melhor da nossa amizade. Para sempre!

DIFERENÇAS “IGUAIS”.

Quando estamos reunidos, em grupos de amigos, existem as diferenças, as peculiaridades de cada pessoa que não podemos deixar de notar. Embora seja nestas pequenas individualidades que se baseia a “graça” do grupo, não raras são as vezes nas quais a possibilidade de excesso pode comprometer a permanência de um ou outro naquela comunidade. Este problema pode ser mais aviltado quando a idade média do grupo é um pouco mais avançada.

Nessa fase da vida as pessoas já têm entranhadas em si alguns costumes, diversos “vícios”, certos modos de conduta que são quase que impossíveis de abandonar. Optam, no mais das vezes, por afastar-se do grupo para seguir com a sua maneira de viver. Não se trata, no caso, de julgar se estavam certas ou erradas no seu modo de proceder. Apenas acontecia que uma ou outra das suas características próprias não era aceita pelo grupo.

Para justificar o título da crônica, posso afirmar, baseado na minha própria experiência, que, se quisermos analisar mais detidamente a questão, certamente poderemos concluir que determinadas ações não aceitas pelo grupo irão encontrar outras, dos outros indivíduos, e que assim poderiam perfeitamente ser perdoadas. Se alguém é sempre irônico, por exemplo, existem os que desconfiam de todas as coisas que acontecem enquanto reunidos. A eterna capacidade de ser espirituoso de um pode perfeitamente compensar o indefectível costume de questionar tudo e todos. Uma necessidade constante de atenção própria de uma pessoa encontra, no seu “contrário”, a vontade inata de sempre querer ajudar. Da mesma maneira que existem aqueles com jeito para conduzir, em todos os grupos estão os que preferem (ou precisam) ser conduzidos. Embora antagônicas, essas “qualidades” são a verdadeira base da convivência. Quase que como uma lei da física, os opostos acabam se atraindo. Mas, numa outra perspectiva analítica, a coisa se complica.

Enquanto os “contrários” acima acabam se completando, o cruzamento das personalidades que não estão ali fazendo parte dos mesmos detalhes, os choques são mais evidentes. E, não raro, inevitáveis. Quando acontecem, os outros participantes encontram um dilema: que partido tomar? Estabelece-se, então as razões de um e de outro. Com a nossa natural e sempre presente parcialidade. Equalizar a questão é difícil. Afinal de contas, também somos portadores das mesmas imperfeições às quais me referi antes.

Na realidade, o que ocasiona estes pequenos “curto-circuitos” é o excesso. Se apenas vez por outra acontece algo com o que não concordamos, o deslize pode até passar em branco. Mesmo que a atitude tenha sido levada a cabo apenas para “agitar”. Se ela não é contumaz, acabamos passando por cima e seguindo em frente. Pode ser, até mesmo, que o “agito” esteja sendo necessário. O agente, no caso, tem que raciocinar sobre o limite da sua ação. Embora quase sempre a sua individualidade, a sua maneira de proceder, possa vir a turvar-lhe a compreensão e impedir o prosseguimento da coisa. Essa premissa baseia-se, sem sombras de dúvidas, no somatório de atitudes anteriores do seu “parceiro-alvo”, com as quais não concordou e estavam sendo colocadas num arsenal de mágoas interiores que, um dia, vem a tona. As conseqüências serão, então, um desastre. Podendo respingar nos que do episódio talvez nem tenham participado.

Mesmo que seja de uma dificuldade enorme, o melhor seria que o grupo pudesse estabelecer, com a participação de todos os seus integrantes, uma espécie de exposição de limites de cada um dos membros. Cada um deles deveria revelar, na ocasião, o quê é que o incomoda, quais são as coisas que são capazes de chateá-lo. Num aprofundamento dos temas, sem excessos, poder-se-ia, até mesmo, explicar um comportamento individual do(s) parceiros(s) que o esteja incomodando. Essa conversa franca repito, sem excessos, poderá ser muito benéfica para o grupo. Principalmente nessa hora não deve existir o “arsenal de mágoas” que tem que ser, obrigatoriamente, sufocado.

A melhor arma que o ser humano dispõe é o diálogo. Franco, respeitoso, leal. Há que se levar em conta o apreço que temos pela outra pessoa, a quantidade infinita de qualidades que ela tem, e que suplantam, em muito, um ou outro “defeitinho”.

Não podemos prescindir de um grupo. Escolhemos dele participar e temos que nos sujeitar às regras (mesmo que não estejam escritas) próprias dele. E que deve ter sido o motivo preponderante para que ele se formasse.

OS OLHARES E A FORÇA

Ainda que os seres humanos estejam caminhando para uma espécie de isolamento voluntário, para um individualismo por eles julgados necessário, por fatores como a segurança (física ou financeira), como a necessidade de vencer numa carreira ou mesmo por comodismo, ainda existem aqueles que se dispõem a ajudar aos outros, a doar-se. Esquecem-se, até mesmo, do seu conforto, da sua possível não obrigação de engajar-se e se entregam de coração a determinadas tarefas que, sem pessoas como elas, dificilmente seriam levadas a termo. O alvo do seu trabalho são as pessoas que se encontram em situações que, na maioria das vezes, delas não detêm o controle.

Todos passamos pela infância e, infelizmente, muitos são os pequeninos que precisam de muita ajuda para continuarem vivos ou com a qualidade de vida no mínimo necessária. Quantos olhares brilhantes e perdidos, nessa fase, imploram ajuda, pedem um pouco de carinho, ainda que o mesmo não venha acompanhado de um pedaço de pão. Os voluntários pensam nesses olhares e deles tiram razão para a sua força.

A vida não oferece a mesma oportunidade para todos os seres humanos. Quantos (ou quantas) chefes de família estão, neste exato momento, desesperados e sem saber como manter a família? O quê é que será colocado na mesa no almoço ou no jantar? Terão, pelo menos, uma mesa? Os olhares, nesse caso, são muito mais opacos e vazios. Cheios de desesperança, os mesmos podem ser dirigidos até para atitudes mais perigosas, menos socialmente aceitas. Nesses olhares, os voluntários enchem-se de força. Redobram-na, têm o seu motivo para prosseguir na luta.

E os idosos? Ah! os idosos. Uma vez, creio que em 1.967, li no umbral de um asilo, na cidade de Natal-RN, a seguinte frase: “Um velho que morre não é uma vida que termina e sim uma eternidade que começa”. Embora de uma beleza muito grande, a frase é má para com os velhos que todos nós, um dia, seremos. Há que se afastar do pensamento de qualquer pessoa a idéia da morte próxima. Principalmente daqueles que já se encontram na “melhor idade”. Costumo pensar que sinto mais pena desta categoria de necessitados do que das duas anteriormente citadas. Aqueles, bem ou mal, ainda terão chances pela frente, o futuro deles ainda pode ser mudado (os voluntários) apostam nisso. Aqueles têm, na pior das hipóteses, passado, presente e futuro. Alguma coisa de bom ainda pode lhes acontecer. Os nossos idosos, entretanto, não contam com mudanças que possam modificar suas vidas. O tempo lhes urge. Precisam, rápido, do AGORA. E o que é que se encontra nos olhares deles? Um constante passeio pelo passado, a incerteza do presente, a desnecessidade de pensar no futuro. Para esses olhares, incógnitos e vazios, os voluntários entregam a sua força.

Nós, que nunca descemos dos nossos pedestais de auto-suficiência, egoístas que somos e que não temos correndo nas nossas veias os genes do voluntariado, devemos a essas pessoas especiais, que são os voluntários, no mínimo um enorme respeito. Temos que a elas entregar firmes olhares de admiração. Somos obrigados a não atrapalhar ou dificultar o seu trabalho. A força que elas entregam na sua missão há de faltar-lhes em algum momento. Meros circunstantes que somos da situação, há de chegar a hora em que pedirão a nossa ajuda para que consigam prosseguir no seu trabalho. Seja porque sentem cansaço ou porque seus nervos estejam abalados com as mazelas da vida que viu. Nesse caso, vemo-nos obrigados a socorrer. É verdade que não estaremos, no caso, sendo “voluntários”, no máximo é porque não queremos ser incomodados com o sofrimento de alguém próximo a nós. E não deveríamos, pelo menos em tese, agredir essa pessoa especial com o quase sempre presente “Você está fazendo isso porque quer. Largue esse serviço. Para que ficar ajudando a quem Você nem ao menos conhece?”.

Mas acho que ainda dispomos de tempo para refletir sobre o que fazer. Naquele dia chato, por exemplo, em que temos que encher a ociosidade, não custa nada dar uma passada num local onde esteja sendo desenvolvida uma atividade de voluntariado (é impossível que Você não conheça uma pessoa que faça algo no gênero), nem que seja para tirar suas dúvidas a respeito. Quanto mais não seja, pelo menos o “alvo” da tarefa irá sentir que mais uma pessoa, um outro ser humano, sabe que ele existe. Talvez seja, quem sabe, o que lhe falta para também ajudar.

PREFERÊNCIAS GASTRONÔMICAS

Minha irmã mais nova, recém-formada em psicologia, e sabendo do meu gosto por cozinhar, disse da sua intenção de escrevermos um livro a quatro mãos. Eu trataria da parte culinária e a história das comidas, suas origens e os locais onde são consumidas (comidas típicas). Ela ficaria com a parte explicativa e técnica do porquê assim é. Estamos trabalhando nisto. Mesmo que não seja com a visão profissional da jovem psicóloga, vou aqui tratar da observação cotidiana que faço.

Qual seria a causa, por exemplo, de filhos da mesma família, criados juntos, cultivarem hábitos alimentares completamente diferentes quando chegam à vida adulta? Em qual momento apareceu a diversidade de gostos? Afinal de contas, foram servidos desde a tenra infância com os mesmos pratos, vindos da mesma cozinha. Na casa dos meus pais servia-se dobradinha (bucho, fato) e eu nunca gostei desse prato. Outras comidas, que eu julgava imperdíveis eram o suplício para alguns dos irmãos.

Quando nos tornamos “independentes” da casa paterna, então, vira uma Torre de Babel. Além de nos unirmos a outra pessoa, vinda de família distinta da nossa, com hábitos alimentares diferentes, a freqüência a restaurantes nos coloca em outro universo culinário. Novos sabores, novas tentações aparecem. A infinita diversidade de pratos nos é colocada no cardápio e passamos a navegar em outros gostos e novos sabores. Difícil é, nessas ocasiões, numa mesa com quatro pessoas, acontecer a completa coincidência de pedidos. A cozinha, repito, é a mesma.

Num acontecimento que reúne um número maior de pessoas, então, a coisa fica bem mais complicada. O anfitrião tem que saber as particularidades do grupo que irá receber. Mesmo se descartarmos o problema clínico de um ou outro (diabéticos, hipertensos), é obrigatório colocar-se uma opção do prato principal. Convide um casal onde um dos dois não aprecie (e/ou não coma) peixe e algo terá que ser preparado para aquela pessoa.

Mas, voltando às reuniões com grande número de participantes, a coisa fica difícil. Numa Associação da qual faço parte, tivemos uma noite de queijos e vinhos onde tivemos que servir cervejas a alguns convivas. Ao se preparar os pratos deve ser levado em conta que três ou quatro opções deverão ser oferecidas. Calcular a quantidade dos mesmos já é um outro (e enorme) problema. No meio de tanta gente sempre existirão aqueles que “comem de tudo”. E irão aproveitar a oportunidade para “satisfazer-se”. Outros, menos exigentes, intitulam-se apreciadores do “prato cheio”. Mas os mais difíceis são os que logo declaram: “Não comi e não gostei”.

É uma pena que assim seja. Como gosto de cozinhar, esmero-me em preparar pratos que não sejam do cotidiano, meu e da minha mais estreita turma de amigos. Gosto de inovar e aproveito essas ocasiões para oferecer novos temperos, pratos de outras regiões. As opções sempre estarão presentes. Mesmo que seja preparado o prato básico do Brasil, arroz, feijão e carne, alguém não vai gostar. Sigamos o barco, então. Preparemos a opção.

O mais engraçado de tudo é que, em determinados locais, como nos quartéis, existe o prato único e todo mundo dele se alimenta. As duras atividades da caserna exigem uma alimentação substanciosa, capaz de servir como lastro nutricional ao corpo que será exigido na rotina diária. O cardápio único pressupõe que em situações especiais (prontidões, conflitos onde os militares estejam envolvidos como força, com duração de muitos dias) os organismos deverão estar preparados para receber todo o tipo de alimentação. Excetuando-se o caso de dietas clínicas, a alimentação é única. Mesmo sem se gostar muito da comida, temos que consumi-la. Nessas ocasiões o cérebro parece que se sobrepõe às exigências das papilas gustativas. O corpo têm que ser alimentado e as vontades ficam para um segundo plano. Vejam os hospitais...

Mas, acima de tudo e de todos, é muito bom comer aquelas iguarias que fazem bem à nossa memória gustativa. Associamos gostos a ocasiões e lugares. Aquele camarão especial que foi comido em boa companhia, aquele vinho num inverno distante, a sobremesa possível enquanto não se era portador de diabetes. Comer com arte, então, é um dos grandes prazeres qua a vida nos oferece. Saber comer é muito bom.

Outra particularidade da comida é a hora e a companhia. Parece que o sabor se suplanta e que aquela hora não deveria passar. Deve ser desfrutada, então, por inteiro.

Bom apetite.

MINHA HISTÓRIA

Filho de um funcionário civil do Parque de Lagoa Santa, que com o seu parco salário educou – e muito bem – seus nove filhos, decidi que a carreira militar seria o meu futuro. Após prestar o 1º concurso, fui matriculado na EEAer em julho de 1962, formei-me Q-RT-TE e fui designado para servir em Canoas, no 2º ECA, hoje GCC. Aquela unidade aérea proporcionava serviços de controle aerotático e de comunicações em vários pontos do país, principalmente em locais onde não existiam unidades militares para aquela finalidade. Dali fui para o EMFA, deste para a Presidência, desta para a Base de Florianópolis e daqui para a Embaixada do Brasil em Bogotá. Retornei em 1997 e aqui passei para a reserva. A carreira que escolhi foi muito boa para comigo e, em nenhum momento, pensei em arrepender-me dela. Servi onde queria e não prestei, nem uma vez, concurso para o oficialato, embora condições não me faltassem.

Nesta minha caminhada eu vi muita coisa. Cheguei em Porto Alegre no auge da Revolução, em julho de 64. O ambiente ainda era tenso e ali começavam os meus verdadeiros primeiros passos profissionais. Nos meus 19 anos de então, eu já estava por conta própria e tendo que tomar minhas decisões e formar a minha personalidade. Como disse, minha escolha foi esta e eu resolvi que haveria de trilhar meu caminho com honra, com dignidade, com respeito, com honestidade e com amor ao meu País. O período que ali começou e durou até 1986 permitiu a este escriba observar as coisas que aconteciam a minha volta. Mudanças culturais, procedimentos sociais, formação de uma nova sociedade não me passaram despercebidos. Vi muita coisa certa e muita coisa errada. Dentro (em muitíssimo menor número) e fora da Caserna.

Mesmo pertencendo a um universo “diferente”, onde nem sempre se pode externar sentimentos e opiniões, consegui ser ouvido. Sempre! É lógico que buscava, para tanto, a via legal, a coisa factível. Embora fossem, principalmente de 64 a 86, mais difícil de serem aceitas por parecerem “sindicatos” (!!!???), as Associações Militares representaram o caminho natural para conseguir os intentos. Pertenci à do Corpo de Alunos da EEAer, ao CSSGAPA – Porto Alegre (diretor), ao CASSAB – Brasília (diretor e depois Presidente), Pelicano – Florianópolis (membro do Conselho), ADAMPEC – militares estrangeiros na Colômbia (diretor e depois Presidente) e atualmente faço parte da ASMIR-SC (militares das 3 Forças – assessor do Presidente) e da AMRAER (militares inativos da Aeronáutica – assessor do Presidente). Mantemos, ainda a OSTRA (casais que se reúnem para jantares mensais) e um grupo de jogos de salão (TACACÁ-CHÊ).
A atividade em Associações nos propicia, muito amiúde, a possibilidade de diálogo com autoridades do universo militar. Essa proximidade nos possibilita, depois de muito cuidado na elaboração das propostas, levá-las ao conhecimento de quem pode decidir a respeito das mesmas. Muitas das que apresentei hoje são realidade.

Na Colômbia consegui um aumento de salário para mim e para o Adido, depois de estudar a legislação que nos amparava. O Adido, em princípio, relutou, mas depois de dois ou três meses US$1,000.00 a mais estavam na conta de cada um.
Depois, aqui, escrevi uma carta a um dos Comandantes da BAFL solicitando que, já que eu descontava como 2ºTen para o FUNSA, eu acreditava merecer tratamento correspondente ao posto nas unidades hospitalares da Aeronáutica. Baseei-me no que já acontecia no Exército. O mesmo acontece com os Coronéis RR (tratamento como OfGen).

Utilizando-me das Associações, e em função da força das mesmas, já conseguimos a melhoria do Hospital de Guarnição do Exército e a construção do Hospital de Aeronáutica de Florianópolis. A pedra fundamental do mesmo já foi lançada e a verba já está destinada. A construção do Hospital das FFAA em Florianópolis (idéia primeira) continua na pauta do Ministério da Defesa. Em julho, possivelmente, iremos, os Presidentes da ASMIR-SC, da AMRAER e este escriba, em audiência com o MinDefesa, estender mais o nosso projeto do HFA-FL. E, na mesma ocasião, plantar a semente do Colégio Militar local.

Atualmente, aguardo resposta do Exmo Sr Subdiretor de Pagamento de Pessoal a respeito da solicitação que fiz a respeito de pagamento de diárias aos inativos que se deslocam para outras localidades para atendimento médico-hospitalar, em virtude da impossibilidade de tê-lo no local onde reside. A LRM não diferencia militares ativos dos inativos quando se trata de necessidade do serviço (a necessidade, no caso, é da Força).

Devido a essas atividades, digamos “extra-curriculares”, sou solicitado pelos amigos quando acontece algum “tilt” com a área médica aeronáutica local. E sempre conseguimos lograr intento.

Todos nós, eu e aqueles que estão lendo o post, temos a nossa história. Estou contente com a minha e, por isso, decidi abri-la para os amigos.

Quem sabe consigo aumentar o caudal daqueles que se dispõem a conseguir melhorias para a classe. Certamente com mais resultados.

UNAMO-NOS.

AINDA ESTOU AQUI, E AO LADO DE VOCÊS...

Meus amigos e irmãos.

Com as graças do Criador, estou de volta. Faço-lhes um breve relato do que aconteceu e as decorrências do meu problema de saúde.

Tendo me sentido mal às 15:45hs de 03/11, acionamos a HELP (um serviço particular de ambulância p/ atendimento médico de urgência aqui existente). Mensalidade: R$ 90,00 para este escriba, sua esposa e dois filhos maiores. Ao chegarem em minha casa foi que aconteceu o infarto agudo do miocárdio (vai ter sorte assim lá mais longe!!!). Eu mesmo liguei para a oficial-de-dia à BAFL que tomou as providências, junto ao médico de sobreaviso quanto ao local para onde deveria ser deslocado. A HELP levou-me ao Hospital de Caridade (convênio com a Aeronáutica) e fui prontamente atendido, tendo iniciado o processo de angioplastia por volta das 19:30hs. Das três coronárias uma havia sido completamente comprometida e nela fizeram a limpeza e colocaram o “stent”. As outras duas, com comprometimentos menores assim permaneceram. Devo passar por uma reavaliação em seis meses para ver o que deverá, então, ser feito.

Todo o processo foi acompanhado, a cada dia, 03 a 08/11, com a visita de um médico da BAFL que ali comparecia para ver se providências teriam para ser tomadas. Louvável o acompanhamento, essa responsabilidade ficou toda a cargo da Base.

A BAFL, através desse médico, responsabilizou-se pela internação, angioplastia e atendimento pós-cirúrgico. Em nenhum momento tive (eu ou a minha esposa) que preocupar-me com gastos imediatos.

Sei que as inúmeras demonstrações de carinho dos companheiros da nossa Tribuna, juntamente com a incondicional presença dos amigos aqui residentes (da minha família nem preciso falar) em muito ajudaram para que o Grande Arquiteto do Universo me concedesse mais algum tempo com vocês. Por mais que eu faça e agradeça, jamais vou poder recompensá-los pelo apoio.

Lições que vieram junto com o evento:

· Eu devia ter prestado mais atenção nos conselhos anteriores a respeito de hábitos como o cigarro, por exemplo;

· Foi bom estar ciente de como deveria ser o procedimento no momento, informando à oficial-de-dia e seguindo o que foi determinado;

· Valeu a pena, nesses últimos anos, estar buscando soluções para a área específica da saúde. Muita gente aqui da área tem procurado, juntamente com a BAFL, estabelecer os procedimentos a serem adotados. Somos uma comunidade, no caso particular de Floripa, bastante ligada à BAFL, o que torna possível a difusão de informações do nosso interesse.

Aos poucos e daqui para a frente, vou estar informando (o gerúndio do José Serra) coisas e detalhes que podem ajudar bastante nessa hora. Como integrante das diretorias das associações aqui existentes, já produzi um manual de orientações no caso de falecimento do militar, e as mesmas já fazem a distribuição deste material aos associados aqui residentes. Breve repassarei aos administradores do site para que possam disponibilizá-lo para download a que desejar. Embora possa parecer sombrio, penso muito no sofrimento pelo qual passarão as “novinhas” quando chegar a nossa hora. Devemos isso a elas e basta a dor da ausência que irão sentir com a partida do Companheiro. No manual explicamos passo-a-passo as providências a serem tomadas.

Reafirmando meus agradecimentos e colocando-me de novo na linha de frente, um ABRAÇÂO do tamanho do mundo.

AUGUSTO HELENO

Uma particularidade cerca o nome do personagem que hoje está em todos os jornais brasileiros. O General Augusto Heleno tem dois prenomes a indicá-lo como pessoa. Talvez até resida nisso parte da identificação que hoje temos com ele. Embora agora tenha se destacado pelo exercício da liberdade de pensamento, a ausência de um sobrenome como os mais usuais, cada um de nós, pedros, josés, antônios, carlos e luízes, nos sentimos um pouco ele.

O General cumpre a sua obrigação. O longo caminho preparatório que percorreu até chegar ao mais alto posto da ativa castrense o credencia a fazer o que fez. Se traçarmos um paralelo da sua atuação com outras carreiras, ele apenas expôs ao grande público uma situação que já é de fato. Escudado na coragem que é exigida do “ser militar”, ele não titubeou ao ser instado a falar da missão para o qual foi escalado para desempenhar. Com a demonstração do completo conhecimento a respeito do tema, o “Guerreiro das Selvas”, tal qual um Y-Juca-Pirama fardado, fez colocações claras, incisivas, determinantes e, como pede o “ritus militar”, conciso e preciso. Quando me apresentei como sargento à minha primeira unidade (o 2º ECA, em Canoas-RS) no escudo da mesma lia-se o lema “ESTA TERRA TEM DONO”. Nunca pude e nem pretendi afastar-me do que ali estava escrito.

Dentro das declarações do General apareceu uma frase que dizia ser o Exército feito para servir ao Estado, não ao Governo. Estas duas definições são geralmente embaralhadas pelo povo brasileiro. O Estado É, o Governo ESTÁ. Instituições perenes como as Forças Armadas não podem estar se adequando às instabilidades emocionais de um eventual governante. Quando eles chegaram as instituições ali já estavam. Se bem quisermos notar, o General apenas repetiu o que fez o Marechal Rondon décadas atrás. Até mesmo para não contrariar os princípios primários da formação de um país: não dá para existir uma nação dentro de outra nação. Esta coisa de respeito aos povos indígenas deve ser limitada à continuidade das tradições que cultuam. Não fosse por isso, como entender a riqueza hoje ostentada por alguns caciques? Sabemos que existem índios que avançaram nos estudos e hoje levam sua vida normalmente, como qualquer BRASILEIRO. A política protecionista que se quer empregar agora, tratando-os como seres menores, como incapazes de se auto-gerenciar, já foi parte da história. Não podemos pensar em retalhar o território brasileiro para destinar grandes nacos de terra para que eles possam ali destilar a sua preguiça, o seu “dolce far niente”. A ser assim, tratamento igual deveria ser dispensado aos afro-descendentes, que chegaram ao Brasil contra a vontade própria.

Deixemos dessa sandice de acreditar que são apenas índios os que estão focados nessas tais demarcações. Interesses espúrios escondem-se por trás dessas reivindicações. A imensa riqueza natural que se esconde no solo amazônico é alvo de muita cobiça estrangeira. Falsos “pastores” e “missionários” revestem-se dessas condições e escondem sua verdadeira atribuição: produzir verdadeiros tratados a respeito do que é que ali existe enquanto manancial de recursos naturais. Não vemos essas hordes de “humanistas” nas regiões mais áridas do planeta. Ora! vão catar coquinhos em suas terras.

O General esta certo! Governantes amadores devem (e têm que) ser, sim, questionados sobre a necessidade premente de se estabelecer uma política de proteção ao nosso país. Não basta a total alienação à qual estamos submetidos no campo da política? A “república do eu sou, eu faço, eu quero, eu mando” não pode passar por cima dos interesses nacionais. Assim como o governante tem obrigação de preocupar-se com uma ínfima (numericamente, esclareço) parcela da população, ele deve RESPEITO a outro nicho da sociedade que já fez muito por este país, podendo destacar muitas das realizações que hoje fazem parte da história de desenvolvimento brasileiro: as FORÇAS ARMADAS.

Respeite-nos, senhor presidente – continuo dedicando-lhe apenas minúsculas (e seu ministro carta-branca{!!!}, para que de nós receba o respeito que seu cargo pede.

Não que, atualmente, o senhor esteja a merecê-lo.

O QUE ANDA ACONTECENDO EM FLORIANÓPOLIS

Posto, desde já há algum tempo, matérias acerca das associações das quais dispomos em Floripa. A AMRAER, que congrega o pessoal da RR da Aeronáutica, a ASMIR-SC que reúne o pessoal RR das 3 forças e a O.S.T.R.A., um grupo menor, dedicado apenas a promover jantares de casais. Como esta última e a AMRAER ocupam-se da parte social, fazendo-o com muita propriedade e dedicação, a ASMIR-SC preocupa-se, um pouco mais, com a parte mais prática inerente ao pessoal. Sou integrante da diretoria das três. Na ASMIR-SC - permito-me falar sobre ela daqui para a frente (embora as ações da mesma sejam apoiadas pelas outras duas), encontramos dificuldades para o funcionamento "day-by-day", tendo em vista a nossa opção de não nos ligarmos geográfica ou financeiramente às unidades militares aqui existente. Tal providência nos desobriga de quaisquer compromisso com os comandos das mesmas, embora mantenhamos cordiais convivências. O recebimento de mensalidades é processado através da conta de luz. Ocupamos uma sala cedida por autarquia estadual que cede outras salas para associações congêneres, estas de militares da PM e do Corpo de Bombeiros. Recebemos, de cada sócio, a quantia de R$10,00 por mês. Pretendemos aumentar para R$15,00 (1% do soldo do 3S) no próximo mês de julho.

Destarte os percalços, entretanto, ocupamos o nicho existente para buscarmos soluções para a nossa gente. Conforme já postei aqui, a utilização da ASMIR-SC enquanto pessoa jurídica, já nos possibilitou a construção do Hospital de Aeronáutica de FL (o edital sai em 27 do mês em curso), a melhoria de equipamentos para o o Hospital de Guarnição do Exército local (que nos atende, também) e mais benesses pontuais, como o atendimento pelo SARAM de acordo com o posto para o qual se desconta e o lançamento da cartilha de orientações em caso de falecimento do militar. Algumas dessas ações partiram deste humilde escriba, mas não teriam acontecido sem o peso de uma associação a apoiar-me. Os melhoramentos advindos da idéia inicial em muito foram possíveis em virtude da colaboração de muita gente disposta a tentar fazer pelo bem da classe. Se mérito houve da minha parte, foi lançar a semente. Se o terreno não fosse fértil... (bíblico, não?).

Estamos buscando uma audiência com o Ministro da Defesa para o mês de julho. Tentaremos fazer com que aquela autoridade se inteire mais do que é que pensa o nosso segmento. Não vamos chegar ali com exigências imperativas. Podemos mostrar como é que pensamos. Nossa intenção é mostrar caminhos novos, alternativas possíveis. Pretendemos, por exemplo, reforçar a idéia da criação de uma quarta força, a exemplo do que existe na França, que administraria os interesses comuns das forças atuais. Mandamos essa idéia no ano de 2.004 (Ministro Viegas) e em janeiro passado o Min. Jobim esteve na França para sondar como é que funciona. Não podemos afirmar que ele foi em razão da nossa idéia, mas ela foi enviada ao Ministério da Defesa em 2.004. O caso é que nós, enquanto uma associação relativamente modesta, pensamos grande, queremos ajudar.

Estamos abertos às solicitações de informações a respeito do funcionamento das associações. Uma classe desunida sempre será vencida (li isso no Informativo do Exército). Resta a nós, então, caminharmos juntos na certeza de que estaremos construindo um futuro melhor.

PARA FALARMOS A MESMA LÍNGUA...

Estamos atravessando nós, os militares, um momento de ansiedade e de dúvidas quanto ao propalado aumento que nos foi prometido pelo Ministro da Defesa. Causa-me uma profunda estranheza a duplicidade de atitudes tomadas pelo governo com relação a algumas decisões a serem tomadas. A novela do aumento vem se arrastando desde o mês de julho de 2.007 e percorre um caminho difícil de ser entendido. Com a assunção de Nelson Jobim do cargo de Ministro da Defesa, recebendo do presidente (dedico-lhe apenas minúsculas), no momento da sua posse, carta branca para tomar as decisões que desejasse, instalou-se um sentimento de quase confiança na pessoa que se nos era colocada como chefe. Dotado de um possível saber jurídico, esperava-se da nova autoridade que ela procurasse assenhorar-se dos conhecimentos que a função nova lhe exigia. A sua carta branca tornou-se enodoada, visto que não conseguiu aprender os “segredos” e as particularidades da tropa. Mesmo na sua atuação nos problemas decorrentes da instabilidade do sistema de aviação brasileiro sua atuação foi pífia. Dependeu da capacidade de uma ou outra companhia atender ao mercado. Até esse segmento, todavia, já começa a demonstrar alguns sinais de desgaste, com a solicitação de demissão do brigadeiro que ocupava cargo na direção da ANAC, a única pessoa ali dentro que poderia falar em “aviação”, atividade-fim daquela agência.

Na área militar, mais um engano. Nos meses que se seguiram à sua posse, o Ministro Jobim entregou-se a uma série de viagens que pouco ou nada acrescentaram ao seu cabedal. Envergar uma farda não transforma ninguém em militar. Receber a continência em uma formatura em sua homenagem não é o mesmo que caminhar os primeiros passos dentro da caserna, realizando tarefas por muitos consideradas menores. Reunir comandantes militares em um gabinete não é o mesmo que enfrentar as adversidades do terreno em manobras de instrução. As informações a ele chegam de uma maneira exaustivamente filtrada. Nada há de desagradá-lo no ar condicionado da sua sala do 6º andar do ministério.

Deixando de lado a parte da caserna, o Ministro também não demonstrou qualquer noção administrativa concernente às Forças Armadas. Nenhum dos seus atos (supostamente embutidos na “carta branca”) provocou desdobramentos. A área mais delicada – o pessoal, está por demais preocupada com falta de definição do Ministro. Falta a ele, o pessoal, a confiança necessária no seu hipotético líder. Como confiar que, numa situação real, onde o emprego das FFAA seja inadiável e premente, que a decisão virá no momento preciso? Na situação atual, sem as pressas de um conflito, na tranqüilidade de um gabinete, o Ministro não consegue sequer resolver sozinho a situação dos vencimentos... Os outros “atores da novela”, como os Ministros Paulo Bernardo – Planejamento, Mangabeira Unger – Assuntos Estratégicos e Dilma Roussef – casa Civil, falam mais de Defesa do que o titular da pasta. Atolado que está nesta última pasta, o documento que trata do reajuste é uma incógnita. O roteirista do enredo, Nelson Jobim, encontra-se em viagem pelas repúblicas vizinhas, articulando um plano continental de ministérios da defesa. O perigo reside em que, algumas autoridades das repúblicas aí do lado podem ter acesso às notícias de que o mesmo não consegue, sequer, administrar o seu próprio pessoal.

Ora, senhor “Ministro”, dê-nos o imediatismo que necessitamos. Assim ,talvez, vossa excelência consiga o mesmo imediatismo da nossa parte, se e quando a situação assim o exigir. O talvez antes referido se baseia na interdependência que nos coloca no mesmo caminho. A confiança é via de mão dupla, assim como a lealdade. Dê-me, senhor “Ministro” e receberá minha contrapartida. Imediata, se vossa excelência assim o merecer. Sem necessidade de grandes estudos da minha parte.

TRABALHAR PARA A CLASSE.

Não posso negar que, após a conclusão de uma tarefa que me dispus a fazer, que me sinta um pouco envaidecido com os elogios que a mim são dirigidos. Ao mesmo tempo, no entanto, entristece-me a não descoberta, por parte de amigos, que eles têm a mesma, ou muito maior, capacidade do que eu para executar tarefas que deságüem no bem comum. Certo é que eles desempenham papéis não menos importantes. Talvez aí resida o sucesso de empreitadas que juntos abraçamos.

Como a nossa classe envolve pessoas com praticamente a mesma formação e o mesmo tipo de vida, é muito comum ver paralelismo nas nossas carreiras, nas nossas vidas. Embora distantes até o momento nos quais chegamos às associações, começamos a descobrir, a partir de então, que somos no mínimo parecidos. Temos ideais comuns, passamos pelas mesmas angústias, nossos filhos parecem ter corrido caminhos (e ter causado problemas) iguais, nossas esposas administram nossas casas de maneiras semelhantes. E nos unimos, nessas associações, para buscar alguma coisa que torne melhor a vida de quem delas participa, seja na atividade social, seja na vida prática. E, quase sempre, quem declinou de se juntar a nós recebe as benesses dos resultados.

O elo que nos identifica talvez seja a capacidade de doação que nos impulsiona. De outra maneira, difícil seria explicar o compromisso que se assume para procurar soluções. Muitas das vezes somos obrigados, até mesmo, a questionar conceitos próprios que temos sobre um ou outro assunto há um bocado de tempo. Reprisando uma frase que escrevo com freqüência, sabemos abandonar o individual em benefício do coletivo. Perdemos algumas horas durante a semana para procurar soluções que, nem sempre, sejam boas apenas para nós e, até mesmo, que não nos atinjam. Invariavelmente, todavia, a consecução do objetivo sempre nos deixa satisfeitos.

Para dizer das sensações que sinto em desempenhar, junto de amigos que se ocupam do mesmo fim, destaco a principal delas: estamos num grupo de PESSOAS DE BEM! As divergências de pensamentos e opiniões que eventualmente surjam, fazem parte da convivência, das poucas diferenças que existem entre nós. A MAIORIA sempre vence e. com ela, sempre nos regozijamos com a conquista da RAZÃO. Mesmo que nossos pontos de vista sejam contrariados, no final das conversas estamos fazendo parte do grupo que DECIDE.

Pensei em escrever essa crônica para que vejam como eu me sinto, verdadeiramente, em relação ao grupo no qual me aceitaram. Tenho orgulho de trabalhar com Vocês. Cada dia que desfruto ao lado de cada um me faz aprender, me transforma num ser humano melhor. Voltando ao primeiro parágrafo, por exemplo, os trabalhos que faço vêm de idéias que partiram de um ou de outro. Eventualmente, pode ser que eu contribua com um palpite, com um acréscimo. No dia em que alcançarmos, na plenitude, a força que juntos representamos, dificilmente seremos vencidos. Depende apenas de cada um dos indivíduos que formam as associações para estabelecermos onde queremos chegar. A força de vontade com a qual nos atirarmos em um projeto fá-lo-á factível. Já se disse que “ o impossível pode se tornar difícil e o difícil, fácil”.

Uma ou outra peça, neste saudável jogo de xadrez que formamos, poderá ser mudada. Permanecerá perene, entretanto, o foco central da nossa missão. Estaremos sempre, lutando pela busca de ideais, pela consecução de objetivos, pela melhora de todos enquanto ASSOCIAÇÃO.

EU HOJE CONHECI ILANA...

Certas pessoas nos aparecem do nada e, aparentemente, sem um motivo que justifique tal “intromissão” em nossa vida. Hoje, por exemplo, aconteceu comigo.

Vindo para o centro da cidade, foi-me oferecida uma carona por um grande amigo, o Ângelo, um engenheiro com quem troco idéias há algum tempo, principalmente acerca de um projeto no qual estamos envolvidos: a construção de um hospital militar em Florianópolis. Após a minha entrada no carro, fui apresentado aos filhos do meu amigo e, nos poucos momentos que duraram a pequena viagem a conversa correu solta. Desembarquei no centro e a jovem Ilana também desembarcou ali.

Nas poucas centenas de metros que caminhamos juntos, do local onde desembarcamos até o meu destino no centro, continuamos a conversar. Expliquei a ela a origem da minha amizade com seu pai (a construção do hospital) e ela, em princípio e por questões ambientais, disse não concordar com a obra. Com a contraposição do meu argumento de que, levando-se em conta a relação custo benefício, Ilana foi condescendente e reconheceu que as vantagens a serem obtidas talvez venham a justificar a construção. Não fez esforços e creio que não tenha abandonado seus princípios para aceitar a idéia que, até aquele momento, não via com bons olhos.

Além da natural empatia que senti pela jovem, por ser filha de um amigo, chamou-me a atenção sua invulgar inteligência e capacidade de expressão, de uma rara clareza. As palavras, tanto da sua parte quanto da minha, saiam rápidas, com vontade de colocarmos idéias na conversa. Fiquei sabendo (ao perguntar-lhe sobre sua formação) que tinha iniciado o curso de medicina tradicional e, após algum tempo, optou por meios mais, digamos, orientais daquele ramo. Chamou-lhe a atenção a acumpuntura e a medicina natural, oriundas da China e da Índia. Está se desenvolvendo nesse campo e, pelo pouco que conversei com ela, acredito que está se formando, naquela frágil jovem, uma profissional de futuro, responsável que se me pareceu.

Outro ponto que destaco foi a nossa uniformidade na maneira de pensar, a confluência de maneiras de ver o mundo e suas coisas. Um cara de 64 anos, conversando com uma quase menina de 24, 25 anos, pensando parecido. A natureza das minhas amizades, pessoas da minha faixa etária e de nicho social muito afim, conduzem minha maneira de pensar. Como tenho o saudável hábito de conversar muito, as pessoas que me cercam influem na condução da maioria dos meus pensamentos. Tenho, em virtude desse intenso relacionamento e embora com uma variada gama de assuntos, uma natural restrição de conhecimento do que anda verdadeiramente acontecendo com o pensamento jovem, o que pensa essa geração que aflora nos dias de hoje. Quando muito, colhemos as impressões mútuas sobre o que achamos que eles pensam, ou nos motivos que os levam a agir como agem. Esquecemo-nos, ou nem mesmo pensamos nisso, de saber o quê é que se passa nas cabeças deles. Com as palavras e colocações deles próprios. Não sei se é por falta de oportunidade (como a excelente que tive hoje), de interesse ou de impaciência – de ambos os lados, mas não estamos ouvindo a “outra margem do rio” e nem nos dando a conhecer. Impera, talvez, um medo da exposição?

Acostumamo-nos, por exemplo, a reclamar da incompreensão que campeia entre as gerações. Mas o que é que andamos fazendo para mudar tal “status-qüo”? Abrimos nossas portas para permitir a entrada de alguém que talvez não pense como a gente? E, se as abrimos, somos autênticos? Podemos ter o direito de achar que corremos o risco de esbarrar no ridículo? O quê será, pensamos, que irão pensar os circunstantes de uma animada conversa entre um cara de 64 anos e uma bela jovem (é bonita, a Ilana) pelas ruas da cidade? Esses preconceitos impedem, também a existência de oportunidades para acontecer o que hoje se passou comigo. Bom que eu não perdi a oportunidade.

Prazer em te conhecer, Ilana. E obrigado pelos poucos (mas proveitosos) momentos nos quais pude conhecer alguém que, apesar dos 40 anos que nos separam (ou seriam os 40 séculos que Napoleão, sobre as pirâmides, disse que nos contemplam?) conseguiu surpreender-me muito positivamente.

Meu abraço e meus respeitos.

OS MILITARES E A SOCIEDADE.

Ainda há pouco, num restaurante onde almoço seguidas vezes, no centro de Florianópolis, ouvi, e meio que participei, de uma conversa entre o dono do estabelecimento e um outro cliente seu, um senhor que encontro várias vezes no local. A conversa girou, como não poderia deixar de ser, sobre as eleições municipais e seu segundo turno.

Aquelas duas pessoas, sem a menor ligação com o universo militar, tendo como único conhecido no meio castrense este que escreve, demonstraram um enorme descontentamento para com a classe política do país. De vez em quando (quase sempre) é muito bom conversarmos com pessoas de outras origens e de outras áreas de atuação na sociedade. Serve para colocarmos em ação o nosso filtro de idéias e tomar conhecimento sobre como anda o mundo aqui fora.

Corremos um sério risco de nanismo cultural se nos restringirmos a apenas um segmento social para trilharmos nossos caminhos. Fazemos parte de um grupo de pessoas que quase sempre se reúnem formalmente em torno de atividade ou interesse comum, com assuntos quase sempre ligados à caserna, pois dela afinal somos oriundos. Essa uniformidade de pensamentos termina por formar em nós conceitos que, se repetidos, passam a formar parte de uma realidade muito aceita por todos nós.

Parece, nos dias atuais, que estamos sendo empurrados para o nosso canto, para a nossa colocação social. Devemos lutar contra esse isolamento para o qual estão nos levando. Somos obrigados a nos integrar à sociedade e dela fazer parte ativa. Não temos o direito de legar aos que nos sucederem um lugar apenas pretensamente formador de uma casta.

As associações militares devem fazer constar em seus Estatutos Sociais e Regimentos Internos a obrigatoriedade de integração com o meio civil, com a sociedade onde se encontra inserida. Afinal de contas, como BRASILEIROS, também somos responsáveis pelas coisas que tenham como finalidade melhorar a sociedade como um todo. Nossos pensamentos e atos devem estar sempre voltados para um futuro melhor, livre de desigualdades.

Uma das maneiras de se conseguir esse objetivo é saber como pensam as outras pessoas, quaisquer que sejam suas atividades. A integração tem que fazer parte das nossas ações diárias. Isolando-nos não conseguiremos avançar muito. Pensamos, por exemplo, em eleger "alguém do meio". Concordo. Não há, todavia, como se esquecer que, ao chegarmos ao posto pretendido, estaremos no meio da arena, no centro do palco. O que nos obrigará, certamente, a pensar também nas outras camadas da sociedade na qual vivemos.

As decisões acerca de projetos que envolvam as outras pessoas dependerão da assinatura de quem detiver mandato. Para que se faça a coisa com justiça, teremos que saber-lhes das necessidades e dos seus anseios.

Acho que temos que modificar um pouco o conceito de que temos que colocar alguém nas casas legislativas apenas para defender nossas reivindicações. Se assim agirmos, estaremos procedendo exatamente como aqueles a quem condenamos. A função de um legislador que faça parte de uma classe é informar aos seus pares a respeito das particularidades daquela classe, sem se esquecer de ouvir sobre os detalhes acerca dos outros brasileiros que ali estão sendo representados. Pensando apenas no maior beneficiário do seu voto parlamentar: o BRASIL.

COM PRESSA DE VIVER

Eu conheci Ingrid ainda muito menina. Uma identificação dicotômica, vinda não sei de onde, logo se formou entre nós, ignorando-se a longa diferença de idades – afinal de contas, são 47 anos de um abismo que poderia existir entre senhor que escreve e aquela criança. Sempre existiu, a partir dali, um sorriso fácil para ambos.

Atravessou alguns períodos que devem ter sido muito difíceis para ela. Nunca tocamos no assunto, mas ela sempre soube que eu estava aberto para ouvi-la. Essa cumplicidade muda e surda deve ter feito parte do nosso relacionamento, estando sempre presente nas muitas vezes nas quais nos encontrávamos. Das primeiras brincadeiras – trocas de nomes, desafios de inteligência, até os dias atuais, sempre fizemos questão de “alfinetar” um ao outro, de desafiar os parâmetros de experiência e de espirituosidade. Nunca deixamos, na presença de quem quer que fosse, de nos testar.

Hoje Ingrid está saindo da adolescência e logo, logo, irá enfrentar a vida adulta. Sinto que ela tem uma famélica pressa de viver, de buscar o que a vida lhe reserva. Os acontecimentos que o futuro reserva à minha amiga são para ela um mistério que tem que ser desvendado. Ela procura adivinhar minhas razões sobre os mais diversos assuntos, talvez procurando uma vivência que ainda não tem. Suas colocações sobre qualquer coisa que esteja acontecendo vêm acompanhadas de uma urgente colocação de respostas, de comentários. E eu caio nessa rede, não sem dedicar o mesmo tratamento. Lá pelas tantas chegamos a um consenso, concordamos um com o outro e ficamos esperando a próxima oportunidade de aprender.

Sinto-a espreitando a vida. Observa tudo o que acontece ao seu redor, em todas as ocasiões nas quais nos encontramos, na sua imensa maioria compostas de reuniões com amigos da minha faixa etária, e lá está Ingrid aprendendo, buscando informações, sabendo da vida. Como em todos os grupos, a minha turma tem seus problemas, suas vivências. Acredito que a minha amiga esteja conseguindo filtrar o que acontece ao seu redor. Reserva, certamente, aquelas coisas que possam proporcionar-lhe felicidade e vai aprendendo que o que há de ruim está sempre pronto a se nos apresentar. Sua convivência com estes bem mais velhos é uma oportunidade que está tendo de ver desfilar, diante dos seus olhos, as coisas que compõem a Escola da Vida. Até mesmo deve estar vendo que não é vantajoso ter pressa de viver.

Na flor da idade na qual se encontra, por volta dos dezoito, Ingrid deve aprender a aproveitar os momentos do agora, as coisas boas que o vigor da juventude ainda lhe oferece. Nas oportunidades que desfruta convivendo com pessoas da sua faixa etária e as da minha, ela certamente vai encontrar o porto de equilíbrio, a maneira de experimentar sem possibilidades de provocar graves conseqüências, o modo de prosseguir sua jovem vida sem medo de plantar uma semente que gere um arrependimento no futuro. Sua capacidade de “ver” as coisas está a lhe oferecer essa oportunidade.

Digo, em minhas conversas com o sexo oposto (irmãs, sobrinhas, conhecidas) que não existe amizade de homem por mulher – o que há é um implícito outro tipo de interesse. Entretanto, de alguns dias para cá, estou revendo este meu conceito. E, coincidentemente, num muito curto espaço de tempo, estou nominando de “amigas” duas jovens inteligentes, bonitas, espirituosas. Passando por cima das suas aparências e buscando-lhes o quê de bom há (para mim) no seu ser: a sua identificação para com este jovem senhor de 64 anos, cuja idade cronológica em muito suplanta aquela na qual se encontra o seu pensamento. È, em tese, aonde Ingrid quer chegar.

Sem deixar de sentir que o passado, sem dúvidas, é muito melhor do que o futuro.

Por essas e por outras, se ela me pudesse ouvir e compreender, eu lhe diria para não ter pressa, para deslizar calmamente pela vida que hoje leva. Ela tem que aproveitar o momento, fazê-lo melhor, transformando esse dia presente numa grata recordação da qual irá tirar grande proveito, um dia, no grande futuro que suas experiências, certamente, irão moldar na caminhada da minha jovem amiga.

Um beijo.

DE POUSOS E DE CRISES...

Mandou-me o meu Amigo e Irmão Ademar Vaz de Moura - figuraça, de Campo Grande-MS (não o vejo há mais de 40 anos, mas sei-o muito bem, graças à Internet - falamo-nos sempre), um e-mail com um vídeo de um pouso em Guarulhos num daqueles dias de visibilidade zero. Aos pilotos que sabem como se passa (e já viveram muito) a situação, rendo minhas homenagens.

Aos menos voados (voei de contrapeso mais ou menos 1500 horas), é interessante ver como a coisa acontece: o avião está sobre uma densa camada de nuvens, na paz que só o céu pode oferecer. Aquele lençol branco estende-se até o horizonte e não se vê absolutamente nada no solo. De repente e aos poucos, o avião inicia sua lenta e programada descida por dentro da camada. Um bom tempo se passa e quando menos se espera (nós, os leigos), a aproximação se completa, revelando a visão das luzes de cabeceira, com a aeronave a uns 100 metros do solo e a uns 1000 metros da pista. Toca, finalmente e em segurança, a pista de Guarulhos. Ainda sob densa neblina, a ponto de não se poder enxergar os prédios que compõem o complexo aeroportuário.

Gosto das analogias e pretendo comparar essa passagem com o atual momento brasileiro e mundial, onde foi passado para o nosso povo que tudo (e nunca antes na história desse país) aqui está acima das nuvens, naquele céu de brigadeiro que dali se vê. O avião não chacoalha, o úmido lençol de nuvens está bem abaixo de nós, e apenas imaginamos quem (os outros povos) está ali naquela camada. Como meros passageiros, voamos (hipoteticamente e nas palavras das nossas autoridades) acima do desconhecido, sem ver o que acontece no meio da crise e o que se encontra abaixo (ou depois) dela.

Quando ingressamos na densa camada (na crise) ficamos torcendo para que a tripulação saiba o que está fazendo. Mesmo sem conhecer o Comandante temos que confiar nele. Não sabemos como foi sua noite anterior e o que pode ter-lhe ou não alterado o ânimo.

Sabemos que existe, tanto na tripulação quanto no incontável número de pessoas em terra que possibilitam a tranqüila aterrisagem, gente (de qualquer escalão que seja - do controlador de vôo ao cara que tem a responsbilidade de manter a pista sem problemas) de preparo necessário (será mesmo?) para a consecução do objetivo - atravessar a camada (crise) e obter o pouso seguro. Mas, laicamente imaginando, é-nos incerto o que está acontecendo durante a nebulosa travessia. Resta-nos, repito, obrigatoriamente confiar naquele que detém o poder do manche.

Quando finalmente se consegue divisar as repousantes e acalmantes luzes que antecedem a pista, podemos suspirar aliviados. Para que isso acontecesse, aqueles que compõem o mini-universo que possibilitam um pouso seguro precisam ter feito o seu trabalho com muita competência. Ao mesmo tempo que a nossa aeronave está dentro da camada, outras (os outros países) estão tentando, ao seu modo e com os meios dos quais dispõem, poder divisar a pista. De acordo com a capacidade de desempenho de cada uma delas a descida (o atravessar da crise) será mais ou menos problemática. Aviões grandes (nações ricas) devem ter, em tese, menos solavancos até chegar ao solo. Dependendo, é lógico, da qualidade do mini-universo de pessoas do qual dispõe.

Mas, não se pode esquecer, em momento algum, que as decisões do comandante durante a descida é que vão garantir o pouso em segurança.

Como faço sempre que estou sendo transportado num avião e encontro-me em situações de densas camadas abaixo, estou tendo, nos dias atuais, a minha conversinha particular com o Grande Arquiteto do Universo, pedindo que a travessia se dê sem atropelos e que consigamos chegar bem à terra firme.

Aos pilotos que porventura se arriscarem em perder alguns minutos para "atravessar" este texto, peço desculpas pelas comparações, mas o comandante da nossa aeronave (do Brasil) tem o manche nas mãos.

Abraços.

MEUS PÉS DE JASMIM-MANGA

Plantei, tempos atrás, no jardim da minha casa, um pé de jasmim de manga. Sabia e tinha toda a certeza de que teria uma árvore de porte, com flores resistentes, de doce perfume, com o centro delas em um amarelo em tom pastel, clareando para as bordas e de um suave quase branco nas pontas. Belas, as flores parecem feitas de plástico.

Eu tenho uma boa relação com a minha árvore. Gosto de sentar-me debaixo dela para ler minha revista semanal. Generosa e farta em folhas e flores durante grande parte do ano, ela perde todos os pendulifólios e pendulifloros no auge do inverno para, depois, voltar com toda a força no início do verão. Acredito que ela tenha um acordo tácito com a natureza, dando-me sombra no verão e deixando o sol passar completo por entre seus galhos quando o tempo está mais frio. Quando as folhas começam a cair, eu as recolho todas, assim como faço com as flores, que despencam ainda viçosas. Deixo que ela reine absoluta no pedaço de gramado no qual habita.

Algum tempo depois plantei por ali uma irmã da espécie, esta com flores de uma cor que não é primária. Elas não são somente “vermelhas” ou “cor-de-rosa”. Para descrever a cor tenho que usar mais de uma palavra, pois pode ser que seja púrpura intensa, numa aproximação entre o vermelho e o rosa. Um certo tom “baton” Estranhamente não é pródiga em perfume com a sua parente e vizinha. Mas é, também, uma bela árvore.

Embora não me considere dono desses vegetais, tenho uma espécie de poder sobre eles. Posso podá-los, dirigir-lhes o crescimento e dar-lhes a forma que eu quiser que tenham. Dou-me o direito, até, de tentar mudar-lhes a individualidade que possuem. Estou, no momento, na fase de tentar enxertar pequenos galhos daquela que produz flores púrpura na sua parente mais antiga. Não tenho nenhum conhecimento de como se faz isso, mas a cada ano tento modificar a natureza. Como ambas possuem um caule e uma casca leitosos, parece-me ser possível manter um pequeno galho vivo na planta que o irá receber. Sei que um dia vou conseguir.

Elas seguem ali, apenas cumprindo o que o seu “destino vegetal” a elas legou.

Permito-me, nesse ponto da conversa, estabelecer uma relação do que estou fazendo com as minhas árvores o que, quase sempre, tentamos fazer com os que nos rodeiam. As outras pessoas têm sua maneira de ser, o jeito próprio de cada um levar a vida. Nós, num até meio que inconsciente sentimento de “posse”, tentamos modificar os que nos são caros, para que sejam o mais parecido com aquilo que consideramos ideal “para elas”. Uma ova... Projetamos o que elas poderiam parecer de melhor para aquilo que queremos e não lhes respeitamos a individualidade. E toca a tentar modificar o outro. Damos palpites, demonstramos descontentamento, corrigimos, expressamos até mesmo o desprezo ou a indiferença se elas não estão como desejamos. Mas, sejamos justos, acredito que a recíproca, no caso, é verdadeira.

Mas é difícil. Se as coisas não estão como as imaginamos, a última providência que adotamos é compreender-lhes as razões, conceder-lhes o direito de ser como são. No íntimo, todos queremos o que é ideal apenas para nós. Coisa triste o ser humano.

Até mesmo para pensar como estou pensando agora: vou continuar tentando que o meu pé de jasmim de manga de flores brancas possa, um dia, produzir também flores de cor púrpura. E, se possível com o mesmo perfume...

Serei mais feliz com isso? Egoisticamente, penso que sim...

DE SOBRENOMES

As letras, quando as juntamos, podem provocar as mais diversas sensações. Se nos trazem boas novas pensamos até em reler o que recebemos e, mesmo quando não gostamos do que nos enviaram, fazemos uma releitura para ter certeza de que “tiveram a coragem” de fazer aquilo.

Numa particular situação, entretanto, as letras que formam determinadas palavras nos traz uma indagação que perdura por algum tempo: é quando elas formam o nosso sobrenome. A curiosidade, caso não conheçamos o portador do “apellido”, faz com que nos sintamos desejosos de saber de quem se trata, como é a pessoa que “ousa” carregar uma coisa que julgamos nossa e dos nossos parentes mais próximos, aqueles que conhecemos. A Internet hoje nos rouba um pouco do mistério que poderia se formar a respeito daquela pessoa. No mais das vezes conseguimos alguma resposta sobre um ser que nos era desconhecido.

Como sou identificado com um sobrenome incomum (modestamente deveria dizer “pouco comum”) a natural pesquisa à qual me entrego sempre me traz resultados dos mais estranhos possíveis. Afinal de contas, nem todo mundo carrega a “imensa responsabilidade” de ser um “PETROCCHI”. A busca, todavia, traz respostas que nos deixa ainda mais curiosos. Procurando no Google, encontrei as mais diversas personalidades, quais sejam: um oficial da reserva da Força Aérea Argentina, hoje dedicado à fabricação de ovo em pó – exporta para o Brasil, inclusive; naquele mesmo país, existe um cara que está na cadeia por ter assassinado um jovem; ainda ali, alguns operam na área de combustíveis – Estación de Servicio Petrocchi (posto de Gasolina); na Bolívia um Petrocchi é praticante de motocross; nos EUA existem advogados com a ilustre linhagem.

Mais ao nosso alcance, no Brasil, encontramos as mais diversas incursões familiares em áreas bastante diversas: odontologia, militarismo, informática, aviação, turismo, comércio dos mais diversos ramos, farmácia, ensino, jornalismo, ourivesaria, engenharia e arquitetura, artes, finanças, direito, ciências biológicas, algumas incursões pela política e enfim, estamos em quase todos os campos do conhecimento humano. Poderíamos formar uma nano-república só com pessoas que se atrevem a carregar esse sobrenome. Aliás que, etimologicamente, pode ser traduzido como “olho de pedra”, salvo melhor juízo.

Conta a lenda que o primeiro Petrocchi teria sido um tal de Pietro Occhini que, no ano 1242, para tentar manter-se incógnito (qual teria sido o motivo?) mas sem perder a referência, juntou aqueles dois nomes formando o atual.

Nos dias atuais é muito comum que as filhas, contrariando o costume brasileiro de “carregar” apenas o sobrenome paterno, estejam passando para os seus descendentes este último mais os sobrenomes dos maridos para os herdeiros. O que não deixa de ser uma demonstração de orgulho para com suas origens.

Numa determinada ocasião, quando alguém grafou o meu nome erradamente, após ter sido corrigido por mim, questionou sobre a causa da imensa questão que eu fazia em ver o nome corretamente escrito, eu lhe disse que era LINHAGEM. Como a pessoa não entendeu, disse que eu sabia EXATAMENTE como e quando o meu sobrenome tinha surgido. Embora não tenha dito a ela, obviamente, as razões do surgimento.

É por isso que eu gosto de encontrar, nos mais diversos meios, o meu sobrenome escrito ou falado. Minhas curiosidades serão, certamente, satisfeitas. Além de, é claro, dizer tudo o que sei a respeito dos “Petrocchi’s da vida”.

Um abraço.

DE NATAL E DE ANO NOVO

Na nossa faixa etária, nessa época do ano, costumamos fazer uma retrospectiva sobre o quê fizemos nesse lapso de tempo denominado "ano". Que, invariavelmente, refletem as experiências e vivencias acumuladas por cada um de nós.

Mais vividos, não considero que estejamos na velhice, terceira idade ou coisa que o valha. Tais rótulos, não sei por quem inventados, na verdade querem nos colocar como aqueles que já não estão contando na sociedade, como quem já não decide, com apenas parte de estatísticas. Recuso-me a ser apenas um número, parte de um índice. Ainda tenho muito a fazer e, por enquanto, continuo produzindo.

Tentei, nesse último ano, melhorar como ser humano. A ajuda que pude oferecer aos que me cercam (mesmo através da internet) não tirou nenhum pedaço do meu corpo e nem me fez sentir maior ou melhor do que aqueles que deixaram que eu pudesse crescer auxiliando-os.

Procurei ser mais tolerante, buscando entender as razões dos outros. Fiz de tudo para não invadir direitos, ultrapassar limites (próprios e alheios). Descobri que não é difícil atender às expectativas dos que nos são próximos. Podemos ceder nos nossos conceitos (ou preconceitos?) para que possamos nos adeqüar ao meio que freqëntamos. Não podemos continuar esperando que o mundo seja como queremos. A nossa obrigação, essa sim, é fazer de tudo para que o mundo seja melhor, mesmo que não seja com a forma que esperamos. Tenho para mim que a humildade é a mais difícil das virtudes. E ela não é fácil de ser exercida. Mas somos obrigados a tentar.

Às vezes nos vemos em situações que exigem um pouco a mais do que pensamos ser da nossa alçada. Exceder essa auto-limitação é que nos faz sentirmo-nos integrantes de um pequeno universo, capazes de desempenhar um papel que a sociedade espera dos seus membros.

O que pude fazer nesse ano, pensando em tentar melhorar o nosso mundo de militares inativos, foi atuar o máximo de tempo possível junto às nossas Associações. O tempo "disponível" que tive, empreguei-o totalmente em favor das mesmas. O retorno veio. Não do jeito que, talvez, eu esperasse. Mas as melhorias conseguidas estavam, e estão, dentro do que era factível. Se não veio do jeito que pretendi, pelo menos veio boa parte do que pensei ser o ideal. O que está faltando depende apenas da minha disposição - o que tenho de sobra.

E estou me sentindo bem com o trabalho. Sentir-se necessário é sentir-se vivo, atuante. Sei que alguém deve criticar a minha atuação, não concordar com a ferrenha vontade com a qual me entrego ao que me propus. Talvez não entendam a minha necessidade de pensar em "ajudar". O que podem não estar compreendendo é que o maior "ajudado" sou eu. O maior beneficiado é aquele que pode ajudar, aquele que tem a possibilidade de estar contribuindo sem esperar retorno, reconhecimento. Estar bem comigo mesmo me dá essa condição.

No início dessas atividades perguntei à minha esposa se ela não se incomodava que eu passasse todos os dias úteis vindo para a ASMIR-SC e para a AMRAER. A resposta dela não poderia ser melhor: disse que achava bom, pois eu estava fazendo algo que sabia fazer, que gostava de fazer e, o que é mais importante, estava produzindo e conseguindo resultados. Essa resposta me deu a certeza de que estou junto a alguém que me ama e compreende.

Por isso é que vou continuar trabalhando. Para tentar fazer o meu (nosso) ano cada vez melhor. Para chegar nessa época de introspecção e ver que valeu a pena. Para não me sentir "terceira idade", inútil. Meus 64 anos não pesam negativamente - apenas denotam que tenho bagagem. Que me foi oferecida pela vida e que tenho que à ela retribuir. Pensando em melhorar, pensando em fazer mais no novo ano que se aproxima.

Por isso tudo, meus AMIGOS (todas maiúsculas), é que agradeço a oportunidade de poder conviver com todos.

Desejo um Feliz Natal pleno de alegrias e sonhos preenchidos. Um Feliz Ano Novo e realizações que se cumpram. Que suas famílias alcancem a felicidade que todos queremos para elas.

Um grande abraço.

FALANDO (E OPINANDO) NA RESERVA

Realmente é bastante complexa a situação de um militar que, ao ser transferido para a Reserva, disponha-se a falar sobre as coisas da Instituição à qual pertenceu durante boa parte da sua vida.

Acredito que se fizermos uma análise acurada do que se passa na ocasião, poderemos encontrar as razões pelas quais o HOMEM (ou a MULHER, com respeitos às integrantes dos quadros femininos) apenas fala quando atinge a condição de inativo (poderíamos encontrar outra palavra para definir essa nossa situação). Vamos por partes?

1º - Normalmente as pessoas que ganham a projeção para que suas palavras repercutam, são aquelas que já atingiram a maturidade suficiente para que sua mensagem seja coerente.

2º - O atingimento dessa maturidade ocorre quando o HOMEM (idem) já passou por todas as fases possíveis da sua carreira, tendo atingido o topo ou estando próximo dele.

3º - O caminho que trilhou, quase na totalidade dos casos, implicou na constituição de uma família, pessoas que dependeram dele, que nele tinham o provedor e o líder.

º - Em sã consciência nenhum de nós pensou em um recomeço profissional aos 40/45 anos de idade. Os que do militar dependem significam um sério detalhe na hora em que for decidir se "joga tudo pro alto" e resolve se vai ou não "botar pra quebrar".

5º - A decisão em tela pressupõe escolher entre a LIBERDADE (individual, em função do que pensa) e a SEGURANÇA (própria e dos familiares, tendo em vista a possibilidade de perder-se o elemento -a ocupação - propiciador da fonte de manutenção da família).

6º - Há que se levar em conta a disposição de, quando se é transferido para a Reserva", contestar-se ou não sobre algum assunto que o incomodava quando na ativa.

7º - Todos nós sabemos das limitações regulamentares no que dizem respeito à liberdade de expressão, mais especificamente para o Pessoal em atividade. Ganha-se um pouco mais de espaço quando deixamos essa condição. Um ATIVAER jamais seria tão producente quanto é o RESERVAER.

8º - Se fizermos uma introspecção e revisarmos nossas carreiras, encontraremos alguns momentos nos quais tivemos que “engolir um sapo”. Mesmo tendo a maior razão do mundo. Helmo Clarck Serrano, falecido em 1972 como 2º Sargento, num acidente aeronáutico, meu padrinho de casamento, costumava dizer que, “no quartel, o galão se sobrepõe à razão”. Se bem pensarmos, algumas vezes aconteceu conosco – nos dois lados da questão, talvez.

9º - Para que não pensem que eu estou aqui defendendo “a” ou “b”, acredito que esse “poder de fogo” das pessoas que não têm problema de falar sobre determinado assunto (e com conhecimento de causa, é lógico), parem por aí. Sua atuação pode começar verdadeiramente a partir do episódio. Como? Através das Associações de Pessoal Inativo (viram por quê não concordo com a palavra?). Conhecedor dos meandros dos caminhos da vida militar, sua ajuda é e será sempre necessária a uma causa que possa vir a nos beneficiar. Mesmo no RESERVAER muitas questões são resolvidas.

Assim é, meus AMIGOS (todas maiúsculas), que nós, do lado de fora das cercas dos quartéis podemos e devemos falar, agir. O que o Gen Cesário fez, ao tentar defender a instituição que o abrigou e manteve (e à sua família) por um longo tempo, foi com o objetivo de procurar melhorá-la. Mesmo que não estivesse mais (como é o caso) lá dentro.

Petrocchi

P.S. A maior injustiça cometida contra ele foi dizer que o mesmo “se retirou” (termo empregado em nações de língua espanhola para designar a passagem para a Reserva – neles, somos conhecidos como “retirados”). Espero, sinceramente, que S.Excia. continue atuando. Com mais liberdade de expressão, “of coarse”.

SE FOSSE HOJE???

Estamos gozando um feriado pela morte de um HOMEM.
Num assunto polêmico como é a religião, atrevo-me a mergulhar no tema com uma visão um pouco diferenciada de tudo quanto se tratou a respeito. Para não dar chance ao alongamento de uma discussão, eximo-me de colocar aqui as razões (a nós passadas) daqueles que tinham o poder na época.
Há cerca de 2 mil anos atrás sacrificou-se um HOMEM. Filho de Deus, Jesus veio à terra com uma missão definida por Seu Pai: resgatar a humanidade, perdida que estava já naqueles tempos. Reinava, na época, um total desencontro, sem que os contemporâneos pudessem vislumbrar um caminho certo a seguir. Posso pensar que a vinda do Filho do Senhor não deve ter surtido o efeito esperado pelo Criador, visto que o descalabro continua. Esqueceu-se (ou talvez tenha sido proposital) o Grande Arquiteto do Universo de nos privar do livre arbítrio. Os seres humanos, imperfeitos que somos, continuam a se afastar da retidão que Deus esperava dos seus filhos.
O fato da crucificação do Filho do Senhor, se fosse hoje, teria tido conseqüências infinitamente piores. Os crucificadores estariam sendo exaltados, Cristo teria seu nome muito enxovalhado, a família que o tinha como membro seria condenada a pagar as custas do processo presidido por Pilatos, a limpeza dos caminhos da Via Sacra gerariam uma concorrência para decidir quem iria procedê-la, com um acréscimo dos 10%, é claro...
Mas, o quê me traz a comentar o fulcro da questão é a vinda do Filho de Deus. O quê é que estamos fazendo com a nossa religiosidade? Onde anda a razão principal do quê Ele pregou? O quê é que estamos fazendo com as nossas vidas e com as dos nossos circunstantes? Continuo acreditando, todavia, que Deus sabe o que faz. Notem que não falei em religião A, B ou C.
E nós aqui, numa boa. Aproveitando o feriado, reunidos com as nossas famílias, comendo um peixinho básico, um camarão para os mais abonados, outros ignorando a proibição da carne, mas aproveitando a sexta-feira santa. Estamos no meio do passado e do futuro, apenas nos preocupando com o nosso presente.
À minha humilde ótica, deveríamos, pelo menos, nos preocupar como é que vai ser o nosso próximo domingo. Pretendo fazê-lo cheio de reflexões (tive a notícia, hoje, que serei avô de um quarto neto), com um verdadeiro sentimento pascal. De alianças e de encontros. Conosco mesmos e com os outros.
Talvez isso nos faça bem.
Feliz Páscoa a todos.

MEIO-CIDADÃOS

Recentemente, numa cerimônia militar, perante à tropa e só a ela, sem a presença da imprensa, ouvi um oficial general dizer que "nós, os militares, somos apenas meio-cidadãos".
A maneira ponderada com a qual proferiu a frase não provocou, entre os que tiveram o privilégio de ouvir a alocução, qualquer reação que não fosse a reflexão sobre o que acabava de ser dito. Dos mais jovens soldados aos mais antigos inativos presentes (aqui em Florianópolis somos convidados para as solenidades militares e a elas comparecemos) todos se sentiram bem ao ouvir o que foi dito. Serviram as palavras daquela autoridade para um resgate do sentimento que deve rondar o peito de todos nós militares. Na sua fala, SExcia explicou o que queria nos passar com o que disse. A outra metade da cidadania (a que nos falta, ou melhor, nos completa - depende de quem analisa) está incutida em cada um de nós na forma de patriotismo, sentimento do dever, amor ao nosso chão. Temos direitos infinitamente menores do que o restante da população. E deveres inversamente proporcionais àqueles direitos.
Quando posto alguma coisa aqui na TL, procuro isentar-me de pensamentos que possam ser, um pouco que seja, mesquinhos ou individualistas. Imbuo-me dos inúmeros ensinamentos que amealhei durante minha "vida com farda". Militar que sou, apenas com um aposto (reformado) ao final da designação, sou identificado antes pela primeira palavra - MILITAR. Continuo comungando das premissas aprendidas (e apreendidas) nos 35 anos que passei na caserna. Mesmo hoje procuro pautar-me pelas coisas próprias da gente castrense.
Após a cerimônia cumprimentei SExcia pela injeção de ânimo com a qual brindou a tropa. Durante algum tempo conversamos e tudo girou sobre o passado, o presente e o futuro das nossas FFAA, como chegamos até aqui e o que será feito de nós. Concordamos, ambos, que a credibilidade estampada nas enquetes, desde há muito tempo, empresta-nos a certeza de que o povo sabe que estamos aqui. Que estamos atentos a tudo quanto se passa. Sabem, os brasileiros, que na hora certa eles podem contar conosco. Sejamos autênticos em pensar a que hora me refiro. Nossos deveres constitucionais estão expressos na Carta-Magna e sabemos quais são eles. Fugir a eles (ou deles) não deve passar pelas nossas mentes. Sabemos o que nos cabe.
Indignar-me? Claro que, às vezes, assaltam-me preocupações com os mais variados temas. Vejo muita coisa errada mas tenho que conter-me, enquanto militar, para não deixar que a coisa ultrapasse os limites do que considero como estrito cumprimento do dever. Ou acham que nós, os inativos (não gosto da palavra, como já disse em outra oportunidades) não temos deveres? E como temos. O primeiro deles é zelar para os que hoje nos sucedem na caserna encontrem o nicho social, ao qual pertencerão um dia, organizado e consciente.
Temos alguns direitos que a eles são negados, entre eles o acesso à mídia sem medo de represálias, desde que ajamos dentro da lei. Detalhe que é cobrado de todos os brasileiros.
Com essa pequena diferença, temos que nos integrar às associações, para garantir um pouco mais de visibilidade às idéias que tivermos. Associações essas que garantirão (e servirão para) a discussão prévia do que se vai propor.
Mesmo sendo "meio-cidadãos", temos como intervir. Não há que se discutir com o jovem soldado que nos atende quando vamos marcar uma consulta, com o graduado que vai tentar ajudar-nos numa eventual necessidade na tesouraria, com o oficial do momento no qual precisamos da Instituição. Eles fazem parte do sistema e a este obedecem. O que nós temos que fazer é tentar modificar o SISTEMA. O Brig Matielli, da DIRSA, falou isso em alto e bom tom durante uma palestra no Auditório da Base Aérea de Florianópolis: "esse papel cabe às Associações". As autoridades militares, na quase maioria dos casos, são impedidas pelo SISTEMA de fazer-se ouvir, pelo menos imediatamente. Nós, os inativos, não temos impedimento hierárquico para fazê-lo. Você, leitor, tem todo o direito de enviar uma correspondência diretamente ao Ministro da Defesa, a um dos comandantes militares. Um comandante de unidade militar não pode fazer isso. Tem que passar pela cadeia de comando e o seu documento pode esvair-se no meio. Há que se observar, tão somente, a questão da oportunidade, da possibilidade, é claro.
Mas isso é assunto para outro post. Que, é claro, colocarei brevemente.
Abraços.

APOSENTANDO-SE

Meu amigo.
Entras, agora, num período com o qual, certamente, sonhas há muito tempo. Afinal de contas, após três décadas trabalhando para a sociedade, alcanças a tão sonhada aposentadoria. Desejo-te felicidades nos dias que começam a compor, hoje, o resto da sua vida.
Quando aconteceu comigo, fui convidado a participar de um programa na Base Aérea de Florianópolis, o da "Preparação para a Reserva (Aposentadoria - no meio civil)". Bastante interessante, o programa abordava diversas áreas como, por exemplo, saúde, espiritualidade, estabelecimento de novas atividades - para sabermos o que fazer com o tempo de sobra que vamos ter, e por aí vai.
Como a Psicóloga encarregada do programa era minha amiga, em uma conversa anterior ao início do mesmo, ela me indagou como é que eu estava vendo a nova etapa da vida. Depois do papo, a mesma convidou-me para que, durante aquela semana, eu falasse sobre minhas experiências e expectativas acerca do que seria minha vida dali para a frente. Resumo o que falei aos ouvintes:

Um belo dia seu velho corpo (nem tão velho assim - somos apenas impiedosos com os aposentados) acostumado que está com a rotina de três décadas ou mais, desperta no mesmo horário que sempre despertou. Mas, antes de ir tratar da sua higiene matinal, você descobre que não precisa mais ir trabalhar - está livre disso. Vira sua barriga para o teto, coloca as mãos sob a cabeça, estica-se todo e dá aquela espreguiçada. Você é um ser realizado. Fica mais um tempo na cama, sua mulher (ou marido, conforme o caso) lhe dá um sorriso e tomam juntos o café da manhã, falando de futilidades. Os próximos dias seguirão essa rotina do "dolce far niente".
Num dia qualquer, seu cônjuge interrompe o papo durante o café dizendo que precisa fazer algo, tratar de alguma coisa (o que sempre fez enquanto você saía para o seu trabalho). Mais dia, menos dia, essas conversas deixarão de existir. Nessa hora, você descobre que está ocupando, dentro da sua própria casa, um lugar que não é seu. Afinal de contas, nos muitos anos que antecederam a sua aposentadoria, você não estava em casa naqueles horários (desde quando saía para o trabalho até o final da tarde, quando voltava do mesmo. Passa a ser um "corpo estranho" no seu próprio lar!!!
Essa nova fase de vida, se não for bem administrada, pode representar o início de problemas. A sua casa funcionou, sempre, de uma maneira que independia da sua presença. Você começa a ver coisas que podem ser novidade completa. Afinal de contas, você não estava ali para ver como elas aconteciam. Atrevendo-me a falar das coisas como elas são no nosso mundo machista, as mulheres têm mais jeito para administra o lar. Elas constroem um quadro cronológico de atividades baseado na sua adaptabilidade e apenas nela. Aquilo que fez durante anos tem que continuar sendo feito. Levanta-se, vai ao banheiro, faz o café, liga a máquina de lavar roupas, começa a fazer o almoço, arruma os quartos, ajeita os filhos, alimenta os animais, varre o quintal, tira as roupas da máquina a as estende no varal, volta para ver o andamento do preparo da comida, telefona para uma amiga, marca a hora no salão de beleza, trata da faxina da casa e por aí vai. Tudo isso com a TV ligada. Você, é claro, não concorda com a "falta de método", com a dispersão de atividades.
Até que, um belo dia, você resolve querer ajudar. Pronto! Começam aí as divergências. Dessa fase para as briguinhas é um pulo. Você está se metendo numa seara que não conhece. Aconselho-o a "não se meter"...
Essa, sem dúvidas, é a hora na qual temos que nos cercar de cuidados para que não aconteçam "brigas" sérias. Pode ser que divergências aí surgidas descambem para um problema maior.
Temos visto, no nosso micro-universo, inúmeros casos de separação de casais que, até então, não tinham problemas. A nova realidade deve ser bem vivida, bem trabalhada. As pessoas devem estar conscientes de que estão vivendo uma nova vida, um novo tempo.
Afinal de contas, foram tão bons os anos vividos até agora, o caminho trilhado juntos. Para que estragar o que vinha dando certo?
Uma das soluções possíveis é o desempenho de uma atividade em horários semelhantes ao que você estava ausente de casa, no trabalho. Essa atividade não precisa ser, necessariamente, um emprego. Arranje um hobby, caminhe pelas ruas do seu barirro, converse com pessoas que estejam na mesma "mordomia" que você está, aposentadas. Entregue-se a uma atividade beneficente, ajude pessoas. O "curto-circuito" que pode aparecer com a sua "incômoda" presença dentro de casa, atrapalhando as atividades do seu lar, pode e tem que ser evitado.
Afinal de contas, vocês chegaram juntos até aqui. Continuem assim.

Nisso reside a FELICIDADE.

É lógico que falei para um público específico, o do meu nicho social. As vidas de todos ali eram muito parecidas. Mas, excetuando-se algumas particularidades, no geral é assim que acontece.
Não posso aconselhar a ninguém como proceder, mas não custa nada a gente ficar sabendo de coisas que acontecem nessa fase da vida. Até para não sermos apanhados de surpresa com o que pode vir a suceder.
Muita calma nessa hora!!!!!!!!!!!!!!
Afinal, calma é que não deve faltar a um aposentado de respeito.
Abraços.

TAKING CHANCE

(Sem título em português, mas poderia ser “Devolvendo Chance”)

Assisti, ontem ao filme com o título acima. Trata de um jovem soldado fuzileiro americano Chance Phelps, morto na guerra do Iraque, cujo corpo é escoltado desde aquele país até sua cidade natal pelo Coronel Strobl, representado por Kevin Beacon. Embora seja de cunho eminentemente ufanista, mostrando homenagens de pessoas das mais diversas classes sociais, prestadas quando do avistamento do caixão onde está o corpo, permito-me discorrer um pouco a respeito das mensagens que o filme quis passar.

Primeiramente a coisa em si: o filme não questiona a guerra, apenas versa sobre um participante dela, algum jovem interiorano que foi servir ao seu país. Como aconteceu com tantos outros quase meninos americanos. As lembranças sobre ele, relatadas ao final do filme por jovens e velhos da mesma cidadezinha, constroem um perfil que bem poderia ser um dos milhares de garotos que conhecemos aqui mesmo no Brasil.

Depois a atitude, do princípio ao final do filme, do Coronel Strobl, um veterano de guerra calejado pelas batalhas que até então enfrentara. A marcialidade mostrada em todas as cenas que Kevin Beacon está na presença do caixão deixaram patente o RESPEITO para com um HERÓI, a dívida de uma ação sendo paga a quem a ela serviu com tanto denodo que chegou a sacrificar sua própria vida (lembra-se do Juramento à Bandeira, no início das nossas carreiras?). Num determinado ponto do traslado, quando o corpo ia ficar sozinho num hangar de aeroporto, o Coronel dormiu ao lado do caixão. Para não abandoná-lo.

Durante todo o filme é demonstrado um enorme cuidado dos Fuzileiros para com o corpo do jovem, tratando-o como algo muito valioso (e não era?). A impecabilidade do uniforme colocado no corpo bem traduz a tradição do Marine Corps. A chegada na terra natal do corpo do Soldado transforma-se num acontecimento grandioso, com passagens sobre as lembranças que o povo da cidadezinha tinha dele, com cenas mostrando a família recebendo o corpo e os pertences do filho, com a presença de muitas bandeiras americanas, nas mais diversas cenas que antecederam ao enterro.

Mas, e aí começo a deixar voar a imaginação, como seria se fosse aqui? No Brasil?

Nós temos, por exemplo, a noção do risco que corremos, quando nos incorporamos à Força Aérea Brasileira de, num futuro que não sabíamos, ser instados a participar de um conflito? Será que estaríamos psicologicamente preparados? Nossa cultura teria absorvido e nos deixado introspectar a seriedade do Juramento? Até quanto aquelas palavras foram pronunciadas com seriedade por cada um de nós, jovens recém-saídos da puberdade?

A Força e o País teriam tido condições de cuidar de nós como deles estaríamos cuidando? A recíproca poderia ser esperada pelas famílias? Saídos de casa inflamados de patriotismo (em se levando em conta que tivéssemos absorvido o Juramento), como é que seríamos “devolvidos”, no caso de acontecer o pior conosco? A Força prescindiria da presença de um Oficial de alta patente na frente de batalha para escoltar o corpo de um soldado?

Conhecendo como penso conhecer a nossa índole, tenho a mais absoluta certeza de que grande parte dos nossos companheiros de caserna nunca pensou nisso. Nunca foram assaltados por pensamentos que prenunciassem a ida sem certeza da volta. Estivemos próximo desta situação? Por vezes sim. Quase todos os que embarcaram, todavia, pensaram mais nas diárias em dólar, em conhecer novas plagas, novos lugares. Não acredito que estavam pensando que poderiam voltar “devolvidos”...

Temos, então, que tentar conscientizar a nossa gente que o nosso papel é importante. Somos obrigados a estar prontos. Sair do individual para o grupo. Pensar no vizinho, no bairro, na cidade, no País e, por quê não?, na humanidade.

Para que, se tivermos que ser “devolvidos”, possamos ter o RESPEITO que teve o Soldado Chance Phelps. Cuja história é real.

LA BARCA

Oi, Chico...

Realmente, a música La Barca é um negócio. Obrigado por tê-la enviado e despertado em mim o que abaixo relato.

Ouvi-la novamente me deu a oportunidade de regressar a um tempo que não volta mais. Naquelas domingueiras do clube da vila, quando a gente podia desfrutar dos primeiros momentos de descoberta do namoro, do romance. A coisa era certamente muito mais difícil do que é nos dias de hoje. Demorávamos bastante a nos acercar da menina que, dentro em pouco, iríamos abraçar. Adolescentes, teríamos o primeiro roçar de corpos, a primeira chance de sermos, por pouco que fosse, íntimos. Uma recusa ao convite para dançar talvez nos estragasse o resto da tarde e nos anularia pelo resto da reunião dançante. O convite, é claro, somente acontecia quando tínhamos certeza de não haveria uma recusa. Mas que poderia acontecer.

Depois de muitos olhares, timidamente trocados, íamos até a mesa da garota e empostávamos a voz para convidar: Quer dançar comigo". Olha que deferência tão especial para com uma mulher ainda menina: dávamos-lhe o poder da decisão, da escolha. Puxávamos a cadeira para que fosse para a pista e a seguíamos por entre as outras pessoas, arriscando uma melhor avaliação do seu corpo, da sua maneira de caminhar, pois apenas a tínhamos visto sentada.

Chegados à pista, o primeiro contato, por mais automático que fosse o gesto de levantarmos a mão esquerda, era de uma feroz ansiedade. Mas passava esse momento. Até nos adaptarmos ao jeito dela dançar, rubores faciais aconteciam. Parecia que não iria dar certo, mas tínhamos toda uma música para tentar. Se desse certo, um grande passo já seria dado.

E a gente ali, imaginando: trago-a mais para perto de mim? Aperto um pouco mais sua mão? Encosto o meu rosto no dela? Será que sento o meu suor frio? Percebe meu nervosismo? Como será que ela está se sentindo? Devo cantarolar ao seu ouvido para que saiba que conheço a música? Essa última parte tinha que ser muito bem pensada, pois não sabíamos na totalidade o que significavam aquelas palavras em espanhol. Grandes amores começaram assim. E pode estar certo de que, nos dias de hoje, ainda tentamos fazer com que aqueles momentos se repitam. Ainda dançamos abraçados com elas. Fechamos os olhos e as imaginamos ainda meninas. Como meninos éramos.

Tenho saudades disso, dessa inocência perdida. A barca da minha menina não partiu, está ancorada no meu porto. Não houve a distância e nem o esquecimento e ela me deu a verdade sonhada. Ela regressa sempre, sem nunca ter partido. Somos cativos dos caprichos dos corações um do outro. Por essas e por outras, minha praia nunca se vestiu de amargura e nossas barcas singraram os mares da nossa vida juntos.

É disso que fala La Barca. Ah!, se eu soubesse disto lá pelos meus 14, 15 anos.

Beto

A FOLHA DE SP PUBLICOU HOJE, 14/5/09, O TEXTO ABAIXO. EM SEGUIDA, MEU COMENTÁRIO.

E DESCULPEM MINHA INDIGNAÇÃO.

“ELIANE CANTANHÊDE

Alvo errado, na hora errada.

BRASÍLIA - Sinceramente, não dá para entender mais nada:

1) Dois sujeitos de terno e gravata estacionam um carro, caminham calmamente até a agência bancária do Quartel General do Exército, no Setor Militar Urbano de Brasília, rendem um general fardado, roubam R$ 8 mil e passam por câmaras de vídeos e barreiras sem serem incomodados. Vexame.

2) Ladrões invadem o 6º Batalhão de Infantaria Leve de Caçapava (SP), prendem um cabo e os soldados e levam embora sete fuzis e 140 cartuchos. Saem como entraram, sem resistência. Outro vexame.

3) E aquele tenente do Rio, o que entregou três jovens para serem trucidados por uma quadrilha de bandidos conhecidos e de alta periculosidade, ainda está pairando sobre consciências e escolas de formação de quadros militares.

Em meio a isso, os "presidenciáveis" Dilma Rousseff e José Serra, dois adversários do regime militar, se reúnem em Brasília para o anúncio do projeto de lei que pretende garantir o acesso a documentos públicos. Um dos objetivos é abrir a documentação do regime militar, trancafiada sabe-se lá exatamente por quem, sabe-se lá exatamente onde. Enquanto o governo cria uma comissão (mais uma!) para procurar os restos mortais de militantes assassinados na ditadura.

Juntando-se tudo isso, é fora de tom, de oportunidade e de hierarquia o general Paulo César de Castro sair justamente do Departamento de Educação e Cultura do Exército para a reserva atirando.

Em resumo, enalteceu a ditadura e o general Médici e condenou "os arautos da sarna marxista" e até as cotas para universidades.

Enquanto eram oficiais de pijama em clubes militares, vá lá. Mas Castro engrossa a lista de generais em transição para a reserva que saem atirando contra os velhos adversários de esquerda que detêm o poder civil hoje e provavelmente deterão amanhã. Melhor seria que mudassem o alvo: falassem menos e cuidassem mais dos seus quartéis.”

Meu comentário:

Li, no site militar.com.br, a sugestão de um companheiro conclamando os inativos a reunirem-se em associações com a finalidade de, nelas, nos tornarmos mais unidos e com possibilidades de falar em nome do nosso segmento.

Esta senhora, autora do texto acima, bem que merece uma resposta do nosso pessoal, o que seria melhor feito através de uma das associações já existentes. Enquanto não leio nada delas vindo, expresso minha opinião pessoal. Lá vai:

De um lapso de tempo considerável, a jornalista cita três fatos, o que faz com a indisfarçável intenção de tentar denegrir uma classe que, não às custas dela (a jornalista), tem o melhor índice de credibilidade junto ao povo brasileiro. Ela não sabe, por exemplo, que o militar da ativa tem a obrigação regulamentar de abster-se de comentários que, ao adquirir a condição de inativo, lhe é possível fazer. Condição, aliás, concedida há bem pouco tempo atrás.

Contraditoriamente, por exemplo ela diz que “é fora de tom, de oportunidade e de hierarquia o general Paulo César de Castro sair justamente do Departamento de Educação e Cultura do Exército para a reserva atirando”. O que é que ela deseja? Não pode um cidadão brasileiro dizer o que pensa? Quem é ela para estabelecer a “oportunidade” para qualquer um de nós? O que é que entende de hierarquia, para mensurar a posição de um oficial-general na reserva? A única opinião digna de ser expressada é a da classe política e da imprensa? Não estaria a Sra. Eliane tentando castrar o direito de expressão de um cidadão, agora “comum”?

Ignorante a respeito da incontida ira que parece sentir pelo Gen Castro, sem saber qual o motivo do desmesurado ataque a ele, até que lhe dou o direito de expressar sua indignação com a atitude do general.

Mas, cara senhora, o seu último parágrafo, que abaixo transcrevo, mexe diretamente comigo e com centenas de milhares de brasileiros que doaram grande parte da sua vida ao país e à proteção de gente como a senhora. Vamos a ele:

“Enquanto eram oficiais de pijama em clubes militares, vá lá. Mas Castro engrossa a lista de generais em transição para a reserva que saem atirando contra os velhos adversários de esquerda que detêm o poder civil hoje e provavelmente deterão amanhã. Melhor seria que mudassem o alvo: falassem menos e cuidassem mais dos seus quartéis.”

Se menos educado eu fosse, aqui inseriria um sonoro palavrão. O que é que faz e/ou o que fez o pai dessa senhora, seu marido, seu irmão, seu marido (se é que o tem)? Onde ela quer chegar com a palavra pijama? Despido da farda o HOMEM é impedido de associar-se? Será que a vida na caserna deu a ele condições de comprar o título de “clubes civis”? O desejo dela de que se perpetue o atual comando da nação, implícito naquele “provavelmente”, traz no seu bojo um comprometimento com a concordância com o atual estado de coisas? Qual alvo é o dela? Quem é ela para sugerir que um cidadão “fale menos”? Quem lhe outorga esse direito? Não aceito que me mandem calar a boca. A Constituição Federal de 1.988 (não tive participação na sua feitura) diz que a liberdade de manifestação do pensamento está garantida, pelo inciso IV do artigo 5º : "é livre a manifestação do pensamento”.

Portanto, jornalista, cuide também da sua “tchurma”. Dedique-se a dar conselhos a eles, do alto(?) do seu pedestal. Muitos deles estão precisando urgentemente...

Passo, agora, a ter mais uma preocupação: a de não ler mais seus textos. Tenho algo mais importante para fazer. Não estou de pijama. Tenho a sublime obrigação de devolver ao meu Brasil todas as benesses que ele me endereçou. Sou obrigado, também, a continuar trabalhando para tentar fazer com que ele seja, a cada dia, um lugar melhor.

Tenho dito!

MILITAR: MEIO-CIDADÃO

Numa recente alocução, perante a tropa e sem presença da imprensa (nessas horas ela não se interessa em comparecer), um importante oficial-general disse que nós, os militares, somos apenas "meio-cidadãos".

A afirmativa daquela autoridade, fora do contexto que se seguiu, pode parecer depreciativa, mas a brilhante fala, na sua totalidade, deixou todos os presentes com uma ponta de orgulho por pertencer a uma classe impar, sem qualquer comparação no meio civil.

Explicando, a autoridade disse que nós temos uma tamanha consciência do DEVER que, para atender a esse desígnio, às vezes somos usurpados dos nossos DIREITOS e, mesmo assim seguimos acreditando na nossa missão. Os mesmos direitos que, nos dias atuais, são buscados para que sejam corrigidas as distorções que a nós são impostas. Essa faculdade, mesmo assim, quase que só é permitida aos que se encontram na situação de inativos (não gosto desta palavra - prefiro dizer que estamos "latentes"). Sim, porque não deixamos a condiçao de militares, apenas não vamos ao quartel todos os dias, mas a instituição sabe que estamos aqui, prontos para o que der e vier. E ela conta conosco, sabendo que pode contar.

Eu apenas divirjo um pouco daquela autoridade. As Associações e os sites militares têm desenvolvido um importante papel para as Forças. O trabalho que os administradores dos sites militares e os diretores das Associações executam representa um grande serviço à Marinha, ao Exército e à Força Aérea. Nesses nichos a gente se encontra, a gente se fala, a gente se articula, a gente ajuda à nossa gente. Os segmentos que existem para a congregação dos militares, como os dois citados, continuam a ser um termômetro do que anda acontecendo nos quartéis. A experiência cumulada por todos nós tem a capacidade de refletir o que pensam aqueles que hoje trilham os caminhos que antes percorremos. Não nos desligamos completamente do ambiente da caserna, o que nos torna sabedores do que anda acontecendo intramuros. Somos capazes de saber interpretar o que exatamente quis dizer um militar quando a mídia lhe dá espaço. As ações daqueles que, oriundos das hostes militares e ocupando posições (pena que, hoje, são muito poucos) de mando na vida do pais, são embasadas em princípios sedimentados em bancos das escolas militares, e eles pensam, antes de fazer, sobretudo no que é o melhor para o país.

Em assim fazendo, tais pessoas contradizem, felizmente, o que disse aquela Autoridade que tive a felicidade de ouvir. Em assim procedendo, os ocupantes de tais cargos exercem, plenamente, o seu papel de CIDADÃO!

Conclamo os meus diletos amigos do site a continuarmos atuantes e, sobretudo, vigilantes. O Brasil sempre esperou e espera isso de todos nós.

Abraços.

O APRENDIZ DE SOLDADO

Diferentemente dos políticos "de carteirinha", os militares, quando se arriscam a caminhar pelas tortuosas e obscuras avenidas da arte da vida política, quase sempre encontram intransponíveis obstáculos. E, o mais duro deles, quase sempre o primeiro, é a aceitação da sua candidatura por parte daqueles que o conhecem, da gente da caserna. Apenas, pura e simplesmente, por acharem que "o fulano vai se dar bem", ou "eu conheço a peça".

Nos meus 35 anos de ativa sempre estive envolvido nos nossos clubes, participando das diretorias e frequentando o nosso meio. A passagem para a reserva não me fez ser diferente. Calderon de La Barca já dizia que a vida militar é uma legião de homens honrados, nos colocou como seres diferentes. Lógico é que, como em toda coletividade, uma parcela ínfima dos que envergam ou envergaram farda pode ter fugido do cerne do bom pensamento, do bem fazer. Mas é uma parcela tão pequena que podemos desprezá-la dentro do nosso universo. Acompanhei, de longe, a caminhada do Brig Frota. Acredito que o mesmo poderia ser, sim, uma solução para o Brasil. Descarto, mesmo, a idéia de pensar em compará-lo com os detentores atuais do poder. Está muitos furos acima.

Certo é que administrar um clube não pode ser colocado lado a lado com a administração de um país, mas olhemos para trás e tentemos enxergar aqueles que se dispõem a fazê-lo. Ainda mais sabendo que vai receber a instituição com um problemão enorme. Pensem nas carreiras de vocês. Olhem detidamente e verão que sempre existiu a "turma da fotografia", aquela que gravitou em torno dos clubes, que se dispôs a trabalhar para a nossa camada social. As críticas sempre eram mais ou menos assim: "fulano deve estar se dando bem, deve estar levando alguma vantagem", pois as pessoas não entendem que um ou outro abnegado gosta de trabalhar pela classe.

Por já ter passado pela mesma situação, obviamente que em proporções bem menores, entendo a indignação do Brig Frota. E compactuo com nosso brilhante expoente militar.

Embora sabedor da minha pouca expressividade, coloco-a à disposição do Brig para o que der e vier. Juntada às outras, poderemos nos constituir num manancial respeitável de homens de honra (outra vez Calderón de La Barca, em o Aprendiz de Soldado), para os quais os valores são diversos daqueles que forjam as pessoas citadas na primeira oração deste meu comentário.

Abraços aos Amigos.

ABISMOS DA INDIGNAÇÃO

Num dia destes peguei-me a pensar: com o quê estava indignado Ruy Barbosa quando escreveu sua famosa frase “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.”... O quê passava pela cabeça do nosso Águia de Haia para demonstrar tamanha indignação?

Permiti-me pensar, então, que a genialidade de Ruy o torna contemporâneo. Se estivesse vivendo no Brasil de hoje, o “pequeno grande homem” não poderia expressar com maior propriedade sobre o que estamos vivendo. Se separarmos seu texto em orações isoladas, estanques umas das outras, encontraremos milhares de exemplos para cada uma delas. O nosso povo, acostumado que está a ter notícias do que anda acontecendo, sem querer (ou poder) indignar-se com os fatos, vai deixando passar o caudal de absurdos diante dos seus (quase sempre) impassíveis olhos. As quatro primeiras orações exercem um poder tão grande, descrevem situações tão numerosas que parecem ao comum dos homens como sendo uma coisa normal, por mais incrível que possa parecer.

Para exemplificar, liste, ao lado de cada uma delas, exemplos que chegaram ao seu conhecimento, quanto mais não sejam: 1 - Observe quantas pessoas, por mais “nulas” que possam ser, ocupam lugares de destaque no país hoje. Até mesmo nos nossos particulares círculos de amizade temos pessoas assim; 2 – Procure assenhorar-se dos meios empregados por muita gente boa para alcançar a prosperidade, vejam se a honra permeou seus passos para a consecução dos objetivos; 3 – Se bem pensarmos, hoje campeia muito a injustiça, que está, todos os dias, sobrepondo-se à justiça por nós almejada; e 4 – Utilizando-se dos itens anteriores, analise aqueles que detêm o poder político, financeiro ou midiático que seja. Tenho a mais absoluta certeza de que, ao final da lista que construirmos – e por mais extensa que seja, ainda ficaremos admirados por estar faltando muita gente.

Mas o que me dói no texto de Ruy Barbosa é a desesperança contida nas três últimas orações. Não pode jamais o homem entregar-se a um injusto destino que a ele querem impor. Essa derrota faz com que ele se veja diminuído, podendo pensar que não tem forças para lutar. Deve, enquanto indivíduo, buscar alternativas para transformar o “status quo” do qual é parte. Alternativas sempre poderão ser encontradas. Aliando-se a outros “indignados”, buscando uma união que poderá passar a representar uma força – numérica que seja, o homem pode vir a ser o estopim da mudança pretendida. Isolando-se não deixará de ser apenas o significado do triunfo daqueles contra quem deveria lutar.

O que o texto de Ruy não se preocupou em detalhar foi o motivo pelo qual se chegou àquela situação. Será que o homem, nos tempos que antecederam a feitura da frase, contribuiu com sua omissão para que as coisas chegassem àquele estado? Será que, por ser “comum”, não poderia ter lutado antes que a situação chegasse ao ponto que chegou?

Transpondo tudo para a atualidade, acredito que não temos o direito de ficarmos esperando que a situação chegue a um ponto que possamos considerá-la como insolúvel, sem volta. Temos que pensar que, sim, somos capazes de lutar para que as coisas melhorem. Não devemos deixar que as nossas vidas – e as dos nossos circunstantes, caminhem precipício abaixo. Se permitirmos isso, apenas estaremos fornecendo combustível para que a velocidade da descida aumente. Pensamos e, se pensamos, existimos (perdoa-me, Descartes)... Se existimos, fazemos parte de uma sociedade e por ela somos, também, responsáveis. Não há porque nos alhearmos ao que está acontecendo à nossa volta. Sem a necessidade de utilização de uma arma física. A maior de todas as armas é a palavra. Converse com seus parentes, seus vizinhos. Mostre-lhes onde pensa que existe um erro e, juntos, busquem alterar a situação. Se o meio da mudança for um voto, dê a ele a importância que o mesmo merece. Ele é sagrado e é só seu.

O que não podemos é ficar parados, esperando que a frase de Ruy Barbosa se transforme, colocando o NOSSO NOME no lugar onde ele colocou “HOMEM” na mesma. Nela, a palavra “homem” é seguida de predicados que amealhamos durante as nossas vidas. Quem nos incutiu tais idéias gostava muitos de nós. Não nos prostrando e não aceitando uma realidade que não queremos, estaremos respeitando os desejos de quem nos ensinou a valorizar qualidades e não estaremos legando àqueles que um dia nos sucederão um país melhor. Nada de desânimo, de risos ou de vergonha. Só depende de nós não chegarmos lá.

A luta é difícil? É! Mas, se não nos dispusermos a entrar nela, merecemos aceitar o que disse Ruy.

Só que, se um dia chegarmos a proceder como no final da frase, se olharmos para trás chegaremos a uma triste conclusão: que a vida da gente não significou nada. E teremos, então, que acrescentar mais uma oração: “... e que não valeu a pena ter vivido...” .

Reflitamos...

UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL.

Tomei conhecimento de uma movimentação, iniciada no Rio Grande do Sul, que pode ser considerada como uma luz no final do túnel para nós, os militares que desejamos uma representação política nas três esferas nacionais.

Trata-se da criação de um novo partido político.

Vantagens? Vejo-as inúmeras. Por exemplo: um partido novo, evitando-se as migrações de pessoas que possam trazer vícios originários de outros partidos. Destes, um deles é a inexistência de “medalhões”, figuras carimbadas que se assenhoram de vagas para disputas de mandatos. Estas pessoas sempre gravitam em torno de detentores de cargos e já se encontram comprometidas com um ou outro “modelo de atuação”. O quê, por si só, já indica que pode vir a significar um continuísmo da situação que sobejamente conhecemos.

As pessoas que me informaram a respeito desse novo partido, da minha mais absoluta confiança, solicitaram que eu iniciasse uma atividade buscando conscientizar o nosso pessoal a respeito dessa novidade. Se conseguirmos as adesões necessárias para a formação do partido, com uma afluência do máximo de cidadãos militares poderemos, partindo desse segmento social, construir uma novidade política com bases calcadas nos melhores princípios das pessoas de bem. Não nos sentimos acima ou abaixo do brasileiro comum. Apenas estamos acostumados a trabalhar com correção, respeitando a vontade do povo. A ele sempre servimos e continuaremos servindo. Afinal de contas, nossa profissão é a de uma “legião de homens honrados”, com permissão de Calderon de La Barca.

Esta é a luz que vejo no final do túnel destes tempos que ora singramos. Não adianta aqui ficarmos a maldizer a situação, a pixar o único representante militar no Congresso Nacional, a reclamarmos do que achamos ser u’a má administração dos Comandantes Militares. Todos seguem um sistema que aí está implantado. O que nós temos que fazer, sim, é tentar mudar o sistema. Partiremos do mais elementar, do mais simples. Vamos apresentar alternativas novas, com vistas à mudança na realidade atual. Um partido político representa uma força da qual não temos idéia. Neles os iguais podem unir os esforços que podem mudar o curso das coisas.

Para fundar um partido, a legislação exige que 101 cidadãos brasileiros firmem um documento de apoio ao programa político e ao estatuto da agremiação que se deseja criar – passo já dado. De posse desse documento, é possível pedir o registro provisório da legenda ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – idem. Depois de atender a essa primeira formalidade, o partido passa a ter um ano de prazo para cumprir as exigências necessárias à obtenção do registro definitivo. Deve realizar convenções e eleger diretórios municipais. É preciso promovê-las em um quinto dos municípios, distribuídos em pelo menos nove estados. O passo seguinte do partido é o de eleger diretórios estaduais e o diretório nacional. Depois de satisfeitas essas formalidades, o partido político está apto a solicitar seu registro oficial na Justiça Eleitoral.

Os pessimistas de plantão certamente irão aparecer. O papel de quem acredita na buscas de soluções, então, deve ser o de tentar fazê-los compreender que esse é o caminho. Afinal de contas, quanto maior o número de adesões, maior a expressividade. Talvez a falta apenas daquele cidadão possa fazer falta na hora do registro do Partido.

Note-se que irá ser um partido militar. Será isso sim, constituído de pessoas que comungam dos mesmos ideais que nós. Se a Sociedade nos empresta o maior índice de credibilidade, acima de todos os outros segmentos, pode ser que apenas nos falte buscar entre seus membros aqueles que possam estar desejando uma mudança no estado atual das coisas, ombreando, com cada um de nós, a busca do ideal que acalentamos: um Brasil mais justo, um País melhor para todos nós brasileiros.

Você, leitor, entraria nessa luta? Aceitaria meu convite?

Abraços.

UTOPIAS???

Esclareço que não sou, ainda, filiado ao Partido Federalista (www.federalista.org.br). Os passos iniciais para a regularização do mesmo já foram dados. Esperamos convencer-nos de que, realmente, atende às pretensões de todos nós, militares. Não estou no "comando" de nada. Modestamente, se encontrar alguma proposta que venha a atender a maioria da nossa gente, estou disposto a embarcar no que melhor for para todos nós. A primeira coisa da qual temos que abdicar é do “eu” (figurado, gente)... Pessoalmente, li o programa (no site que coloquei acima) e acho que é um grande caminho. Depois de lerem o mesmo, seria bom que opinássemos para ver se é, realmente uma boa opção para aquilo que desejamos.

Acredito, entretanto, que não devemos começar já divididos. Assim como acho que não temos o direito de nos omitir (A utopia existe apenas para aqueles que não têm coragem de lutar – frase minha, feita agora). Conforme poderão observar no programa do Partido, naquele site, as propostas são bem definidas. Alguém, mais apressadamente, pode julgar que sejam radicais. Mas, se não partirmos de um pressuposto que a situação atual do país (pela nossa ótica, claro) exige mudanças profundas, não chegaremos a lugar algum. Lógico é que defenderemos prioritariamente os anseios do nosso segmento, mas não podemos nos esquecer que estamos inseridos num grande contexto que é a nação brasileira. Sozinhos não seremos NADA.

Conforme postei antes, acredito ser este um meio de comunicação que há de nos possibilitar uma discussão ampla a respeito do quê é que pretendemos. Existem, entre nós, grandes pessoas que podem, certamente, defender com muita propriedade o que julgamos ser justo e perfeito. Se conseguirmos, dentro deste nosso universo, encontrar um representante à altura do que necessita o nosso ideal, devemos nos comprometer com esse “alguém”. O que não podemos, todavia, é termos a pretensão atabalhoada de lançar nossa candidatura sem termos, ao menos e principalmente, o PARTIDO.

Penso que devemos discutir, muito, a respeito do quê é que quer e precisa o nosso segmento. As opiniões pontuais é que vão definir o rumo que deveremos tomar dentro de uma atuação política. Posso ter (e tenho) opinião pessoal a respeito do quê a gente necessita. Mas ela é individual e deve representar um anseio do meu cotidiano sem, necessariamente, ser aquilo que é desejo do meu vizinho, do meu colega. Não devemos, justamente por isso, “colocar o carro na frente dos bois”. Não podemos partir de um candidato para a formação de um partido. Senão, dará no que deu: a criatura transforma-se em algo maior do que o criador. E o partido, detentor do que é o programa, representação dos ideais de homens de bem, será engolido por uma possível(?) vaidade pessoal. Na minha concepção, não devemos lançar o nosso nome. Essa atribuição é de quem julga que devemos representá-lo. O voto é desse alguém e quem vai ser representado é ele.

Calma, gente, calma.

A palavra está com Você, leitor.

RESILIÊNCIA

Conheci, neste final de semana, uma palavra relativamente nova na área da psicologia: RESILIÊNCIA. Filólogo que me penso, corri ao dicionário e encontrei a seguinte definição: habilidade que uma pessoa desenvolve para resistir, lidar e reagir de modo positivo em situações adversas. Engraçado que a gente vem fazendo uma coisa a vida toda e, de repente, descobre que existe um termo para definir essa “coisa”. Somos quase todos assim, buscadores de caminhos que possam nos levar a um lugar, ou a uma situação, melhor.

A palavra em questão foi ouvida no domingo pela manhã (programa do Heródoto Barbeiro, na CBN) e num almoço logo após acontecido, onde estavam presentes 160 pessoas da ASMIR-SC, não me furtei de colocá-la na alocução que fiz aos amigos quando da abertura do evento. Disse que as associações (como a nossa ASMIR-SC, a AMRAER e a AMIRPEM – esta da Marinha) estão se revelando grupos de pessoas com uma alta dose de RESILIÊNCIA. Estamos alcançando um alto grau de capacidade para buscar soluções. Certo é que estamos nos tornando mais unidos, juntando forças para alcançar ideais. E, se não for dessa maneira, as resistências se diluem no imenso campo de dificuldades que possa estar rodeando nossas vidas.

Estou tendo a oportunidade, por exemplo, de visitar outras associações Brasil afora. Os denodados diretores de todas elas estão ali cumprindo o seu papel. Afastam-se de suas casa e privam-se da companhia família durante algumas horas semanais para trabalhar pela nossa gente. Estamos nos descobrindo agora como cidadãos com possibilidade de buscar objetivos. Não que não tivéssemos, antes, tais vontades. O que acontece é que agora nos foi facultado (de acordo com as novas diretrizes militares) trabalhar com mais alcance, com mais espaço. Não chego ao ponto de ficar lamentando o antes, mas tenho que reconhecer que, hoje, podemos alçar vôos antes difíceis.

Estamos buscando, junto ao Ministério da Defesa e aos Comandos Militares, um reconhecimento oficial das Associações. Quando as autoridades daquelas instituições chegarem à conclusão de que o serviços prestados pelas Associações é de grande valia para as Forças, estarão cientes de que, mesmo inativos (repito que não gosto desta palavra – prefiro “latentes”) estamos cumprindo um papel muito importante que é o de mantermo-nos coesos, cultivando os dogmas da vida militar. Além de, é claro, estar proporcionando aos egressos da carreira uma atividade social num grupo, na sua quase totalidade, homogêneo. Esta última é apenas o topo do iceberg, a parte que fica mais visível.

Por quê queremos o reconhecimento? Simples: com ele poderemos fazer parte de um processo decisório, que existe nas Forças para a solução de problemas, seja no tocante à Instituição ou ao seu pessoal. Sou adepto fervoroso de que não temos o direito de prescindir da experiência adquirida nos longos anos de serviços prestados. Tenho a certeza de que, sendo consultados, não nos furtaremos de prestar colaboração para que o nosso País tenha Forças melhores, mais bem sedimentadas. Podemos ajudar com opiniões e informações valiosas para os Comandos Militares. Além de servirmos como canal de “feed-back” a respeito de questões que envolvem o nosso segmento. A turma dos “latentes.

Portanto, amigos, à RESILIÊNCIA.

PARA FALAR É PRECISO SABER...

Quando não dominamos algum assunto ou alguma área do conhecimento humano, corremos o risco de cometermos impropriedades ao falar sobre os mesmos. O melhor, nessas ocasiões, é deixar que alguém que esteja realmente inteirado da situação falar por nós.

Não se discute, de maneira nenhuma e não se trata disso, a capacidade do Ministro da Defesa dentro da sua área de atuação, o Direito. Jamais pediremos, por exemplo, que um oficial-general (sem formação na área jurídica) passe a palestrar sobre os tortuosos caminhos daquela esfera.

No episódio do acidente com o avião da Air France o Ministro ofereceria ao público uma melhor oportunidade caso tivesse, ao entrar na área técnica da aviação, passado a palavra a quem o estivesse acompanhando e que realmente conhecesse o assunto. Na coletiva que concedeu sobre o tema, ficou inteligível o que o mesmo queria dizer, obrigado que era a consultar os especialistas presentes para passar a informação. A todo momento virava-se para o lado para captar o que dizia alguém ao seu lado. Não vejo demérito algum em assim se proceder: “ - Agora passo a palavra ao fulano que estará pronto para discorrer sobre o caso e responder a respeito do assunto”. Afinal, o desempenho do comando inclui, também, a delegação de poder.

Enquanto não nos afastarmos da idéia de que somos oniscientes jamais seremos completos. O desconhecimento de uma área técnica não diminui ninguém.

Salvo melhor juízo, esse é um dos problemas em termos Ministros da Defesa colocados no cargo apenas com o critério político. Já que não se admite(?) um militar no cargo, pelo menos deveria ser melhor estudado a respeito para nele colocar quem tem um razoável entendimento da área militar. Sobre o dia-a-dia nas Forças, sobre os intrincados meandros que compõem o nosso caminho, a nossa carreira.

O pior de tudo isso é que acaba repercutindo no nosso segmento, pois alguma versão mal transmitida, com transmissão de idéias que possam demonstrar insegurança ou falta de capacitação, pode causar desconforto geral. Os receptores das notícias, informados pela mídia (que pode, ao seu tempo, desvirtuar mais ainda o que foi dito) têm todo o direito de ficar indignados com o que lhes foi transmitido. Ficam, também, em situação delicada os Comandantes Militares, pois pode, ao final, parecer que estão assessorando mal o Ministro. E, por favor, não venham com pensamentos do tipo: os Comandantes não devem ficar calados, os Comandantes têm que dar um basta na situação. Qualquer oficial-general que for ocupar o lugar deles vai ter que proceder da mesma maneira. Isso faz parte da liturgia do cargo.

Resta-nos, então, ficar esperando que a autocrítica comece a funcionar. Enquanto persistir tal “modus operandi”, a saída que nos resta é ficar torcendo para que impropriedades não sejam ditas.

Mas, por enquanto, parece-me que não existe tal possibilidade. A vitrine é cativante e quem está acostumado com ela dificilmente vai querer deixá-la. O que é lastimável.